icons.title signature.placeholder Rodrigo Cerqueira
19/11/2014
08:01

O cronômeto apontava 41 minutos do segundo tempo. Em Santiago, o Palmeiras enfrentava o Colo Colo pela última partida da fase de grupos da Copa Libertadores de 2009. O único resultado que interessava ao clube paulista era a vitória, até mesmo em caso de empate a classificação para a próxima fase seria impossível. Foi quando Cleiton Xavier se livrou da marcação e acertou uma bomba. Um golaço. Vaga garantida e uma explosão de comemoração dos palmeirenses por todo o Brasil.

Em entrevista ao LANCE!Net, Cleiton Xavier abriu seu coração ao falar do Verdão, e também ao lembrar o gol citado acima. Considerado pelo próprio como o mais importante de sua carreira. Ele também confirmou que foi procurado pelo Palmeiras no meio deste ano, mas as conversas não avançaram. Artilheiro do Ucraniano com oito gols, o meia do Metalist (UCR) curte essa "nova fase" na carreira, lamenta a debandada de jogadores do clube por conta de problemas financeiros, relata os momentos de tensão dos conflitos entre ucranianos e tropas de separatistas pró-Rússia, e ainda sonha com Seleção. Dunga já deu chance para ele!

Carinho e interesse do Palmeiras:

- Sim, hou uma conversa. No meio do ano chegamos a conversar. Tenho um carinho muito grande pelo Palmeiras. O Paulo Nobre é meu amigo, e sempre conversamos quando é possível. Até acompanho daqui os jogos do Palmeiras, e é uma satisfação enorme quando surge meu nome no noticiário do Palmeiras.

Interesse de clubes brasileiros:

- Realmente tive algumas propostas do Brasil, conversas. Aqui é complicado, dificilmente eles liberam a gente de forma fácil. Mas claro que ainda quero voltar a jogar no Brasil e vestir a camisa de um grande clube.

Gol contra o Colo Colo:

- Sem dúvida. Foi o gol mais marcante da minha carreira. Principalmente quando se fala de Palmeiras, todo mundo logo associa esse lance. Foi marcante, e sempre será marcante. Além de ter sido um gol bonito, pelo contexto do jogo será um gol que vou guardar pelo resto da vida.

Fase artilheira na Ucrânia:

- É uma fase de artilharia, não era muito a minha. Mas estou aproveitando bastante, conseguindo várias chances nos jogos. Apesar de jogar recuado em algumas partidas, em outras mais avançado. Estou feliz em poder ajudar a equipe com gols, passes... Vamos ver se o time se acerta nessa reta final.

Conflitos políticos e sociais na Ucrânia:

- A gente vive nossa rotina normal, na nossa cidade (Kharkiv) está tudo tranquilo. Não houve conflito, e temos uma vida normal. Vamos treinar, jantar na rua e sempre somos bem tratados.

Debandada de jogadores do Metalist (o clube perdeu só neste ano Marlos, Márcio Azevedo, Alejandro Gómez, Diego Souza, Willian e Sebastián Blanco):

- Tudo começou quando a crise estourou. Todo mundo ficou assustado, não sabíamos o que poderia contecer. Até por segurança. E o pessoal que foi embora foi muito em cima dessa questão. Mas o clube garantiu a segurança de todos, e isso que me fez continuar aqui. Mas é claro que a gente fica com medo, receio. E ficamos na expectativa de, no próximo ano, ter mais jogadores para brigarmos pelo título.

Edmar (brasileiro naturalizado ucraniano que foi convocado pelo exército ucraniano)

- A gente até brinca. Ficamos brincando com ele dizendo que teria que servir, e ir para a guerra. Mas tudo em tom de brincadeira. No início ele ficou preocupado, e sabemos com é difícil. Ele é naturalizado. Imagina a família dele no Brasil! Mas logo em seguida ele foi informado que não ia servir, até porque é jogador de futebol. E depois de alguns procedimentos, tudo se resolveu. No lugar dele, não sei qual seria a minha reação.

Crise em Donetsk (um dos locais mais afetados pelos conflitos na Ucrânia) 

- Realmente foi o clube mais afetado (Shakhtar). Principalmente pelos conflitos em Donestk, o grupo teve que sair da cidade. Hoje os jogadores moram em Kiev e o time joga em Lviv. Temos mais contato com o Marlos e o Márcio, que trocaram o Metalist pelo Shakhtar.

Renovação de contrato:

- Aqui eu acabei renovando no ano passado por mais três anos, então ainda tenho mais dois anos e meio de contrato. A tendência é ficar no clube, buscar títulos. Estávamos no caminho certo, crescendo. O time foi vice-campeão nacional, mas esse ano tivemos uma queda por conta da saída de alguns jogadores. Mas tenho esperança de que no ano que vem as coisas vão melhorar.

Chance na Seleção de Dunga:

- É, já fui uma vez (convocado). Justamente com o Dunga, pelas Eliminatórias da Copa de 2010. Tenho esse sonho de voltar a vestir a camisa da Seleção, ainda mais agora que o Dunga vem dando oportunidade para muita gente.