A função do quarto árbitro: quando ele surgiu e o que ele realmente faz além de mostrar a placa
O quarto árbitro surgiu na Inglaterra em 1966 e foi oficializado em 1991.

No imaginário de boa parte da torcida, o quarto árbitro é o "cara que mostra a placa" de substituições e de acréscimos. Mas, na prática, seu papel na partida é muito mais amplo e técnico. Criado com objetivo administrativo e operacional, esse profissional hoje ajuda a manter a ordem nas bancadas, o fluxo de substituições, a leitura precisa do tempo de jogo e até a segurança do próprio trio de arbitragem. O surgimento do quarto árbitro remete a um momento de profissionalização do futebol, quando a necessidade de mais apoio e de um substituto pronto se tornou evidente para organizar confrontos cada vez mais intensos. O Lance! explica a função do quarto árbitro.
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A figura do quarto árbitro teve sua origem em 1966, na Inglaterra, por iniciativa do ex-árbitro e instrutor Ken Aston. Naquela época, ele foi concebido como um apoio burocrático e administrativo: controlar listas de inscritos, verificar uniformes, dialogar com os bancos de reservas e servir como substituto imediato em caso de lesão de algum membro do trio de arbitragem. A função demorou para chegar formalmente às Regras do Jogo; só em 1991 a IFAB incluiu, em capítulo próprio, o "Quarto Árbitro e o Árbitro Assistente Reserva", definindo suas responsabilidades de forma oficial. Desde então, o quarto árbitro passou a fazer parte integrante da equipe de arbitragem em competições nacionais e internacionais.
Quando o quarto árbitro foi oficializado
A inclusão formal do quarto árbitro na estrutura oficial das regras, em 1991, respondeu à demanda de maior organização nas partidas. A partir de então, ele passou a ser considerado um membro legítimo da equipe de arbitragem, com atribuições claras como auxiliar do árbitro central, substituto de eventual atingido e responsável por tarefas que não exigiam sua presença constante dentro de campo. O surgimento dessa figura também acompanhou a crescente complexidade do jogo, com mais substituições, cartões e uso de tecnologias como o VAR, o que aumentou o número de demandas fora do campo de visão do árbitro central. Em campeonatos brasileiros, o uso do quarto árbitro se consolidou a partir da virada dos anos 1990, especialmente quando a CBF adotou o padrão internacional como referência.
A função do quarto árbitro
Gerenciar as substituições
Ele confere se o jogador que entra está corretamente inscrito na súmula, se o número e o uniforme batem, e se o atleta cumprirá a quantidade máxima de trocas permitida. Só depois disso o quarto árbitro autoriza o substituto a entrar no campo, sinalizando para o árbitro central que tudo está em ordem.
Monitorar área técnica e disciplina
A área técnica se tornou um dos pontos mais sensíveis de um jogo, e o quarto árbitro tem papel central para mantê-la sob controle. Ele observa o comportamento de treinadores, preparadores, dirigentes e jogadores substituídos, acompanhando provocações, invasões de campo, descumprimento de regras ou condutas antidesportivas. Quando percebe algo irregular, informa o árbitro principal, que decidirá se aplica advertência, expulsão ou outras medidas disciplinares. Além disso, o quarto árbitro contribui para a reposição de bolas de campo, assegurando que elas estejam sempre prontas no limite da linha lateral e que sejam de padrão adequado antes de entrarem em jogo.
Suporte técnico e substituição de emergência
O quarto árbitro atua como suporte técnico aos árbitros principais, podendo fornecer informações sobre lances fora do campo de visão do trio, como agressões em túnel, discussões de banco ou condutas suspeitas de substitutos. Ele não decide diretamente esses lances, mas relata o ocorrido ao árbitro central, que tem a palavra final. Em caso de lesão ou impedimento de algum membro da equipe de arbitragem, o quarto árbitro pode assumir a função de substituto, entrando na linha de jogo como árbitro assistente ou até como árbitro principal, dependendo da estrutura da equipe. Esse detalhe é especialmente importante em partidas longas, de clima extremo ou em competições de alta intensidade, onde a rotatividade de árbitros é essencial para a continuidade do jogo.
Em resumo, o quarto árbitro é hoje peça fundamental da engrenagem arbitral, garantindo organização, disciplina e segurança em um esporte cada vez mais complexo. Do dia em que Ken Aston o concebeu como apoio burocrático, ele se transformou em um dos pilares da moderna arbitragem de futebol.
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