Oussama Mellouli vem ao Brasil após 'ouro polêmico' em Londres
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Oussama Mellouli pode se gabar de ter obtido um feito inédito na história olímpica. Único homem com medalhas de ouro tanto nas piscinas quanto em águas abertas, contudo, ele não está imune a críticas. Nem mesmo em seu próprio país. Prestes a vir ao Rio de Janeiro, onde disputará neste domingo o Rei do Mar, Mellouli contou ao L! como, de forma inesperada, se tornou "vilão" na Tunísia.
O imbróglio que o envolveu teve início justamente quando ele se consagrou. Em Londres, Mellouli venceu a maratona aquática de 10km e amealhou a sua segunda medalha de ouro em Olimpíadas – venceu também os 1.500m em Pequim-2008. Porém, um gesto durante a prova desagradou alguns tunisianos, predominantemente islâmicos.
A Olimpíada foi disputada durante o Ramadã – período respeitado pelos muçulmanos, no qual permanecem em jejum do nascer ao pôr-do-sol. Como é o padrão em uma prova de longa duração, Mellouli optou por hidratar-se, ingerindo um suco. A atitude foi vista como um desrepeito à época sagrada, e nem mesmo a medalha de ouro remediou a situação.
– Foi uma situação que me surpreendeu, no começo, quando soube da repercussão. Mas quando voltei para casa, fui recebido de coração aberto por muitas pessoas e percebi que era uma reação de pessoas que não fazem ideia do quão dura e o quanto exige completar uma prova de 10km – disse Mellouli, de 28 anos.
A despeito de crer que tenha sido uma reação minoritária, Mellouli confessa que temeu pela segurança de sua família. O nadador recebeu apoio das autoridades tunisianas, a fim de minimizar quaisquer manifestações de repúdio ao seu gesto.
Se a religião lhe causou problemas, a revolução política na Tunísia deu força a Mellouli na caminhada olímpica. O país africano foi um dos primeiros a deflagrar a chamada Primavera Árabe, na qual chefes de estado de longa data foram destituínos. A revolta, que derrubou o então presidente Zine El Abidine Ben Ali, funcionou como um propulsor para Mellouli na caminhada para o seu segundo título em Olimpíadas.
– Minha medalha em Londres foi o meu momento de maior orgulho, porque foi um presente para a liberdade da Tunísia e dos atletas tunisianos. Sinceramente, palavras não podem descrever o quanto a conquista foi especial para mim.
Revolucionário também é Mellouli, que iniciou a sua trajetória em grandes torneios em águas abertas só nesta temporada. Mas, com alguns meses de dedicação, ele já garantiu o ouro em Londres e também o orgulho tunisiano.
Bate-Bola com Oussama Mellouli, em entrevista exclusiva ao LANCE!, por e-mail
Em algum instante, a instabilidade política na Tunísia prejudicou a sua preparação para Londres?
De forma alguma. Fico extramemente orgulhoso da nossa revolução e do sacrifício feito pelos meus conterrâneos em prol da democracia. Abrimos um precedente histórico e inspiramos milhões de pessoas e países da região.
As críticas recebidas na Tunísia o fizeram pensar em deixar o país em algum momento?
Nunca passou pela minha cabeça sair da Tunísia. Apesar de que, para ser sincero, fiquei assustado por mim e pela minha família com o que ocorreu.
Você começou a competir há pouco tempo em águas abertas e já foi campeão olímpico. Você crê que ainda esteja distante da sua melhor forma neste tipo de prova?
Sou uma espécie de calouro em águas abertas, mas gosto muito da prova. É uma sensação completamente distinta daquela que há na piscina. Fico muito orgulhoso de ser o primeiro campeão olímpico nas duas modalidades e estou em busca de mais conquistas.
Mas você pensa em deixar as competições na piscina e se dedicar somente às águas abertas?
Natação ainda será o meu foco principal. Eu precisarei encontrar maneiras para conciliar as duas coisas e encontrar um jeito de me manter pronto para os desafios.
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