Argentina começou a ganhar a semifinal da Inglaterra ainda no hino
Equipe de Lionel Messi demonstra gana de vencer desde antes de a bola rolar

ATLANTA, GA (EUA) - Havia muita expectativa para a semifinal entre Inglaterra e Argentina nesta Copa do Mundo por tudo o que o jogo envolvia. As Malvinas (ou Falklands), o gol de mão de Maradona... Mas, na véspera do jogo desta quarta-feira (15), o técnico Lionel Scaloni tinha sido direto: "É um jogo de futebol". E os argentinos entenderam isso melhor do que os ingleses.
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Antes da partida, pelos corredores, bares e escadas do moderno e aconchegante Mercedes Benz Stadium, ingleses e argentinos conviveram harmoniosamente bem. Mais animados, os torcedores da Argentina cantavam a plenos pulmões, em cânticos que iam ecoando entre eles e se espalhavam por todos os andares; já os da Inglaterra eram mais contidos, e cantavam apenas em pequenos grupos, em geral em torno de algum bar com torneiras de cerveja.
A harmonia, porém, deixou de existir no momento mais solene de um jogo de Copa do Mundo: a execução dos hinos nacionais. Bastou o locutor do estádio anunciar o da Inglaterra para que a torcida argentina começasse a cantar músicas que embalam a seleção, num volume muito maior e que simplesmente abafou o "God Save The King" inglês.
A resposta dos ingleses veio no momento do hino argentino, com uma grande vaia.
Enquanto isso, o telão 360 graus do estádio focavam nos jogadores cantando os hinos de seus países. Os da Inglaterra com semblante solene e compenetrado; os da Argentina, com cara de poucos amigos e de quem está se dirigindo a uma batalha.
E quando a bola rolou, ficou claro que seria uma batalha.
Futebol, teve pouco no primeiro tempo. Dibu Martínez e Pickford praticamente assistiram de suas metas os jogadores de linha se engalfinhando e disputando a Trionda Final como se fosse um pedaço de carne em meio a lobos famintos.
Inglaterra e Argentina voltaram mais dispostas a jogar futebol no segundo tempo, e em dez minutos a organização e a paciência superaram a raça e a pressa. Tagliafico errou a rebatida, Rogers cruzou e Gordon apareceu por trás de Molina no segundo pau para desviar para a rede.
Posicionada bem atrás daquele gol, a torcida inglesa fez a festa como podia, com direito a copo de cerveja voando para a linha de fundo.

Àquela altura, a Inglaterra estava mais perto do que nunca de voltar a uma final de Copa do Mundo após 60 anos. Mas aí Thomas Tuchel decidiu que era hora de mandar sua tropa recuar. E fez isso diante de um time que, desde a execução do hino, demonstrava que estava muito mais preparado para uma batalha.
E não se recua tão cedo contra um time que tem Lionel Messi.
A Argentina, que não vinha fazendo nada de interessante a não ser brigar pela bola, começou a pressionar. E a torcida, que parecia amuada, se inflamou. Não havia vivalma no belíssimo Mercedes Benz Stadium que não soubesse que era questão de tempo para a Argentina empatar, assim como não havia ninguém que não tivesse certeza que o time de Messi iria virar depois que Enzo Fernández empatou.
Porque, desde a execução do hino, somente uma das seleções parecia disposta a fazer de tudo para vencer.
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