icons.title signature.placeholder Jonas Moura
14/03/2014
15:28

Além de representar o Nordeste na Superliga Feminina, o Maranhão Vôlei/Cemar deu um toque argentino ao principal campeonato do vôlei brasileiro este ano. Foi pelas mãos de Yael Castiglione, levantadora da seleção de seu país, que a equipe tentou incomodar os favoritos e deixar uma imagem positiva na temporada de estreia. Nesta sexta-feira, o time faz diante do Praia Clube, às 21h30 (de Brasília), em casa, sua última partida na atual edição.

A atleta é vice-líder nas estatísticas do fundamento que é sua especialidade. E o Maranhão, embora amargue a lanterna e não tenha mais chances de classificação aos playoffs, vem sacudindo as arquibancadas do Ginásio Castelinho, palco onde foi registrado o recorde de público desta temporada: 7.200 torcedores.

Aos 28 anos, Yael foi a grande aposta da comissão técnica para tentar fazer frente a equipes consolidadas no torneio. Ela chegou ao Nordeste com a experiência de quem já rodou o mundo, passando por Espanha, Suíça, Azerbaijão, Alemanha e Áustria.

– Depois de morar sete anos no clima de inverno, estava precisando de um pouco de calor, de sol. Estou aguentando a temporada, apesar de sentir a diferença – disse a atleta, que ficou fora de quatro rodadas na reta final em razão de uma infecção urinária.

As dificuldades de adaptação foram inevitáveis. Sobretudo porque o Maranhão é a equipe mais isolada no mapa do vôlei brasileiro de alto nível. A distância para a casa do rival Rio do Sul/Equibrasil (SC), por exemplo, ultrapassa os 3.500 km.

– Para mim é uma referência incrível a Superliga. Os resultados não apareceram como esperávamos, mas é uma liga forte, com nível de eficiência grande. Jogar aqui é ótimo, mas ao mesmo tempo difícil por causa da distância. Quando temos dois jogos na semana é bem cansativo. Mas é uma questão de costume – disse Yael.

A equipe venceu apenas cinco jogos dos 25 disputados e soma 12 pontos, 23 a menos que o Brasília, último classificado às quartas de final. Depois da Superliga, Yael terá pela frente a Copa Panamericana, o Grand Prix e o Campeonato Mundial com a seleção argentina.

Entendendo os números

As estatísticas de levantamento muitas vezes não condizem com a realidade das equipes na tabela. Yael, por exemplo, aparece à frente de nomes conhecidos, como Fabíola, do Molico/Osasco (1º colocado) e Dani Lins, do Sesi-SP (4º). A explicação está na maneira como é calculado o desempenho.

Um levantamento é considerado 'sucesso' quando o atleta coloca o atacante em condições de realizar o ataque sem bloqueio ou com bloqueio simples. Se o levantador coloca a bola para o atacante e este enfrenta um bloqueio duplo ou triplo, o levantamento é 'continuação'.

Caso a bola seja levantada fora do alcance do atacante ou para um jogador adversário, ou se o levantador cometer falta (dois toques), o levantamento é classificado como 'erro'.

No caso de Yael, foram 316 sucessos, 42 erros e 894 continuações até o fim da pemúltima rodada do returno da Superliga, o que resulta no percentual de 21.80% de eficiência (sucessos menos erros divididos pelo número total de ações) - o segundo melhor do torneio. A líder é Macris, do Pinheiros, com 22.36%.

Bate-bola

Yael Castiglione

Levantadora do Maranhão Vôlei/Cemar

A que se deve o seu bom desempenho nos números?

Acho que essa estatística varia muito, porque todas as jogadoras do torneio são boas. Não é um trabalho fácil, então estou muito contente.

Como você se destacou em meio à campanha ruim do time?

Sinceramente, nunca joguei em times fortes. Estou acostumada a lutar para ganhar. A perseverança do trabalho de todos os dias é o que conta. Esse resultado tenho agora na estatística.

Depois da Superliga, tem planos de seguir jogando no Brasil?

Tenho muita vontade de continuar a jogar aqui. É o melhor presente que uma jogadora internacional pode ter na carreira.