Mirelle Moschella/Pôquer

Em seu segundo artigo para o canal de pôquer do LANCE!, Mi Moschella fala sobre a paixão pelo jogo  (Divulgação)

Mirelle Moschella
01/11/2019
18:35
Especial para o LANCE!

Primeiro de tudo, se você desconfia deste título, respire fundo, abra a sua mente, deixe de lado preconceitos e crenças limitantes.
Essa foi uma boa dica quando eu comecei a falar sobre o pôquer. Às vezes escutava as pessoas sendo preconceituosas, achando que os jogos são realizados em salas escuras, com pouca gente,  charutos nas bocas e tudo mais. Bem diferente da realidade.

Há seis anos entrei para esse incrível mundo, no qual você chega no salão de pôquer e se depara com sons inevitáveis: jogadores mexendo nas fichas, gritos de emoção no “All In e Call”, diretores de torneio falando nas caixas de som, transmissão ao vivo do evento pelo SuperPoker e a torcida vibrando.

Me perguntei: qual a razão para esse jogo ser tão apaixonante? Como o pôquer pode ser um esporte da mente?

Por isso fui atrás de respostas, de profissionais que vivem de pôquer hoje no Brasil, pessoas que decidiram seguir um caminho que não é fácil, cheio de estudos e descobertas.

Vamos falar de um esporte da mente que você conhece: o xadrez!
Ele exercita o cérebro e, não à toa, é considerado por especialistas um dos jogos mais estratégicos e com inúmeras possibilidades de jogadas.

- Só quem nunca competiu nesses dois esportes (xadrez e pôquer) é que não acreditaria que são esportes da mente. São dois esportes que exigem muito treino, concentração, atenção, memória, criatividade, raciocínio. Além disso, em várias competições você vai sair dela cansado como se corresse uma maratona. Já tive partidas de xadrez que duraram seis horas, uma única partida. E no pôquer ao vivo o mesmo torneio pode durar dias - afirma Lauriê Tournier, uma apaixonada por xadrez e jogadora profissional de pôquer.

Lauriê, jogadora de xadrez e pôquer
Lauriê Tournier: estudiosa de xadrez e profissional de pôquer

Aí você pensa:  'Poxa, são muitas horas de jogo, realmente o jogador (a) precisa estar muito bem preparado fisicamente e mentalmente pra enfrentar esta maratona'. BINGO!!!

O marido da Lauriê, Rafael Moraes, tem uma história de se respeitar dentro do pôquer. Ele coleciona inúmeros títulos e boas premiações em dinheiro nos torneios online e live (ao vivo). Virou referência no segmento. Talvez o que muitos não saibam é que o Rafa começou a jogar xadrez aos 13 anos de idade.

- O xadrez é um jogo muito analítico e que demanda esforço para melhorar como jogador. Isso fez com que eu me tornasse mais disciplinado e estudioso. O xadrez e o pôquer são, sem sombra de dúvidas, esportes da mente. Eles não exigem tanto do lado físico como os esportes mais conhecidos no Brasil, porém a atividade cerebral, quando estamos jogando pôquer e xadrez, chegam a níveis estratosféricos - comenta ele, um dos melhores jogadores brasileiros.

O poder da mente é inesgotável, infinito! Neste caso, desde crianças, a Lauriê e o Rafa colocaram os seus respectivos dons e talentos praticando os jogos da mente, trabalhando o raciocínio rápido, as probabilidades matemáticas, paciência e concentração.

E depois de tudo isso, ainda me fiz uma última questão. Por que o pôquer é apaixonante?

- Justamente por ser um jogo mais de pessoas do que de cartas, é um jogo de habilidade a longo prazo, mas no curto prazo tudo pode acontecer.  Como se pessoas nos surpreendessem todos os dias, e no pôquer não poderia ser diferente. É a melhor representação da Teoria dos Jogos - comenta Vini Marques, Jogador Profissional e treinador no universo recreativo e corporativo.

Ufa, quantas descobertas hein?!
Ficou com vontade de jogar este esporte? Lá no site SuperPoker tem várias matérias interessantes pra você se enturmar neste assunto!

Aí, se você sair 'queimado' da mesa, por ter tomado aquela 'bad beat', é só passar um 'blefe' melhor na próxima vez. Opsss, não entendeu nada? No próximo post, te conto as gírias mais usadas nas mesas de pôquer no Brasil.

GL (expressão usada no pôquer, significa 'Good Luck' - Boa Sorte)

Mirelle Moschella é jornalista na Band e repórter no SuperPoker