Bruno Cassucci
20/08/2016
20:20
Rio de Janeiro (RJ)

O Maracanã avisou que a hora chegaria, e ela veio. Não a da Alemanha, mas do próprio Brasil. A alegria é a melhor vingança. Dois anos depois de seu maior vexame, a Seleção conquistou o título que lhe faltava diante do algoz da Copa do Mundo de 2014. A Olimpíada é nossa, a medalha de ouro, também. Depois de empate em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, Weverton foi heroico nos pênaltis (5 a 4) e garantiu a vitória que não representa uma revanche, mas uma conquista histórica e o fim de uma espera de décadas. Veja a repercussão da festa brasileira após a conquista.

A hora chegou também para Neymar. Depois da prata em Londres-2012 e da lesão que o tirou da semifinal do Mundial contra a Alemanha, o craque brilhou... como um raio. Com o ídolo e fã dele Usain Bolt na platéia, o camisa 10 da Seleção fez dele o que se espera: tudo! Armou, driblou, deu carrinho, cobrou companheiros, jogou com dores... E honrou o número 10 que usava às costas com um golaço de falta e fechou a conta nos pênaltis. Aqui não cabe descrever ambos os lances. Você os assistirá incontáveis vezes até o fim da vida.

Já para Weverton, a hora chegou um pouco depois que para os demais, mas veio com uma recompensa que bem provavelmente nem ele esperasse. Convocado de última hora por conta da lesão de Fernando Prass, ele se tornou um dos heróis da sexta medalha olímpica do futebol masculino do Brasil, recordista em pódios.

É impossível contar a história desta decisão sem lembrar dos 7 a 1, mas daquela goleada não é possível comparar nem o sofrimento. Em 2014, o Mineirão e o país inteiro se chocaram e ficaram incrédulos tamanho vexame. Desta vez, não, o sentimento era de angústia. Até o gol alemão, porém, a sensação era outra. Embora o Brasil tivesse recuado e sofresse sustos, a partida ainda parecia sob controle. Depois de três bolas no travessão, a torcida cantou "o Maraca é nosso", acreditando que desta vez nada atrapalharia o enredo perfeito para a primeira medalha dourada.

Mas a defesa canarinho que era impecável até então na Rio-2016, sem ter sofrido um gol sequer, falhou. Marquinhos errou na saída de bola, Walace não acompanhou, e Meyer marcou em jogada tão temida pelo técnico Rogério Micale. A partir de então, o Maracanã receberia uma das maiores cargas de tensão da sua história.

Nos 62 minutos que se seguiram, Brasil e Alemanha fizeram um bom jogo, mas mal conseguiram chutar a gol. As bolas seriam finalizadas apenas da marca da cal...

Ginter, Renato Augusto, Gnabry, Marquinhos, Brandt, Rafinha e Sule marcaram. Petersen, não. Weverton fez linda defesa e deixou para Neymar a bola da glória... Do ouro! O Maraca explodiu, Neymar desabou no chão em lágrimas, assim como vários de seus companheiros. É ouro, o sexto conquistado pelo Brasil na Rio-2016. O primeiro na história do futebol! A hora chegou!

FICHA TÉCNICA
Brasil 1 (5) x (4) 1 Alemanha


Data e horário: 20/8, às 17h30
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Alireza Faghani (Irã)
Auxiliares: Reza Sokhandan e Mahammadreza Mansouri (ambos do Irã)
Cartões amarelos: Zeca e Gabriel (BRA); Selke, Prömel e Sven Bender (ALE)
Gols: Neymar, aos 26'/1ºT (1-0); Meyer, aos 13'/2ºT (1-1)

Decisão por pênaltis:
BRASIL - Fizeram: Renato Augusto, Marquinhos, Rafinha, Luan e Neymar
ALEMANHA - Fizeram: Ginter, Gnabry, Brandt e Süle; Errou: Petersen

Brasil: Weverton, Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos; Walace e Renato Augusto; Gabriel (Felipe Anderson, aos 25'/2ºT), Luan, Gabriel Jesus (Rafinha, aos 5'/1ºP) e Neymar. Técnico: Rogério Micale.

Alemanha: Horn, Toljan, Klostermann, Ginter e Süle; Sven Bender, Meyer, Lars Bender (Prömel, aos 22'/2ºT), Brandt e Gnabry; Selke (Petersen, aos 31'/2ºT). Técnico: Horst Hrubesch.