icons.title signature.placeholder Eduardo Mendes e Rodrigo Cerqueira
20/03/2014
08:03

Os seis brasileiros do atual elenco do Metalist custaram 26,1 milhões de euros (R$ 84,7 milhões) nos últimos quatro anos. Tal investimento, por sua vez, fica refém da incerteza dos desdobramentos da crise política na Ucrânia e o futuro desses jogadores no clube também é imprevisível.

Diego Souza, o último brasileiro contratado, já teve a situação levada a advogados no Brasil por meio do empresário dele, segundo o LANCE!Net apurou. Com receio de uma guerra civil, além de atrasos salariais, a rescisão unilateral é estudada.

O meia estava no Brasil nas últimas semanas tratando uma lesão muscular na coxa direita. Ele retornou a Kharkiv na tarde de terça-feira, acompanhado do companheiro de time Rodrigo Moledo.

Em Porto Alegre, o zagueiro se recuperava de uma tendinite no joelho esquerdo. Sem confirmar o atraso de salários, Moledo preferiu não antecipar o futuro, mas não fala, por ora, em uma possível saída.

– Vou saber de tudo quando chegar lá. Medo nós temos, não é? Tem a questão da segurança, vi as notícias daqui. Não sei bem como está lá. Viajo para me reapresentar pois tenho contrato com o clube – disse.

Com mais tempo de Metalist entre os brasileiros – está no clube desde 2010 – Cleiton Xavier assegura a permanência, pelo menos, até o meio desta temporada. O jogador tem propostas de clubes do Oriente Médio, que já tentaram tirar o meia do Metalist nas últimas janelas de transferências internacionais.

O ex-palmeirense, inclusive, é o brasileiro com maior cotação. Segundo o site especializado em mercado de futebol, Transfermarket.com, Cleiton Xavier custa oito milhões de euros (R$ 26 milhões).

Investidores e agentes monitoram

A incerteza quanto ao futuro político da Ucrânia deixou as atenções de empresários e investidores brasileiros voltadas para o país e para os clubes.

Agentes e grupos acionaram parceiros comerciais no país para sondar a situação dos jogadores do Brasil por lá na expectativa de alguma rescisão.

O contrato quebrado permite ao jogador, além de assinar com outro clube sem a necessidade de o interessado pagar o valor respectivo pela transferência, também negociar os direitos econômicos com empresários ou diretamente com um novo clube.

Na edição de sexta-feira, o LANCE! mostrará a história do brasileiro que jogou nas divisões de base da seleção belga e está em litígio na Ucrânia.


Academia LANCE!

Eduardo Carlezzo - Sócio de escritório de advocacia

O regulamento de transferências de jogadores da Fifa não trata especificamente de questões como esta, porém permite aos atletas rescindirem um contrato quando houver uma justa causa. A interpretação do que configura uma justa causa pode abrigar uma série de situações, entre elas uma guerra.

O grande foco das manifestações estava na cidade de Kiev, onde havia até poucas semanas atrás uma situação que estava muito próxima a uma guerra civil, o que a meu ver autorizaria um atleta, especialmente o estrangeiro, a solicitar o término de contrato. Contudo, neste momento, devido a melhoria das condições, excetuando a Crimeia, tal rescisão pode ficar mais difícil. O atleta estrangeiro, em regra geral, pode se socorrer perante órgãos como a Fifa, judiciário local ou a embaixada de seu país.

No final de 2012 fomos contatados por dois atletas brasileiros que atuavam pelo clube sírio Al Shorta, na capital Damasco, justamente durante o período de conflito. Além dos graves incidentes nas ruas, também havia atraso salarial. Os atletas conseguiram sair do país e, já no Brasil, foram iniciados na Fifa os procedimentos legais.


OS BRASILEIROS DO METALIST

Rodrigo Moledo, zagueiro – Foi contratado pelo clube em julho do ano passado por cinco milhões de euros (R$ 16,2 milhões). Tem contrato até 30 de junho de 2018. Estava em Porto Alegre se recuperando de uma tendinite no joelho esquerdo. No fim do ano passado, recebeu sondagens para retornar para o Brasil.

Márcio Azevedo, lateral-esquerdo – A chegada do jogador se deu no fim de fevereiro do ano passado e ele custou três milhões de euros (R$ 9,7 milhões). O lateral deixou o Botafogo para assinar com os ucranianos até 30 de junho de 2017. Os empresários do jogador descartam um retorno para o Brasil.

Cleiton Xavier, meia – É o brasileiro que está há mais tempo no clube. Contratado em 2010 por 3,6 milhões de euros (R$ 11,6 milhões). Vinculado ao Metalist até 30 de junho de 2017, o jogador tem ofertas do Oriente Médio. O meia, por sua vez, garante que fica no clube pelo menos até o meio deste ano.

Diego Souza, meia – Contratado ao Cruzeiro em agosto de 2013 por 6,5 milhões de euros (R$ 8,9 milhões), o jogador assinou até 30 de junho de 2017. Assim como Moledo, estava no Brasil se recuperando de uma lesão muscular na coxa direita. Empresário dele já consultou advogado por causa da situação no clube.

Marlos, meia – Chegou ao Metalist no início de 2012 pelo valor de quatro milhões de euros (R$ 12,9 milhões). Ele assinou contrato até 31 de dezembro de 2016. O jogador tem participado com frequência das partidas nesta temporada. Desde o início da temporada, foram 14 partidas, um gol e cinco assistências.

Willian, atacante – O jogador custou quatro milhões de euros (R$ 12,9 milhões) em 2012 e assinou contrato com o Metalist até 30 de junho de 2017. Foi emprestado ao Cruzeiro em julho de 2013 até 30 de junho deste ano. A totalidade dos direitos econômicos estipulada à Raposa é de R$ 12,9 milhões.


Metalist temporada 2013/2014

Quem chegou
O clube investiu na contratação de 13 jogadores. Para isso, foram desembolsados 18,5 milhões de euros (R$ 60 milhões). Entre os reforços, os brasileiros Rodrigo Moledo e Diego Souza, que acertaram em julho do ano passado. Além deles, foram contratados um nigeriano, um argentino, um eslovaco, um sérvio, um russo e seis ucranianos.

Quem saiu
Até o mês passado, o Metalist negociou, seja em definitivo ou por empréstimo, 18 jogadores. Um deles foi o atacante Willian, emprestado ao Cruzeiro até o fim de junho. A arrecadação com as transações gerou uma receita de sete milhões de euros (R$ 22,7 milhões). Cinco jogadores deixaram o clube entre janeiro e fevereiro. Parte da verba com essas negociações serviu para quitar dois dos três meses de salário pendentes.

O elenco
Os 24 jogadores que integram o grupo principal do Metalist hoje são cotados, segundo o site transfermarket, em 74, 3 milhões de euros (R$ 241 milhões).

Os brasileiros
Os seis jogadores do Brasil que têm contrato com o Metalist, juntos, valem 35 milhões de euros (R$ 113,6 milhões). Valor superior aos R$ 84,7 milhões investidos nas contratações deles.