icons.title signature.placeholder Valdomiro Neto
22/06/2014
23:45

Argélia venceu após 32 anos de jejum em Mundiais (FOTO: Jung Yeon-Je/ AFP)

Assim como aconteceu na véspera, a coletiva pós-jogo da Argélia teve momentos de alfinetadas do técnico Vahid Halilhodiz na imprensa do paÍs africano. Porém, desta vez, depois de insinuar que jornalistas argelinos estariam tristes com o triunfo da seleção por 4 a 2 sobre a Coreia do Sul, no Beira-Rio, um profissional da mídia tomou a palavra para fazer pergunta e acabou aproveitando para pronunciar-se sobre a situação, em um tom de quase apelo. 

- Hoje vi vários jornalistas com lágrimas nos olhos pela vitória da Argélia. Se tiver problemas com alguns jornalistas, diga. Estamos ao seu lado, vamos dar apoio à seleção argelina, não estamos aqui torcendo contra não - declarou o jornalista, que ouviu então a réplica de Vahid. 

- Li algumas críticas na imprensa argelina, Nunca disse que é toda a imprensa. Mas alguns dizem que me odeiam, entretanto acredito que a maior parte de seus colegas estão felizes com essa vitória. Mas sei que alguns não estão. 

A polêmica voltou à tona quando o treinador foi questionado do porquê de ter mudado quase metade do time contra a Coreia em relação àquele que havia sido derrotado para a Bélgica por 1 a 0. Desses cinco novos titulares, quatro não tinham jogado um só minuto na estreia. Na resposta, o técnico de origem bósnia deu suas cutucadas.

- Vocês jornalistas sempre me criticam, mas os torcedores apoiam. É um paradoxo, me parece. Os torcedores nunca perderam a confiança em nós. É uma pena para você, É um presente para todos. Marcamos quatro gols, talvez você esteja triste. O povo argelino está plenamente ao nosso lado. Tivemos que ousar, talvez até mais do que fizemos antes. Vamos melhorar a cada jogo. Buscaremos vencer a Rússia e chegar ao mata-mata

Ao ser então questionado por um jornalista brasilerio sobre as razões pelas quais havia tantos problemas de relacionamento entre o técnico e a imprensa do país magrebino, Vahid deu uma longa explicação. 

- Pergunte aos seus colegas, eles estão ao seu lado. Cheguei à Argélia três anos atrás e a situação era um desastre. A equipe tinha sido eliminada da Copa Africana, tivemos que refazer tudo, começar do zero. Trabalhamos muito. Na minha opinião, o que acontece é que alguns jornalistas podem ter suas razões para criticarem. Não sei se eles acompanham o que fazemos. Podem haver algumas coisas por trás disso. Houve boatos e mentiras. Chegaram a atacar minha família. Não posso dizer que ganhei essa batalha por mim, mas pelo povo argelino sim. Um povo que tem apoiado mesmo em momentos de derrota. 

O resultado encerrou um jejum de 32 anos sem vitórias da Argélia em Mundiais. A última havia sido sobre o Chile por 3 a 2, em 82. A equipe assumiu assim a vice-liderança do Grupo H e tem boas chances de conquistar uma inédita vaga nas oitavas de final com um empate com a Rússia, na quinta-feira, na Arena da Baixada, em Curitiba.