Console

(Foto: divulgação)

LANCE!
25/07/2019
15:25
Rio de Janeiro (RJ)

Tanto a Sony quanto a Microsoft já anunciaram que vão lançar seus novos consoles no final do ano que vem. O Natal de 2020 pode ser o marco para muita gente trocar de console, mas também cria a dúvida em quem está, agora, pensando em comprar o seu. Afinal, vale a pena comprar um PlayStation 4 ou Xbox One no final de uma geração?

O Canaltech fez um levantamento histórico de preço de aparelhos, benefícios, qualidades de produtos e outras características que podem ajudar você a decidir isso.

De pronto, a resposta mais possível para esta pergunta é: sim, vale muito a pena comprar um console no final de uma geração. Aliás, talvez, seja o melhor momento para você adquirir um console. Contudo, pode haver algumas ressalvas neste pensamento. Vamos à nossa análise.

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Hardware mais refinado

A Sony disse que o próximo aparelho chega com uma série de melhorias. A primeira delas é a adição do SSD para deixar o carregamento de informações muito mais rápido. A ideia é basicamente eliminar os loadings.

O dispositivo também pode contar com 4K, som e imagem com raytracing e outras tecnologias. Tudo isso pode fazer com que você tenha aquela vontade de esperar a próxima geração para comprar um aparelho já no lançamento. Contudo, essa pode não ser uma boa ideia.

Um console no final de sua geração conta com uma série de características que suas versões de lançamento não têm.

Na mesma toada, a Microsoft já informou que seu novo modelo vai contar com essas mesmas especificações que o novo PlayStation, mas com processamento híbrido também em nuvem.

Entretanto, tanta novidade e mudança, embora bem-vindos, podem ter consequências em fabricação.

Lá em 2013, tanto o PlayStation 4 quanto o Xbox One chegaram ao mercado com problemas em seu lançamento. Do lado da Sony, a questão estava nos cabos HDMI de baixa qualidade que vinham com as primeiras versões do console. Já do lado da Microsoft, o Xbox One fat (modelo maior) era um grande trambolho em cima da mesa. Ele era vendido obrigatoriamente com o Kinect, o qual também se transformava em um desnecessário aparelho gigante no móvel da sala.

Foi só em meados de 2016 que a Microsoft lançou o Xbox One S, versão repaginada do console, com melhores capacidades. Esta versão é compatível com HDR e capaz de oferecer 4K (nativos em vídeo, mas upscaling em games).

Contudo, são os detalhes que mostram que a Microsoft aprendeu com os erros do seu console original. A versão S não vem mais com o Kinect obrigatório. O aparelho não é mais aquele trambolho igual o original, com arquitetura 40% mais compacta. De quebra, a fonte de energia já vem embutida no novo modelo. Os botões de ejetar e ligar também deixaram de ser sensíveis ao toque e foram trocados por versões físicas, evitando as incontáveis vezes que se ligava o console sem querer. Ou seja, é um modelo várias vezes melhor que o original.

Comparação entre Xbox One Fat com sua versão S (Foto: Divulgação/Microsoft)

Do lado da Sony, aconteceu o mesmo. O PlayStation 4 Slim chegou com capacidades semelhantes às do PS4 original. Porém ele conta com hardware mais reforçado, 40% menor e com capacidade de troca de HD mais fácil, para um de até 4 TB. Junto dele, o DualShock também ganhou uma nova versão com mudanças no design.

Erros de lançamento

Assim, esperar um ou dois anos para entrar na nova geração pode ser uma excelente pedida para fugir de problemas de hardware, por vezes comuns na indústria de consoles. Um exemplo recente disso é o problema de conexão entre joy-cons nas primeiras versões do Switch.

Quem comprou o console da Nintendo já na primeira leva reclama constantemente de problemas de conectividade entre o controle e o console, principalmente quando se está com o acessório longe do aparelho no dock. Embora não tenha assumidamente reconhecido isso, é sabido que os consoles produzidos depois do lançamento contam com pequenas mudanças de hardware que evitam esse problema.

