Inauguração de centro paralímpico em São Paulo termina em saia justa entre autoridades
Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, deixa evento irritado com postura do governo de São Paulo a respeito da gestão de centro de treinamento

O que era para ter sido uma comemoração terminou em uma grande saia justa. Nesta segunda-feira, autoridades e atletas se reuniram em São Paulo para a cerimônia de início de atividades do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, um imenso complexo esportivo localizado às margens da Rodovia dos Imigrantes. Mas a festa ficou totalmente em segundo plano, após um desentendimento público entre o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e o governo estadual paulista.
Antes dos discursos protocolares das autoridades, entre eles Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, e Leonardo Picciani, novo ministro do Esporte, o presidente do CPB, Andrew Parsons, não escondia sua alegria em ver o centro de treinamento praticamente pronto. O complexo esportivo, considerado de primeiro mundo e tido como um dos grandes legados dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, abrigará 15 modalidades e seria administrado pelo comitê nos próximos 12 meses. O investimento do CPB para o período seria de R$ 30 milhões, para manutenção e equipamentos. No entanto, após a cerimônia, os sorrisos de Parsons deram lugar a uma cara fechada, de poucos amigos.
Parsons irritou-se a respeito de uma decisão tomada pelo governo de Geraldo Alckmin em relação à promessa de que o CPB assumiria a gestão do centro de treinamento até o próximo ano. O detalhe específico que causou a ira do dirigente não foi explicado pelo presidente do comitê. Até porque, ainda muito nervoso com a situação, o cartola não quis responder perguntas dos jornalistas. Parsons preferiu emitir apenas um comunicado, que durou 19 segundos.
- Viemos aqui para um momento de celebração e início de trabalho, e saímos daqui com muitas dúvidas sobre o nosso papel na gestão do centro de treinamento e nosso relacionamento com o governo do Estado de São Paulo - falou o presidente do CPB aos jornalistas.
Também causou estranheza entre os convidados o fato de Parsons não ter sido chamado para discursar na cerimônia, apesar dele estar no palco ao lado de Geraldo Alckmin, Leonardo Picciani (que falaram no microfone), entre outras autoridades. A "porta-voz" do esporte paralímpico acabou sendo Shirlene Coelho, competidora do atletismo.
Decreto deve ser publicado nesta terça-feira
A insatisfação de Andrew Parsons com toda a situação não foi velada. O dirigente fez questão de transparecer seu descontentamento com o governo estadual. Antes de sua curta declaração aos jornalistas, o presidente do CPB chamou para conversar Linamara Rizzo Battistella, secretária estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e uma das principais articuladoras para o nascimento do centro paralímpico. Ambos conversaram por aproximadamente 15 minutos às vistas de todos os presentes, e Parsons pediu esclarecimentos sobre o imbróglio envolvendo a gestão do espaço.
Minutos depois, Linamara falou com a imprensa por cerca de dez minutos. A secretária colocou ainda mais dúvidas na questão. Em um primeiro momento, ela deu a entender que o CPB apenas teria uma "permissão de uso" do centro de treinamento ao longo dos próximos 12 meses, sem exercer de fato a administração do local. Mas, logo depois, desmentiu a informação.
- O decreto diz que nos próximos 12 meses o CPB tem uma permissão de uso do centro. A linguagem oficial é diferente, não usa expressões como "gerir". Mas eles (CPB) estarão aqui dentro tomando conta das instalações - falou Linamara.
A secretária também explicou que, após os Jogos Paralímpicos Rio-2016, o governo estadual deverá realizar um chamamento público para atrair interessados em administrar o CT depois deste primeiro ano da suposta gestão do CPB. Linamara disse que conta com o comitê entre estes candidatos.
- O decreto será publicado para mostrar claramente o desejo do governo de ter o CPB como parceiro estratégico e que certamente não se encerra nesses 12 meses. Os empréstimos precisam ser pontuais, tem que ter data para começar e acabar, depois vamos fazer uma parceria com um outro formato, com outra dimensão legal que certamente vai privilegiar a presença do CPB aqui por muito mais tempo - falou Linamara.
Parte destas dúvidas deverão ser esclarecidas nesta terça-feira, com a publicação no Diário Oficial estadual do decreto assinado nesta segunda-feira, a respeito do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro. O documento deverá mostrar de fato quem ficará com a administração momentânea do CT.

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