Ghost of Tsushima

(Foto: reprodução/Sony)

LANCE!
19/07/2020
11:15
Rio de Janeiro (RJ)

Ghost of Tsushima chegou às prateleiras e, como a última exclusividade a ser lançada para o PlayStation 4, faz um ótimo trabalho em fechar a era do atual console da Sony, efetivamente abrindo o caminho para o PlayStation 5. O jogo possui uma ambientação semirrealista, no sentido de que seu pano de fundo é imerso em uma história real da história do Japão, mas sua condução narrativa usa algumas “liberdades criativas” a fim de trazer uma progressão dramática extremamente cativante.

Assim sendo, o Canaltech procurou um especialista em História Japonesa - o professor Francisco Noriyuki Sato, jornalista formado pela USP, autor dos livros História do Japão em Mangá e Banzai – História da Imigração Japonesa no Brasil, entre outros; presidente da Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações (ABRADEMI) e editor do site Cultura Japonesa - para nos ajudar a elucidar um pouco do que é fato e o que é ficção em Ghost of Tsushima. Ah, vale citar: a partir daqui, o alerta de spoilers está sob efeito, OK?

Leia mais: Análise | Ghost of Tsushima encerra era do PlayStation 4 com narrativa brilhante

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A época e o local

Ghost of Tsushima se passa no ano de 1274, ano da invasão do Império Mongol ao Japão. Atracando na ilha de Tsushima, os invasores tomaram a região de assalto por ela ser governada por samurais, mas majoritariamente constituída de pescadores e agricultores.

É fato: O ano está correto, já que, segundo os registros históricos, 1274 corresponde à invasão. O avanço do Império Mongol também é bem retratado, já que o que se sabe do episódio indica que as forças invasoras dominaram a ilha toda em questão de 11 dias, entrando em Tsushima em 2 de novembro e partindo em 13 do mesmo mês.

É ficção: O ano de 1274 corresponde à “primeira” invasão de Tsushima. Sete anos mais tarde, o império Mongol tentaria novamente atacar o Japão. O professor Francisco Noriyuki Sato explica o que aconteceu de verdade:

“Houve uma certa facilidade inicial, principalmente no primeiro ataque, porque o Japão nunca tinha experimentado um inimigo de fora. Não havia contingente suficiente para defender todas as ilhas, que eram habitadas por pescadores, mas na chegada nas ilhas maiores, houve enfrentamento e resistência”.

Análise: Ghost of Tsushima
Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
Análise: Ghost of Tsushima
Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
Análise: Ghost of Tsushima
Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
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Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
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Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
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Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
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Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
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Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
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Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
Análise: Ghost of Tsushima
Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
Análise: Ghost of Tsushima
Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
Análise: Ghost of Tsushima
Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)
Análise: Ghost of Tsushima
Analisamos um dos jogos mais aguardados de 2020 e o último exclusivo para PlayStation 4: será que Ghost of Tsushima vai fechar a atual geração de consoles com chave de ouro? (Rafael Arbulu/Captura de Gameplay)

O vilão e suas motivações

Ghost of Tsushima tem em seu principal antagonista o terrível Khotûn Khan, neto de Genghis Khan e primo de Kublai Khan. Liderando as forças invasoras em Tsushima, Khotûn é um homem altamente engenhoso, tendo aprendido o idioma japonês antes da invasão e aprisionando membros de elite do exército nipônico para conversar e aprender mais sobre os caminhos do arquipélago e a forma de lutar de seus inimigos. O motivo: seu real objetivo era conquistar o Japão, incorporando-o a seu exército para que este retornasse à Mongólia para tomar, à força, o poder de Kublai Khan.

É fato: À exceção de que os invasores eram do Império Mongol e que seu regente na época era Kublai Khan, tudo aqui é “liberdade artística”. Nada tem fundamento em registros históricos oficiais.

É ficção: Bom, começando pelo principal antagonista. “Khotûn Khan” nunca existiu. Isso a própria Sucker Punch admitiu em entrevistas passadas, por precisar centralizar o foco do jogador em uma figura vilanesca específica. Na realidade, as invasões ocorreram porque Kublai Khan enviou emissários ao shogun, o regente japonês dentro do período conhecido como “Kamakura”. Tais emissários exigiram tributos para servir de comprovação à aceitação japonesa em se tornar um estado vassalo dos mongóis e, bem, você imagina quão bem isso se desenrolou…

“Considera-se que o mandante foi o próprio Kublai Khan. Antes da primeira invasão, ele enviou mensageiros advertindo para que o Japão se rendesse e se tornasse um domínio mongol. Claro que isso não foi aceito, e então eles decidiram pela invasão militarizada”, explica o professor  Francisco Noriyuki Sato.