Esse tipo de falha pode ser relacionado à qualidade das peças e até de design. Quando a Nintendo lançou o Wii, foi preciso que muita gente quebrasse seus televisores até a empresa colocar as pulseiras para segurar os WiiMotes, caso escapassem das mãos dos jogadores.

Com isso, a indicação mais sensata é sempre de segurar, ao menos um ano, para comprar o aparelho já com todos os ajustes de lançamento feitos, sem que você passe nervoso lá para frente.

Preço

Não há dúvidas de que um console é mais caro no seu lançamento. Contudo, isso pode ficar ainda mais evidente a depender da oferta do dispositivo aqui. A chegada da atual geração em solo brasileiro foi curiosamente conturbada e merece uma pequena volta ao passado.

A começar pelo PlayStation 4. O console foi lançado nos Estados Unidos a US$ 400 em sua primeira versão. Ele contou com reduções em todo mundo, chegando ao atual preço oficial de US$ 350. É possível achar até mais barato, caso se compre lá fora em pacotes com jogos e acessórios.

Aqui no Brasil, contudo, o aparelho chegou oficialmente ao custo de R$ 4 mil. Sim, a quem ainda não acompanhava o mercado de jogos naquela época, a primeira leva foi comercializada a esse preço exorbitante, gerando memes como o do “PlayStation 4K” ou mesmo a famosa frase “Eu escolhi esperar” em alusão à queda do preço do aparelho.

Meme da época brincava com o alto preço do PlayStation 4 no Brasil (Foto: Reprodução/Facebook)

O lançamento do Xbox One também não foi dos melhores. O aparelho chegou ao mercado norte-americano custando US$ 500 — US$ 100 a mais que seu principal concorrente por conta do Kinect. O acessório que se mostrou bastante desnecessário acabou por se retirado do pacote somente em junho de 2014. Sem a peça, ele pôde ser vendido na casa dos US$ 400.

Em 2016, a companhia anunciou novo corte, até para estimular a venda do modelo S, jogando o preço do aparelho para US$ 300.

Aqui no Brasil, contudo, o aparelho foi lançado com etiqueta de aproximadamente R$ 2,5 mil.

Atualmente, ambos consoles têm preços bastante módicos no Brasil. No caso do PlayStation 4, a versão Slim pode ser encontrada custando cerca de R$ 1.300 em sua versão mais básica, com 500 GB de armazenamento. O mesmo preço serve para o Xbox One S em sua versão de entrada, com os mesmo 500 GB de armazenamento.

Acesso a jogos 

Este talvez seja o ponto mais difuso com a nova geração chegando aí. Geralmente, o lançamento de novos consoles significa também um novo aprendizado em desenvolvimento para quem cria games.

Isso significa que demora até que desenvolvedores comecem efetivamente a usar toda sorte de ferramentas que o novo console dispõe e toda sua capacidade. Assim, é natural que o primeiro ano de uma nova geração conte com jogos mais fracos, ou poucos títulos em que realmente valha a pena investir.

Isso aconteceu em 2014, quando a Nintendo tinha uma série de jogos para o WiiU, enquanto a Sony e Microsoft amargaram com o relançamento de remasterizações para seus novos consoles, ou mesmo poucos títulos novos. Foi só no final de 2014 que a roda começou a efetivamente rodar e os games ganharam força na biblioteca.

O catálogo do PlayStation 4 conta com uma série de exclusivos de peso, um leque de bons jogos em variados estilos. A questão do preço volta aqui também. Se a maioria dos grandes games foram lançados na casa dos R$ 150 a R$ 200, agora há boas promoções ou versões sendo vendidas por R$ 50 na internet ou mesmo na loja digital da Sony.

Do lado da Microsoft, mesmo com os últimos anos de poucos títulos exclusivos, a empresa conta com bons serviços. O principal deles é o Game Pass, plataforma de assinaturas na qual o jogador tem acesso a mais de 100 títulos por R$ 30 ao mês. Ou seja, um usuário que compre o console neste momento pode ter acesso a uma biblioteca vasta a um preço bastante baixo, incluindo os exclusivos da Microsoft.

Serviço de assinturas oferece grande catálogo do consoles (Foto: Divulgação/Microsoft)

A oferta de jogos é um dos principais argumentos para se adquirir um console no final de uma geração. Contudo, especialmente na próxima geração, isso pode mudar.

