La Bombonera - Boca Juniors

O caldeirão do Boca Juniors costuma ferver na Libertadores (AFP)

LANCE!
15/09/2018
10:16
São Paulo

O Cruzeiro enfrentará o Boca Juniors, na próxima quarta-feira, às 21h45, na Argentina, pelo jogo de ida das quartas de final da Libertadores, para tentar encaminhar a classificação, mas também para bater outro adversário: o mítico estádio Alberto Jacinto Armando, também conhecido como La Bombonera, verdadeiro abatedouro de times brasileiros, seja em jogos oficiais ou amistosos.

Brasileiros e argentinos se enfrentaram no lendário caldeirão 56 vezes na história. Os anfitriões venceram 29 partidas, empataram 15 e perderam apenas 12, sendo que, desse total, somente sete foram jogos oficiais.

A última derrota dos Xeneizes - como também são conhecidos - para um time brasileiro foi para o Palmeiras, em 25 de abril desse ano, pela fase de grupos da Libertadores. A equipe hoje comandada pelo técnico Luiz Felipe Scolari venceu na Bombonera por 2 a 0, pelo Grupo 8.

Uma dessas 12 vitórias heroicas protagonizadas por brasileiros na fortaleza argentina foi do Cruzeiro, pela Libertadores de 1994, por 2 a 1, em jogo válido pela fase de grupos. Já os outros encontros com o Boca Juniors pelo torneio sul-americano foram na fase de mata-mata e não trazem boas lembranças para a Raposa.

A última vez que o Cruzeiro enfrentou o rival foi há mais de 10 anos, nas oitavas de final da edição de 2008, quando os argentinos venceram as duas partidas por 2 a 1 - a primeira na Bombonera e a segunda no Mineirão - e avançaram às quartas.

O primeiro encontro entre a equipe celeste e os hermanos na história da Libertadores foi certamente o mais doloroso. Campeão da competição em 1976, o time mineiro chegou novamente à final no ano seguinte, mas acabou ficando com o vice. O Boca venceu o confronto de ida por 1 a 0, na Bombonera, o Cruzeiro devolveu o placar na partida de volta, no Mineirão, e houve um terceiro jogo, em palco neutro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. Após um empate sem gols no tempo normal, os argentinos ficaram com o título com uma dramática vitória por 5 a 4, nos pênaltis.

Apenas dois clubes brasileiros conseguiram a façanha de bater o Boca em finais de Libertadores mas, ainda assim, somente um ganhou na panela de pressão da Bombonera na decisão: o Santos, de Pelé e Coutinho, que levantou o troféu com duas vitórias no mata-mata - 3 a 2, no Maracanã, e 2 a 1, na Argentina. Em 2012, o Corinthians também foi campeão em cima dos portenhos: arrancou um empate em 1 a 1 na casa do rival e garantiu a festa com a vitória por 2 a 0, no Pacaembu.

A saga dos clubes brasileiros na Bombonera começou em 1956, com a goleada sofrida pelo Juventus-SP por 4 a 1, em um amistoso. O primeiro triunfo verde-amarelo aconteceu dois anos depois, com a vitória do Flamengo por 4 a 2, também em partida amistosa. Moacyr (2), Zagallo e Dida marcaram os gols rubro-negros.

O Brasil goleou os rivais argentinos em seu estádio em outros dois amistosos: Em 1959, o Grêmio fez 4 a 1 e, em 1961, o São Paulo aplicou a maior diferença no placar de um time brasileiro na fortaleza argentina até agora: 5 a 1.

O primeiro triunfo verde-amarelo em jogos oficiais na Bombonera foi do Santos, na decisão da Libertadores de 1963: 2 a 1, com gols de Coutinho e Pelé. No ano seguinte, os brasileiros voltaram ao estádio e venceram novamente, dessa vez em um amistoso, por 4 a 3.

O Botafogo-SP foi o autor da façanha da sexta vitória brasileira no caldeirão, por 5 a 3, em amistoso disputado em 1971. Depois de um jejum de 23 anos, um time brasileiro voltou a bater os hermanos, com o Cruzeiro, pela fase de grupos da Libertadores de 1994. No ano seguinte, pela Supercopa, o São Paulo derrotou os donos da casa por 3 a 2. São Paulo e Santos são os únicos brasileiros que conseguiram superar os arquirrivais em seus domínios duas vezes.

O nono triunfo brasileiro na Bombonera foi do surpreendente Paysandu, pela Libertadores de 2003, com gol de Iarley. A proeza foi tamanha que, pouco depois, o jogador foi contratado pelo Boca Juniors.

Em 2008, o Internacional conquistou a décima vitória brasileira na Bomboneira, pela Copa Sul-Americana, com gols de Alex e Magrão. Riquelme descontou para os anfitriões.

Em 2012, Fred e Deco deram a vitória do Fluminense por 2 a 1, pela fase de grupos da Libertadores e, seis anos depois, em abril desse ano, o Palmeiras venceu os rivais também pela fase de grupos da competição continental, por 2 a 0.