icons.title signature.placeholder Amir Somoggi
21/03/2014
07:08

A crise atual que atingiu a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que resultou na renúncia de seu presidente, Ary Graça, chamou a atenção de todo o país. A entidade, tida até então como referência em gestão, após as denúncias feitas pela ESPN, viu sua marca atrelada a aspectos extremamente negativos. Para muitos, as denúncias que atingiram como um ace a entidade, se constituíram numa grande surpresa, uma vez que o supercampeão vôlei sempre foi tido como uma ilha de profissionalismo no Brasil.

De fato, os resultados recentes obtidos em quadra e no vôlei de praia posicionaram o Brasil como referência global no esporte, consolidando definitivamente o vôlei brasileiro com o segundo esporte mais popular do país. Este é um mérito da entidade, totalmente focada em seus aspectos esportivos.

A crise atual, relacionada ao aumento desproporcional das despesas de marketing, me levou a escrever esse artigo. Projetar qualquer prognóstico sobre o futuro da CBV é muito prematuro, mas fica claro que a turbulencia atual que envolve a entidade deve servir para que sejam revistos seus conceitos de marketing e o seu futuro como fonte geradora de novas receitas.

Acompanho os dados financeiros da entidade há muito tempo e sempre me chamou a atenção a falta de um trabalho real da confederação no desenvolvimento comercial do vôlei no Brasil, especialmente na busca de novas receitas, além dos patrocínios, recursos públicos e direitos de transmissão.

Segundo o balanço publicado pela própria CBV, a receita global da entidade em 2012 foi de R$ 103,8 milhões, sendo que R$ 77,5 milhões em patrocínios, nada menos que 75% do volume gerado, a mesma participação de 2002. Isso comprova que a entidade ficou estagnada em termos de marketing. Outros R$ 16,6 milhões foram provenientes de convênios governamentais e R$ 5,5 milhões com direitos de TV. Portanto essas três fontes foram responsáveis por incríveis 96% do total gerado.

O vôlei é o segundo esporte do Brasil, com amplo espaço na mídia e grande aceitação perante a população. A CBV nunca conseguiu transformar esse trabalho dentro das quadras em uma efetiva melhora no ambiente de negócios em torno do esporte.

As rendas com jogos, royalties, ações de marketing, publicidade, ativações, exploração da imagem de atletas, venda de produtos e serviços são insignificantes em comparação com suas receitas de patrocínio, recursos públicos e direitos de transmissão.

E isso não é uma realidade atual, sempre foi assim. Esse fato sempre me fez pensar que o excesso de dinheiro despejado na CBV foi maléfico para diversificação de suas receitas e como consequência para o fortalecimento vôlei no Brasil.

As denúncias relacionadas ao excessivo gasto com comissões para intermediação dos patrocínios é a faceta mais triste desta história. Se esses recursos tivessem sido usados como verbas de marketing e comunicação para o fortalecimento do seu negócio ao longo dos últimos anos, a CBV hoje seria uma potência financeira e mercadológica.

Investir na marca, na relação com patrocinadores, na aproximação com torcedores e em uma efetiva diversificação de suas fontes de receita, teria transformado o vôlei no Brasil. A concentração dos ganhos em poucas fontes de renda é o grande limitador do desenvolvimento de qualquer negócio.

As ações de marketing e comunicação fortalecem uma marca geram um retorno efetivo para a entidade e seus parceiros. Que a crise atual sirva de marco zero para uma nova dimensão do esporte no Brasil. Com muito mais receitas e por consequência muito mais ganhos, esportivos e de marketing.