'Afeganistão no Fla': entenda a crise que o clube atravessa
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Mal 2012 começou, o Flamengo já vive um período de ebulição. A crise que derrubou Vanderlei Luxemburgo não se restringe ao campo. Enquanto partidários de Patricia Amorim dizem que a presidente faz uma gestão exemplar, parte da oposição quer sua saída. O LANCE!NET inicia hoje uma série para mostrar as causas da crise e como o Flamengo caminhará para as próximas eleições, quando Amorim tentará mais um triênio.
A crise tem um lado administrativo, causado pelo estilo de governo de Amorim, e outro político, em razão da estrutura de poder do clube e da relação - ruim - da presidente com os principais caciques.
- Isto aqui é um Afeganistão, cheio de tribos brigando - diz o diretor de relações externas, Walter Oaquim, referindo-se a um fato crucial: há 11 ex-presidentes vivos.
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Ao contrário da tradição de chegar ao poder por meio de articulações das "tribos", Amorim, como política profissional (é vereadora do Rio), foi atrás dos eleitores. Centrou-se nos frequentadores do clube e os atletas laureados (pelo estatuto, atletas que ganham certos títulos viram sócios). Ganhou por 90 votos, numa vitória ajudada pelo racha entre os cartolas tradicionais.
Por isso, ao administrar, Amorim abandonou a linha dos antecessores. Com Marcio Braga, a ideia era separar receitas e despesas em social, esportes olímpicos e futebol. Os dois primeiros definharam. A justificativa é o estado das finanças deixado por Edmundo dos Santos Silva.
- Quando assumi, em 2004, o Flamengo não tinha talão de cheque - diz Márcio Braga. - Reerguemos oclube e agora vão pôr tudo a perder.
Hoje, o futebol perdeu prestígio. Os comandantes do futebol, Marcos Braz, Zico e Luis Augusto Veloso, sucessivamente, nunca integraram o comando do clube, restrito à presidente, ao seu marido, Fernando Sihman, que, mesmo sem cargo, tem poder, sendo até chamado de "presidente", e ao vice de Finanças Michel Levy, que conheceu a presidente na campanha de 2009. Em dois anos, Levy acumulou cargos e poder - até foi à Rússia buscar Vagner Love.
O LANCE!NET tentou falar com Amorim e Sihman por dez dias, por meio da assessoria do clube, sem sucesso.Já Levy atendeu à reportagem.
- Dizem que o clube está em crise. mas que crise é essa que temos 25 meses de salários em dia? - retruca.
- O Conselho Fiscal tem 31 pedidos de informação não respondidos pela diretoria - afirma o ex-presidente Delair Dumbrosck.
Mas o que preocupa mesmo é o futebol. Em dois anos, houve três comandantes, cada qual com um perfil. A comissão técnica permanente, orgulho do clube, foi desmanchada. Agora virão Cascão Coutinho e Joel Santana. Mas qual será o projeto?
O discurso da situação é jogar a culpa na oposição, dizendo que perseguem Patricia por ser mulher e que inventam crises com mentiras. Qual é a realidade? A resposta depende de a quem é feita a pergunta.
QUEM É QUEM NA GÁVEA
Patrícia Amorim: Presidente. Governa com ajuda do marido e eminência parda, Fernando Sihman. Seu estilo é de negociar e observar para onde sopra o vento político.
Fernando Sihman: Ex-diretor de torcida no Fluminense, há dez anos participa da vida política do clube. Tem afinação total com a mulher.
Michel Levy: Neo aliado de Patrícia, é seu braço-direito. De estilo impetuoso, cria atritos dentro do clube, mas diz que é eficiente.
Hélio Ferraz: De estilo discreto e conciliador, transita nos dois grupos. Vice, se reconciliou com Patricia.
Márcio Braga: Mais famoso presidente do clube, tem tantos fãs como inimigos. Defende abertamente a saída de Patricia Amorim.
Leonardo Ribeiro: O passado de presidente da Torcida Jovem depõe contra ele. Defende a atual estrutura política. É uma estrela ascendente.
Kléber Leite: Foi o presidente que trouxe Romário. É visto como um homem de negócios, para o bem e para o mal.
Delair Dumbrosck: Governou dez meses no final da gestão de Márcio Braga. Possui aliados no Conselho Fiscal e de Administração. Sua estratégia é cobrar a diretoria e os Conselhos sem alarde e mostrar os furos da gestão.
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