Captura de Imagem: Rafael Arbulu/Canaltech

Os soldados inimigos

Em Ghost of Tsushima, todos os inimigos possuem uma certa variação, mas sempre dentro do mesmo escopo de quatro categorias distintas: espadachins, lanceiros, guerreiros de espada-e-escudo e, finalmente, os “brutos”, que portam as chamadas “lanças de fogo”. Pense nelas como um “porretão” com gatilho e pólvora em uma das pontas, a qual eles podem acender e estourar, direcionando a explosão à frente a uma distância de mais ou menos três metros. Conforme você avança nos “atos” do jogo, cada um desses inimigos vai ganhando uma versão mais poderosa, como um espadachim com duas espadas ou um bruto com armadura. Misture a isso alguns arqueiros e portadores de adagas que ocasionalmente jogam bombas de flash contra você e já sabe o que esperar da maioria dos inimigos.

É fato: o jogo posiciona os inimigos em todos os cantos possíveis de Tsushima, chegando ao ponto de você não andar mais do que um quilômetro em seu cavalo sem passar por um ou dois encontros com os mesmos oponentes numerosos. Tirando isso, o exército mongol era bem mais variado do que “quatro especialidades”.

É ficção: A variedade de ambas as invasões na história real da invasão a Tsushima se dá por uma premissa muito simples: o império mongol era uma grande massa de nações que hoje corresponde à China e Coréias (além, obviamente, da Mongólia e outros terrenos anexado). Tanto que Genghis Khan é tido como o maior conquistador da História, superando até mesmo as conquistas de Alexandre, o Grande. Assim sendo, é natural que seus soldados seguissem várias vertentes de combate.

As lutas

Em Ghost of Tsushima, vemos, principalmente nas cinemáticas iniciais, um soldado japonês de alta patente avançar, sozinho, às tropas inimigas, se apresentar, apresentar a sua linhagem e desafiar um guerreiro da mesma categoria no contingente opositor. Também vemos como os invasores responderam a isso: Khotûn Khan joga uma taça de vinho no lorde japonês e atea fogo nele, decapitando-o logo em seguida. Além disso, o jogo é permeado de momentos chamados de stand offs, onde Sakai desafia um soldado de um grupo a uma luta de espadas finalizada por um único golpe certeiro.

É fato: aqui, a maior parte. Não há como saber se os stand offs eram reais, mas os japoneses apelavam para a conduta de honra mesmo durante a guerra, pregando enfrentar seus inimigos sempre “de frente”. Segundo o livro The Mongol Invasions of Japan: 1274 and 1281, de Stephen Turnbull, houve uma ocasião em que o neto de um samurai disparou uma flecha no meio do campo de batalha, como que para “anunciar” o início do combate, os soldados mongóis simplesmente caíram na risada.

É ficção: praticamente nada. Embora seja impossível aferir a exata reação dos soldados mongóis a cada interação do tipo (ou se houve mais que uma do tipo, para ser bem sincero), o entendimento é que o Japão se comportava desta forma simplesmente porque, antes dos mongóis, seus conflitos eram mais internos, e em um combate em que ambos os inimigos seguem as mesmas regras, faz sentido que costumes prevaleçam mesmo em lados opostos.

“Não era exatamente o código de honra dos samurais que conhecemos hoje, mas sim, era costume se apresentar ao oponente antes de iniciar os combates. Agora, os mongóis não quiseram saber disso, e começaram a atirar flechas com pontas envenenadas e mirar principalmente nos cavalos. Isso o Japão nunca fez”, explica o professor Francisco Noriyuki Sato

A vitória japonesa

O jogo coloca você no papel de Jin Sakai, sobrinho do Lorde Shimura, o samurai que age como governador de Tsushima. Vendo que o “Caminho dos Samurais” não vai funcionar contra seus oponentes, Sakai, ele próprio um lorde, decide empregar assassinatos, furtividade e subterfúgios que acabam virando a mesa contra seus inimigos ao mesmo tempo que o distancia daqueles que ele sempre amou e cresceu admirando. Eventualmente, Sakai consegue expulsar os mongóis de Tsushima após matar Khotûn Khan.

É fato: bem, nada aqui é real. Não apenas não há qualquer registro histórico de um personagem remotamente similar a Jin Sakai nas invasões, como o comportamento furtivo do protagonista de Ghost of Tsushima imediatamente nos traz à mente a forma de luta de um outro ícone japonês, o ninja. Entretanto, esses guerreiros (também chamados de shinobi) só tomariam proeminência no século XV, cerca de 200 anos depois das invasões do Império Mongol. Vale ressaltar, porém, que há quem atribua pontos específicos de ações ninja desde o século XII, pouco antes dos eventos do jogo. Ghost of Tsushima, porém, não cita nem faz alusão alguma a “ninjas”, “shinobi”, “ninjutsu” ou qualquer outro termo que sirva de referência a isso.

É ficção: além de tudo o que relacionamos no parágrafo anterior, há também a questão da fuga dos mongóis. Para começar, Tsushima e a ilha vizinha, Iki, foram completamente dominadas. Foi apenas após os invasores desembarcarem na Baía de Hakata (onde hoje é localizada a cidade de Fukuoka) que enfrentaram uma resistência mais firme. Não por menos, foi nesse mesmo local que se marcou o fim da primeira invasão, mas isso não foi necessariamente mérito dos japoneses…

Captura de Imagem: Rafael Arbulu/Canaltech

A fuga mongol

Ghost of Tsushima vê o império invasor aprendendo a usar os mesmos métodos empregados por Jin Sakai, gastando a segunda metade do jogo para mostrá-los amealhando recursos que facilitem o uso de subterfúgios para invadir as principais cidades japonesas, incluindo até dardos envenenados. Em uma tentativa desesperada, Jin e seu tio, agora em lados opostos, se unem uma última vez para enfrentarem Khotûn Khan, que acaba morto pelo protagonista e a maior parte de sua força bate em retirada.

