Fora da Seleção, Zanon critica busca por resultados imediatos no basquete
Em entrevista ao LANCE! logo após o seu pedido de dispensa da equipe feminina, treinador disse que ficou inviável viabilizar projeto à longo prazo, alegando problemas de saúde

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O ciclo de Luiz Augusto Zanon à frente da Seleção feminina de basquete chegou ao fim. Após pouco menos de três anos, o comandante da equipe pediu seu desligamento à Confederação Brasileira (CBB) nesta sexta-feira, alegando problemas de saúde e a impossibilidade de viabilizar um projeto. Tudo isso, em meio a uma das maiores crises da história da modalidade.
À reportagem do LANCE!, Zanon, de 52 anos, afirmou que sofre com um problema de hérnia e, no momento, faz um tratamento especial. Ainda assim, deve passar por uma cirurgia para se recuperar totalmente. Além disso, o técnico criou um projeto de longo prazo na Seleção, e vem encontrando dificuldades para implementar essa filosofia.
- Essa foi a realidade. Acho que cansei um pouco na parte de saúde, não estou legal. E também nessa parte, a gente não consegue viabilizar certas coisas - disse o treinador, ao LANCE!.
O basquete brasileiro vive uma crise em ambos os naipes. No masculino, não passou pelo pré-Mundial, precisou receber um convite e, depois disso, não conseguiu quitar a dívida com a Federação Internacional (Fiba), necessitando de ajuda de seus patrocinadores para arcar com os quase R$ 2 milhões.
No feminino, os seis clubes que disputam a Liga Nacional entraram em atrito com a Confederação, pedindo o controle da Seleção. Além de cobrarem uma comissão técnica formada por eles, afirmam que não irão ceder jogadoras à equipe enquanto isso não acontecer.
Confira abaixo a entrevista completa com Luiz Augusto Zanon:
LANCE! - Você havia dito que tinha um problema de hérnia. Fará cirurgia?
Zanon - Não fiz a cirurgia ainda, estou tentando escapar. Mas estou fazendo tratamento, fazendo fisioterapia, massagem. Mas provavelmente vou ter que fazer uma cirurgia disso agora. Aí eu falei que ia cuidar de mim.
LANCE! - Quais coisas vocês não conseguiram viabilizar na Seleção?
Zanon - Eu iniciei um processo legal, querendo reformular, lançar novas jogadoras, atletas em potencial, porque detectamos que havia um problema muito grande voltando do Mundial. Não tínhamos jogadoras intermediárias, só as mais velhas e as mais novas, e não conseguimos fazer. Barramos em um monte de coisas. Isso envolve paciência, programação com equipes de alta referência, a desenvoltura do mercado interno, com as meninas jogando mais. Todos os fatores estão indo contra isso.
LANCE! - O problema entre clubes e Confederação influenciou em algo?
Zanon - Não teve nenhuma influência, tanto que a CBB queria que eu ficasse. Eu nunca visei o meu eu em busca do resultado imediato. Não é algo que acredito, já que busco sequência e trabalho.
LANCE! - Como você analisa seu desempenho na equipe?
Zanon - Ganhamos um Sul-Americano. No Mundial, levamos as mesmas meninas novas desse torneio, visando uma perspectiva de Seleção. Queríamos isso no Pan-Americano também, no Pré-Olímpico e na Olimpíada, para dar frutos lá na frente. Agora, vai depender de quem vai tocar.
LANCE! - O racha entre clubes e CBB atrapalha as jogadoras?
Zanon - Eu posso te falar o seguinte: estou extremamente tranquilo nisso. Eu recebi algumas ligações interessantes, mas para mim acabou. Meu ponto deu aí. Acho que precisa ter um pouco dos outros. Não quero mais entrar em detalhes. Se há desgaste ou não, é entre entidade e clubes.
LANCE! - O que vai acontecer com o basquete feminino no futuro?
Zanon - Vou torcer demais para que as atletas que nós acreditamos venham a vingar nesse processo. Elas serão a diferença nisso. As atletas que nós acreditamos que mudarão esse processo. Cheguei, busquei trabalhar, mas esses imediatismos podem exigir algo diferente.
LANCE! - Você acha que seu projeto será mantido ou mudado pelo imediatismo?
Zanon - Até onde eu tive forças para acreditar naquilo, eu fui. Eu visava o Mundial de 2018 e a Olimpíada de 2020. Se tiver alguma jogadora nessas competições que não passou pelas minhas mãos nesse período, você me fala.
LANCE! - Seguirá trabalhando em clubes ou vai parar um pouco?
Zanon - Vou seguir meu caminho como treinador. Minha contribuição ao basquete feminino dei ao máximo. O ponto final foi esse, agora vou ver o que vou fazer. Mas assim que me recuperar e estiver 100%, estarei de volta.
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