Wilson Baldini Jr.
10/08/2016
06:10
São Paulo (SP) 

Impressiona a repercussão da medalha de ouro da judoca Rafaela Silva nas redes sociais. As pessoas falam da atleta como se a conhecessem desde a infância. Toda essa euforia vai durar até a próxima medalha no Brasil nos Jogos Olímpicos ou no máximo daqui a dois ou três meses. No fim do ano, durante as retrospectivas que serão feitas por todos os canais de TV vamos ouvir muito a pergunta: “Como é mesmo o nome dela? O que ela fez na Olimpíada?”

Tudo isso porque, apesar de tudo que se disse no período pré-olímpico, o Brasil continua sendo um país sem memória. O que dizer de Aída dos Santos, única mulher da delegação brasileira nos Jogos de Tóquio-1964 – humilde como Rafaela –, que obteve um honroso quarto lugar no salto em altura, com uma torção no pé, sem uniforme e técnico, e foi tratada no revezamento da tocha como uma pessoa qualquer pelo Comitê Olímpico Brasileiro?

Quem conhece Adhemar Ferreira da Silva, João do Pulo, Wlamir Marques e Amaury Pasos? Os heróis de nossas poucas conquistas somem. O ouro das medalhas viram pó com o passar do tempo.

O esporte no Brasil deveria ser uma matéria na escola. Como são matemática, história, física e ciências. Com direito a provas e livros. O professor deveria perguntar: “Qual atleta foi bicampeão olímpico do salto triplo?” ou “Em quais Jogos o basquete masculino subiu no pódio?

A educação física nas escolas não pode ter apenas duas aulas por semana de 50 minutos. Um período do dia precisa ser reservado para a prática esportiva. Do Ensino Fundamental ao Ensino Médio. As universidades também precisam dar maior atenção ao esporte. Sou da época em que a Mac-Med (competição entre os alunos da Faculdade de Medicina da USP e os da Escola de Engenharia Mackenzie) tinha espaço na televisão.

O Brasil só será um país decente quando tiver educação. E o esporte pode ser um grande aliado.