É fato: novamente, quase nada. Não há como aferir se os soldados mongóis usavam de veneno e outras artes furtivas para matar seus oponentes, mas todos os registros apontam para o conflito militar aberto. Ou seja, não há “desonra” em nenhuma das partes, dentro do que regiam os costumes japoneses. Ademais, no que tange ao mérito próprio, os mongóis levaram ampla vantagem, trazendo mais soldados, mais armas e uma voracidade combativa maior do que os samurais, que foram pegos de surpresa pela forma de lutar de seus inimigos e perderam muitos de seus representantes.

É ficção: Então porque os mongóis perderam? Bom, foi por pura sorte, segundo o entendimento de historiadores. Tanto em 1274 como em 1281, os mongóis acabaram presos entre a resistência japonesa em terra e dois tufões fortíssimos no mar. Estima-se que as forças invasoras foram reduzidas entre um e dois terços de seu efetivo apenas devido aos ventos incrivelmente fortes que arrasaram sua armada. Daí surgiu o termo “kamikaze”, aliás. Uma vez reduzidos em contingente, os mongóis se viram forçados a escolherem entre duas opções ruins: fugir ou arriscar enfrentar os japoneses em solo capital (a Baía de Hakata já contava com esforços quase imediatos do shogun), o que provavelmente resultaria em mais mortes.

Na segunda invasão (1281), os japoneses estavam mais bem preparados, pois antecipavam um retorno das forças inimigas após o fracasso da primeira campanha, então houve, sim, uma resistência maior e um combate mais aguerrido durante a segunda tentativa de Kublai Khan de dominar o Japão, mas novamente, foi a Mãe Natureza quem fez valer a sua força.

“Ao anoitecer, os mongóis retiravam-se para seus barcos, porque se sentiam mais seguros no mar, porém, em um certo amanhecer, eles não estavam mais lá. Foram derrotados pelo ‘Kamikaze’, nome dado ao tufão, e os sobreviventes acabaram fugindo com os barcos restantes. Essa primeira invasão foi feita com 30 mil homens e, a segunda, por 140 mil homens, mas nem todos eram mongóis. Creio que uma parte significativa era formada por habitantes da península coreana capturados pelos mongóis. Para a segunda invasão, o Japão se preparou, construiu barreiras de pedra e colocou seu exército em locais estratégicos”, detalha o professor Francisco Noriyuki Sato.

Captura de Imagem: Rafael Arbulu/Canaltech

Paz, enfim?

Em Ghost of Tsushima, o jogo não dá a entender que o Japão teve um período de paz após a guerra contra os mongóis, com Jin Sakai seguindo a vida como o “Fantasma” guardião da ilha e caçando remanescentes dos invasores que ainda perduraram em terras japonesas. Essa é a continuidade do jogo após os créditos rolarem, aliás, deixando o jogador livre para explorar toda a ilha de Tsushima e seus recursos oferecidos.

É fato: bem, considerando que não houve um “Jin Sakai” e a maior parte dos mongóis fugiram, esse “pós-jogo” é definitivamente um exagero criativo do estúdio Sucker Punch. Entretanto, é real que o Japão não se viu exatamente livre de conflitos no pós-guerra. O contexto, porém, era outro.

É ficção: ao contrário do que diz o jogo, os registros históricos nos mostram que logo após a segunda fuga dos mongóis e a desistência de Kublai Khan de invadir o Japão (e sua subsequente morte em fevereiro de 1294 após anos lidando com diabetes, um forma de artrite aguda conhecida como “gota” e depressão pela perda de seu filho favorito e esposas mais queridas, o que levou-o ao alcoolismo e obesidade mórbida), o país mergulhou em uma guerra civil entre os regentes e samurais que sobreviveram ao conflito. Pela lei japonesa, lordes que retornavam de conflitos bélicos tinham assegurados prêmios variados, que iam de tesouros a terras e títulos de nobreza e governo. Entretanto, a guerra contra o Império Mongol custou tanto ao Japão que o shogun simplesmente não tinha de onde tirar seus pagamentos devidos. A guerra civil japonesa durou cerca de 15 anos.

“Em guerras internas, era comum o grupo vencedor ficar com a propriedade do derrotado, e assim conseguia-se reembolsar os gastos e recompensar os aliados. Agora, contra um inimigo de fora não havia o que tomar. Os donos de terras do litoral foram os que mais gastaram, pois investiram nas barreiras, mas mobilizar um exército já significa um gasto elevado, principalmente porque também houve combates no mar”, explica o professor Francisco Noriyuki Sato.

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