icons.title signature.placeholder Carlos Alberto Vieira
23/04/2014
08:34

"Qual o seu maior ídolo no Atlético?". Fiz esta pergunta na esperança de que Ramón, um garoto de oito anos que estava ao lado dos pais me falasse do capitão Gabi, ou do brazuca-espanhol Diego Costa, ou do goleiro Courtois. Mas o menino nem me deixou terminar a pergunta e foi logo mandando:

- Cholo

Cholo é o apelido de Simeone, o argentino que é o treinador da equipe. Está está no cargo há três temporadas. Nesse tempo fez o Atlético passar de um time de médio para bom a um rival a ser respeitado por qualquer gigante do planeta.

Bem. O garoto pode ter uma opinião exótica, talvez influenciado por alguma matéria que tenha visto. Ou pelos pais, Ramon e Mercedes.

Vou até uma pracinha que fica bem próxima da entrada oito do Vicente Calderón, um estádio que não tem a aura do Santiago Bernabéu (que nem fica tão longe da casa atleticana), mas inspira respeito, com seus mais de 50 mil lugares e localização bem mais central do que o estádio do arquirrival.

Lá se aglomeram quase mil torcedores. Entre goles abundantes de cerveja, eles cantam hinos, canções, elegem jogadores do Chelsea para vaiarem, centram as baterias contra o treinador José Mourinho (Hijo de la P....) e gritam os nomes dos jogadores. Quando chega a vez de Simeone, os decibéis aumentam num nível ensurdecedor.

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O brasileiro Diego Costa é um dos destaques do time comandado por Simeone

Sigo mais um pouco e vejo uma turma de sete cadeirantes com a camisa do Atlético. Trata-se de integrantes de uma organizada, Atlético Sem Fronteiras. Felix Lanno diz que o time é muito bom, que deveria ter mais jogadores na seleção (bem, o Colchonero é cheio de gringos no time titular...), mas que todo o sucesso é obra do treinador.

Antes mesmo de entrar no estádio já estou convencido de que o Atlético tem duas unanimidades. Todos odeiam José Mourinho, que treinou o Real Madrid e nunca escondeu a má vontade com os espanhóis, de qualquer clube, e todos adoram Simeone. Mas, como seria no jogo?

Não deu outra. Na hora que os nomes foram apresentados nos autofalantes e nos telões, o mais vaiado, e bota vaiado nisso, foi o de Mourinho. E embora todos os jogadores fossem aplaudidos, muto especialmente Diego, que a torcida queria no time titular, quando chegou a hora de Simeone, a torcida do "Ätleti” que já é barulhenta por natureza, foi além do normal.

No fim do jogo, após um empate que poderia ser uma ducha de água fria, cheguei a pensar: Simeone não colocou o artilherio Villa antes, poderia ter dado mais força ao Atlético, será que alguém vai reclamar? Bem, esquece. Cholo saiu aplaudidíssimo. Deve ter deixado Vicente del Bosque, o treinador da seleçao espanhola, com inveja da popularidade do companheiro de profissão. E o que diria Ignacio González, presidente da Comunidade Autônoma de Madri, o governador deles, que também estava presente na partida. Sei não. Se depender dos eleitores do Atlético, Simeone ganha qualquer eleição...