Enrico Bruno
13/08/2016
01:00
Belo Horizonte (MG)

Foi no sufoco, na raça e nos pênaltis, mas não teve "Mineirazo" desta vez. A Seleção Brasileira feminina bateu a Austrália por 7 a 6 nas penalidades e está classificada para as semifinais dos Jogos Olímpicos. E com um roteiro incrível, que teve Marta, a maior jogador da equipe, perto de se tornar vilã de uma eliminação precoce. Graças à goleira Bárbara, que pegou dois pênaltis, o enredo tomou outro rumo. 

O jogo marcou o retorno da Seleção Brasileira ao estádio de Belo Horizonte pouco mais de dois anos depois do fatídico 7 a 1, na Copa do Mundo masculina. Além disso, o adversário era também o algoz de 2015, ocasião em que eliminaram as atletas de Vadão no Mundial. Para garantir a vitória, não faltou torcida. As meninas do Brasil contaram com um Mineirão totalmente lotado que incentivou, gritou, aplaudiu, cantou o hino, vaiou e até xingou a árbitra.

Dentro de campo, as jogadoras demoraram a se encontrar e não viveram suas melhores noites. Pouco inspiradas, abusaram dos erros de finalizações e deram ares muito dramáticos ao jogo, mas que terminou com a vitória suada no final do jogo.

Austrália fez jogo duro e começou melhor

Ao contrário dos primeiros jogos, as meninas não começaram o jogo com o futebol envolvente da primeira fase. Dispersa em alguns momentos, a equipe não conseguia imprimir velocidade e nem marcar com eficiência, muito por causa também da boa postura adversária. O primeiro grande susto saiu aos 15 minutos, na tentativa de cruzamento de Catley que foi em direção ao gol e por pouco não encobriu a goleira Barbara. A resposta brasileira saiu no lance seguinte, com o chute fora da área de Debinha, espalmado por Williams.

Com muitas dificuldades para sair jogando, o Brasil ainda bateu cabeça e quase sofreu com o chute cruzado de Simon (aquela mesma que foi algoz no Mundial de 2015). A melhora de produção só aconteceu depois de meia hora. Porém, além de esbarrar na boa marcação australiana, o time brasileiro não contou com tanta qualidade no setor ofensivo, carente de mais inspiração de Marta, Bia e Andressa. Antes do intervalo, Debinha ainda teve outra chance de ouro, mas jogou por cima sua finalização e manteve a justiça no primeiro tempo com a igualdade no marcador.

Brasil x Australia (Foto:AFP)
Marta perdeu a sua cobrança  (Foto:AFP)

Brasil melhora, goleira faz milagre e jogo vai para a prorrogação

A intensidade que faltava chegou no segundo tempo. No ataque, o coletivo funcionou melhor, com toques de bola mais eficientes e variações das jogadas. A zagueira Kennedy chegou a tirar um gol de Bia dentro da pequena área. Debinha e Andressa ainda tiveram outras ótimas chances para marcar, mas a pontaria descalibrada. Nos 20 minutos finais, o cenário foi de intensa pressão brasileira, incluindo um milagre da goleira Williams. Mas isso não significou novos sustos para a torcida. O sistema defensivo do Brasil seguiu displicente e sofreu com os contra-ataques. Em um deles, Logarzo chutou de fora e carimbou o travessão de Bárbara. No último minuto, um novo ataque brasileiro quase fez o Mineirão explodir de alegria, mas o corte providencial dentro da pequena área (quase gerando um gol contra) levou a partida para a prorrogação.

Nova pressão não dá certo e jogo vai para os pênaltis


Cansadas, as brasileiras tentaram de todas as formas fazer o gol que dariam a classificação. Nos dois tempos da prorrogação não faltou pressão. Cobranças de falta, jogadas aéreas e chutes em longa distância. Nada que tirasse o desfecho nos pênaltis do caminho brasileiro.

Marta desperdiça cobrança, mas Bárbara coloca o Brasil na semi


Depois de um jogo inteiro de imensa emoção, não faltou drama na hora de cobrar os pênaltis. Andressa Alves, Andressinha, Bia e Rafaelle marcaram para o Brasil. Knight, Laura Alleway, Van Egmond e Polkinghorne fizeram para a Austrália. Na quinta cobrança, Marta desperdiçou e tudo parecia perdido. Foi então que a goleira Bárbara pegou o chute de Katrina Gorry. Nas alternadas, Debinha, Mônica e Tamires converteram. Michelle Heyman e Logarzo também. Chegou a vez de Alanna Kennedy, a zagueira que evitou dois ótimos lances.  Bárbara cresceu de novo debaixo das traves e garantiu a vitória por 7 a 6 nos pênaltis e Brasil nas semifinais. Muito choro, alegria e correria para todos os lados. Agora, a Seleção encara a Suécia, rival que goleou por 5 a 1 na primeira fase, na próxima terça-feira, às 13h, no Maracanã. Mas não custa lembrar que as suecas eliminaram as favoritas americanas, também nos pênaltis, Promessa de jogão. 

BRASIL 0 (7) x 0 (6) AUSTRÁLIA
Data/Hora: 12/08/2016, às 22h
Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Árbitra: Carol Anne Chenard (CAN)
GOLS: -
DISPUTA POR PÊNALTIS:
Para o Brasil marcaram Andressa Alves, Andressinha, Bia, Rafaelle, Debinha, Mônica e Tamires.
Para a Austrália marcaram: Knight, Laura Alleway, Van Egmond, Polkinghorne, Michelle Heyman e Logarzo
Erraram:  Katrina Gorry e Alanna Kennedy (AUS); Marta (BRA)
Cartões amarelos: Tamires, Marta e Andressa Alves (BRA); Laura Alleway, Foord e Alanna Kennedy (AUS)
Cartão vermelho: - 
Público: 52.660 presentes

BRASIL: Bárbara; Fabiana (Poliana - 15'2ºT), Mônica, Rafaelle e Tamires; Formiga, Thaisa (Andressinha - 14'2ºT pro.), Marta e Andressa Alves; Debinha e Beatriz. Técnico: Vadão.

AUSTRÁLIA: Lydia Williams; Laura Alleway, Stephanie Catley (Chloe Logarzo - 19'1ºT), Alanna Kennedy; Gorry, Elise Knight, Van Egmond e Samantha Kerr (Larissa Crummer - 14'1ºT pro.); Simon (Michelle Heyman - 14'2ºT), Foord e Lisa de Vanna (Polkinghorne - 29'2ºT). Técnico: Alen Stajcic.