Sem novos percalços, Aline Silva sonha em fazer história na luta olímpica
Após superar diversas dificuldades no ano passado fora das competições, lutadora tem apenas uma preocupação em 2016: obter uma medalha nos Jogos Olímpicos

Dificuldades não faltam na vida da maioria dos atletas brasileiros. Com Aline Silva, na luta olímpica, não é diferente. Mas após passar por alguns momentos conturbados no ano passado, a lutadora quer mesmo ter uma temporada mais tranquila em 2016. E talvez até com uma medalha nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
– Neste ano, a prioridade da minha vida é a Olimpíada. Tudo além disso vai ficar em segundo plano. Se for algo que não atrapalhe em minha dieta e preparação, faço... Estive muito disponível no ano passado. Agora, preciso treinar. O foco está na Olimpíada. Então, tudo o que atrapalhar vai ficar para depois – afirmou a brasileira ao site do LANCE!.
Em 2015, Aline teve duas grandes preocupações além dos treinamentos e das competições. Primeiro, foi conseguir levar seu marido e treinador, Flávio Ramos, para as atividades fora do país. Como luta na categoria até 75kg, a atleta tem dificuldade em encontrar outras competidoras de seu peso para treinar, algo compensado com as atividades com o esposo. Ela chegou a fazer uma vaquinha para bancar as viagens, até que a Confederação Brasileira de Wrestling passou dar um auxílio.
Em seguida, veio a indefinição sobre a classificação olímpica. Após garantir a vaga para o Brasil em sua categoria no Mundial em setembro do ano passado, a brasileira ficou sem a confirmação de que estaria garantida na Rio-2016 mesmo sem contar com adversárias em sua categoria no país. Chegou até a perder peso em cima da hora para participar da Copa Brasil, em dezembro. Mas não teve com quem lutar no torneio.
– É difícil, costumo dizer que não luto só no tapete. Não me preocupo somente com os treinos, preciso criar condições para conseguir fazer a diferença. Algo que conseguimos vencer no ano passado, e que eu espero que não tenha de superar nesse, é ter meu parceiro comigo. Ele é um companheiro profissional, e isso está gerando resultados. Sem ele, não consigo treinar, tive dificuldade nos Jogos Pan-Americanos – declarou Aline, bronze em Toronto (CAN).
Depois de tanto lutar fora das competições em 2015, o ano olímpico começou bem para a atleta, que ficou com a terceira colocação no evento-teste para a Rio-2016 no último fim de semana. Agora, a meta é repetir o pódio em agosto. E que as lutas fiquem mesmo em cima do tapete.
CONFIRA UM BATE-BOLA COM ALINE SILVA:
Ano passado, você faturou o bronze nos Jogos Pan-Americanos e obteve uma vaga para o Brasil na Rio-2016. Ao mesmo tempo, teve algumas dificuldades. Como analisa a temporada?
Aline Silva: Não foi excepcional, como 2014, que foi incrível. Mas foi de superação. Foi um ano bom, no qual consegui cumprir as minhas metas: medalhar nos Jogos Pan-Americanos, que era o primeiro objetivo, e conquistar a vaga olímpica, que era o segundo. Foi uma temporada proveitosa.
Esperava ter tantos problemas por conta de seu técnico e por causa da vaga olímpica?
AS: Depois de um ano brilhante em 2014, ter de batalhar tanto em 2015 foi uma surpresa. Para mim, já tinha provado tudo o que era necessário.
Como ficou solucionada a situação do seu técnico e marido?
AS: A confederação (CBW) está dando uma ajuda de custo até agosto. Depois, estudarão o caso. Vão levá-lo para competir comigo, mas não disseram em quantos torneios. Preciso que seja em todos. Podem levar em um ou dois, mas não é o suficiente. Então, ainda não sei como vai funcionar toda essa situação.
Já houve a definição sobre a vaga olímpica? Conversou com a confederação após a Copa Brasil?
AS: Acredito que agora a vaga é minha. Não me incomodava disputar a seletiva no meu país, já que conquistei esse posto para o Brasil. Mas se tivesse uma atleta tão boa lutando como eu, acharia justificável ter a seletiva. Tive de perder peso (para a Copa Brasil) e não teve ninguém para lutar. Foi mais uma surpresa. Espero que esteja resolvido, não vi nada publicado. Tive uma conversa depois com a confederação, ela é democrática e isso é importante ser dito. Mas nem sempre o que você fala é ouvido.
Qual sua expectativa para os Jogos Olímpicos, em agosto?
AS: Espero que seja uma realização de um sonho. É um sonho competir em casa, sempre sonhei com uma medalha, desde a época do judô (Aline Silva começou no esporte como judoca). Me espelho em medalhistas do país, em grandes heróis do judô. Poder disputar uma edição dos Jogos Olímpicos é o sonho de qualquer atleta olímpico.

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