Tanto a Microsoft quanto a Sony já demonstraram interesse em oferecer retrocompatibilidade para seus aparelhos. Assim, é possível que os novos consoles rodem também games de PS4 e Xbox One, já oferecendo uma vasta biblioteca de seus antecessores no momento do lançamento.

A proposta é boa e é bem provável que ambas companhias contem com esse serviço. Porém, estamos mais uma vez falando de início de geração, com todos os problemas que isso implica.

Atualmente, a Microsoft já oferece retrocompatibilidade no Xbox One, com games de consoles anteriores da marca. Contudo, este acesso é limitado a apenas alguns títulos.

Esperar para ver? 

Se você ainda está indeciso e pretende esperar o lançamento da nova geração para comprar um PS4 ou Xbox One, a movimentação pode ser arriscada. O primeiro pensamento que vem à cabeça é de que, com novos aparelho no mercado, a tendência é de redução dos preços dos dispositivos antigos.

Embora seja um raciocínio lógico, isso não se aplica 100% ao mercado brasileiro. Segundo histórico da Pesquisa Brasil Games, grande parte dos jogadores por aqui, dentro do escopo de consoles, ainda está na geração passada de aparelhos, senão na anterior.

Em 2017, o documento apontou que 44,2% do total de usuários jogava no Xbox 360, dominante no momento. O número caiu para 32% nos dois anos seguintes, sendo que o PlayStation 4 tomou a liderança (37,6%). O PlayStation 2 também segue forte como o console preferido de 23% dos jogadores.

relação de geraçãoes no mercado brasileiro (Foto: Divulgação/PGB)

Aqui também vale um relato pessoal. Desde 2013, este jornalista que vos fala mantém contato com lojistas sobre a venda e troca de aparelhos no país. Grande parte ainda diz que, embora em decadência, a procura por aparelhos da geração passada ainda é alta.

Com isso, no lançamento da próxima geração, não espere que o preço de PS4 ou Xbox One caia de forma significativa. Mais uma vez, diante da alta procura e baixa oferta, a tendência é que esse preço ainda demore a cair.

Em alguns casos, pode ser que o lojista opte por subir o preço dos consoles desta geração para vender melhor o da próxima.

A técnica de mercado é bem conhecida e se chama ancoragem. A proposta é fazer a variação entre o produto médio (Xbox One ou PS4) e o mais avançado (nova geração) ser tão pequeno que o usuário opte pela versão mais cara.

Assim, esperar para o ano que vem para comprar o seu consoles pode não significar realmente a queda de preço do aparelho.

Por que entrar na próxima geração? 

Diante de tantas desvantagens em comprar um console no lançamento, o leitor pode estar se perguntando: “existe motivo para entrar na próxima geração mais cedo?”.

Os dois principais argumentos de venda são simples. O primeiro é a vontade do usuário em ser um early adopter, ou seja, aquele que gosta de estar sempre atualizado com seus aparelhos. Como todo early adopter, há aqui a consequência de ser quase que o grupo de testes de uma nova tecnologia, podendo comprar um aparelho não tão bem acabado assim.

O segundo argumento principal de venda são os próximos games a serem lançados. É possível que tanto a Sony quanto a Microsoft anunciem seus novos consoles já com pelo menos um grande título. Se isso acontecer, o usuário vai precisar entrar na nova geração se quiser curtir essa novidade.

Assim, se você está pensando em comprar um novo console, mas estava em dúvidas se agora é uma boa hora para isso, a dica é: vai fundo, não há momento melhor que final de geração para comprar um videogame. Em especial neste ano, talvez valha esperar por uma Black Friday ou similar e pegar seu aparelho num bom preço.

De resto, se você estava pensando em comprar os próximos aparelhos, a recomendação mais sensata é esperar entre um a dois anos para pegar um dos novos consoles. Você vai adquiri-lo já com hardware revisado e também com uma boa oferta de jogos. De quebra, também pode pagar preços melhores tanto no aparelho em si quanto na compra de games antigos.

Leia a matéria no Canaltech.

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