Desgaste político está no centro da crise do Furacão

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Se dentro de campo o Atlético-PR deixa a desejar, sobretudo após a eliminação nas quartas da Copa do Brasil, as más atuações e trocas de comando são mero reflexo da instabilidade política vivida pelo clube.
A poucas horas da decisão diante do Vasco, o presidente Marcos Malucelli – cujo mandato se encerra em dezembro – esclareceu, em entrevista exclusiva ao LANCENET! num hotel da zona sul do Rio de Janeiro, a crise política do clube, que vê crescer o movimento pela volta do ex-presidente Mário Celso Petraglia ao poder.
Malucelli afirmou que, desde o dia em que assumiu o cargo, garantiu que não seria candidato à reeleição. Confirmando que cumprirá com sua palavra, ele aproveita para alfinetar o opositor, mostrando-se contrário à perpetuação de um grupo político no comando de um clube:
– Sou contra o continuísmo, como houve há anos no clube. Acaba-se criando uma identificação do público com o privado, o dirigente pensa ser dono do clube e isso é algo com que não concordo – disse, referindo-se a Petraglia.
Ele se mostra cansado com o desgaste político em seu mandato e ressalta que o mandato de presidente do Furacão - de três anos, maior que o de muitos clubes do país - é o suficiente para uma gestão:
– O desgaste existe e cansa. Três anos são o suficiente para se doar ao clube, a maioria dos clubes tem mandato de duas temporadas. Mas esse mandatário parece abalado por ter deixado o poder, faz de tudo para voltar.
Malucelli faz um alerta para o caso de Petraglia voltar ao poder, afirmando que os questionamentos que mexiam com a antiga gestão deverão retornar ao cenário rubro-negro:
– As questões que suscitaram as críticas à gestão anterior – relacionamento com a imprensa, questiona-mentos sobre parcerias do Atlético com outros clubes e a forma ditatorial de comando – voltarão à tona se ele retornar à presidência.
O indicado da situação deverá ser o atual vice, Enio Fornea Junior. Basta ele aceitar a indicação.
Petraglia rebate as acusações
O ex-presidente Mário Celso Petraglia – que diz não querer voltar a comandar o Atlético-PR – afirma não ver seu grupo como oposição e fala em traição por parte de Malucelli.
– Ele passou oito anos na nossa gestão, pediu nosso apoio e nos traiu, desestruturando todo um projeto de crescimento do clube – disse ao LNET!.
O projeto a que Petraglia se refere vinha desde 1997, quando a atual Arena da Baixada foi construída.
Ele diz ainda que a questão política em nada influencia o mau desempenho do Furacão dentro de campo:
– Eles contrataram, em dois anos e meio, 65 jogadores. Daí, se conclui que em nada interfere a questão política.
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Confira um Bate-Bola exclusivo com Marcos Malucelli, presidente do Atlético-PR:
LANCENET!: Qual o motivo de o time ainda não ter engrenado em 2011?
Marcos Malucelli: Não é que não engrenou. Acontece que a campanha do Coritiba foi tão extraordinária que, por mais que nos destacássemos, não conseguiríamos acompanhar. Isso ofusca o trabalho do Atlético-PR e dá a sensação de que o nosso primeiro semestre foi horrível, o que não é verdade. Nosso aproveitamento esse ano foi até superior a 2009, quando fomos campeões do Estadual pela última vez. Faltou ganharmos os clássicos contra o Coritiba para que a opinião sobre o grupo fosse melhor. O título era fundamental para que essa equipe fosse mais prestigiada.
LANCENET!: As baixas no departamento de futebol partiram de decisões tomadas com antecedência?
Marcos Malucelli: Sobre o Valmor (Zimermann, ex-diretor), ele me pedira para deixar o cargo após o Brasileirão, mas atendeu um pedido meu e ficou até o fim do Estadual. Já o Ocimar (ex-gerente) estava cansado e insatisfeito com as críticas e pediu para deixar o cargo.
LANCENET!: Que importância tem o retorno de Kleberson, Lucas e do técnico Geninho, profissionais identificados com o Atlético-PR?
Marcos Malucelli: O Atlético busca sempre o retorno de profissionais que tenham uma história no clube, uma identificação. O Lucas, diga-se de passagem, nos surpreendeu com a aposentadoria. Temos em mente um jogo de despedida para ele, que será na Arena da Baixada.
LANCENET!: Foi veiculado na imprensa paranaense que o clube conta com 11 jogadores emprestados sem passe fixado. Procede a informação? Se sim, que objetivo tem essa política?
Marcos Malucelli: Tivemos uma reunião de diretoria e alguns conselheiros falaram que tínhamos 11 atletas no grupo emprestados por outros clubes sem fixação de passe, mas eu até relacionei jogador por jogador e concluímos que temos, na verdade, apenas quatro. Do time teoricamente titular, apenas Rômulo e Robston não têm o passe fixado. Paulo Roberto é emprestado mas tem o valor definido. Não sei de onde tiraram isso. E chegará o Cleber Santana, também emprestado, então não chega a esse número elevado que se comentou.
LANCENET!: Como é trabalhada a questão da integração dos atletas da base à equipe profissional?
Marcos Malucelli: Temos hoje no elenco, em torno de dez, 12 jogadores formados nas categorias de base do Atlético. Alguns deles são titulares hoje, como Renan Rocha, Manoel e Deivid. Não tenha a menor dúvida de que essa inclusão de garotos da base no time principal poderá render frutos já nesse Brasileirão.
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Detalhes da crise no Atlético-PR
Más atuações no Estadual - Encerrada a participação do Atlético-PR no Estadual e na Copa do Brasil, o time ainda não encontrou um padrão de jogo. Apesar do vice-campeonato no Paranaense e da eliminação nas quartas da Copa do Brasil, o time ainda não engrenou em 2011.
Trocas de comando - Quatro técnicos estiveram à frente do Furacão em apenas cinco meses, quase um por mês. Foram eles: Sérgio Soares, Leandro Niehues, Geninho e Adilson Batista.
Mudanças na diretoria - Ao fim do Estadual, Ocimar Bolicenho (gerente de futebol), Valmor Zimermann (diretor) e Ademir Adur (empresário
ligado ao clube) deixaram o Atlético. Segundo Malucelli, as baixas já eram planejadas.
Instabilidade política - O panorama no Furacão tem levado a um crescimento dos movimentos para a volta da oposição, liderada pelo ex-presidente Mário Celso Petraglia, ao poder no clube.
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