RADAR / LANCE!
04/10/2017
14:49
Rio de Janeiro (RJ)

A busca por uma vaga no Mundial-2018 pode ganhar contornos ainda mais dramáticos para a Argentina. Ocupando a quinta colocação das Eliminatórias, a seleção albiceleste corre o risco de chegar à última rodada com sua classificação nas mãos do... Brasil.

Caso não faça sua parte diante do Peru, a Argentina precisará torcer para que o Chile seja derrotado. Seja pelo Equador, nesta quinta-feira ou, em último caso, na rodada final, por um Brasil que já assegurou sua vaga na Copa. A "torcida" por resultados não é algo inédito entre brasileiros e argentinos, e já rendeu boas doses de polêmica.

Medindo forças no Grupo B para obter a vaga da final da Copa do Mundo de 1978, tanto Brasil quanto Argentina chegaram à rodada final com três pontos. Em Mendoza, a Seleção Brasileira que tinha nomes como Zico, Roberto Dinamite, Dirceu e Leão duelava com a forte Polônia.

Coube a Nelinho abrir o placar para o Brasil, em uma cobrança de falta precisa. Porém, ainda no primeiro tempo, Lato (algoz em 1974) igualou o marcador.

Na volta do intervalo, a partida seguiu equilibrada. Mas, aos 12, veio o segundo gol brasileiro: Jorge Mendonça carimbou a trave e, no rebote, Roberto Dinamite estufou a rede. Animados, os brasileiros seguiram em cima, e garantiram o terceiro gol. Em lance incrível, após a bola bater na trave por três vezes, Dinamite completou e decretou o 3 a 1.

Terminando o Grupo B com cinco gols de saldo, restava à Seleção Brasileira torcer para que a Argentina não obtivesse uma vitória com um placar dilatado sobre o já eliminado Peru. Entretanto, o panorama foi completamente diferente em Rosário.

Ainda no primeiro tempo, os argentinos abriram vantagem com gols de Kempes e Tarantini. A porteira se abriu de vez na etapa final: em quatro minutos, Kempes e Luque marcaram outros dois. Houseman e Luque decretaram o 6 a 0 para a Argentina.

A Argentina se classificava à final, com oito gols de saldo (três a mais que o Brasil), e mais tarde daria a volta olímpica com uma vitória sobre a Holanda por 3 a 1.

Décadas depois, as suspeitas a rondar o Mundial de 1978. "Armação" para os argentinos ganharem a Copa e fortalecerem a ditadura que assolava o país, a acusação de um suposto "corpo mole" dos peruanos (inclusive o de Quiroga, goleiro argentino de nascimento e naturalizado peruano) e até de uma "venda do jogo".

Nada provado. Restou à Seleção Brasileira se despedir com a vitória por 2 a 1 sobre a Itália na decisão do terceiro lugar e terminar a competição de forma invicta (com três vitórias e três empates). E nas palavras do técnico Cláudio Coutinho, ficou o conformismo: "Nós somos os campeões morais desta Copa".