Presidente Poul-Erik Høyer (Foto: ivulgação/BWF)

Poul-Erik Høyer é presidente da BWF e foi campeão olímpico como jogador (Foto: Divulgação/BWF)

Rafael Valesi
05/11/2015
09:05
São Paulo (SP)

O badminton está longe de ser uma modalidade popular no Brasil. Some a isto o fato de que o país dificilmente ganhará uma medalha na Rio-2016. Mesmo assim, Poul-Erik Høyer crê que o esporte jogado com raquetes e petecas vai gerar interesse entre os brasileiros na Olimpíada.

Høyer é um dos nomes mais importantes do badminton no planeta atualmente. Aos 50 anos, o dinamarquês é o presidente da federação internacional da modalidade (BWF). Além disso, como jogador, foi o último atleta não-asiático campeão olímpico. Isto aconteceu há 19 anos, em Atlanta-1996.

Desde então, apenas atletas de países como China, Coreia do Sul e Indonésia, entre outros, subiram no lugar mais alto do pódio olímpico, seja entre homens, mulheres ou duplas. E tentar fortalecer outras regiões é exatamente uma das metas do trabalho de Høyer.

Em entrevista ao LANCE!, por e-mail, o dirigente disse o badminton terá um campeão olímpico fora da Ásia em breve. E falou que a Olimpíada será a oportunidade perfeita para que os brasileiros conheçam o seu esporte.

LANCE!: Quais são as suas expectativas para a Olimpíada Rio-2016 sobre a organização do evento e o torneio de badminton em si?
Poul-Erik Hoyer: Estamos trabalhando em cima de todos os detalhes com os organizadores da Rio-2016. Tenho certeza de que será uma grande Olimpíada, e uma competição de badminton soberba. Certamente teremos os melhores atletas de badminton do mundo competindo.


L!: O que a BWF sugeriu para o comitê organizador da Rio-2016 para o torneio de badminton? Vocês estão satisfeitos com a arena destinada à modalidade?
PH: As coisas estão tomando forma, e estamos trabalhando com os organizadores para otimizar a apresentação do badminton. A Rio-2016 e a BWF estão trabalhando bem próximos para garantir uma experiência memorável aos torcedores, tanto para aqueles que estiverem na arena quanto para os que assistirem pela televisão. A arena de competição atende ao que o badminton precisa, e estamos no processo de finalização dos detalhes. É ótimo estar em uma das áreas centrais de competição (Riocentro), bem próximo à Vila dos Atletas. Isto vai ajudar a criar uma boa experiência aos atletas, que não precisarão se preocupar com a questão do transporte, já que a arena será bem próxima.

L!: O badminton é um esporte bastante popular e forte na Ásia. O que a BWF vem fazendo para expandir a modalidade ao redor do mundo? E o que explica a grande diferença entre os países asiáticos e os demais em termos de resultados?
PH: Somos um esporte universal, e o Brasil é um dos 183 membros associados. É verdade que o badminton é uma modalidade que se destaca em vários países da Ásia, mas gradualmente estamos vendo mais e mais universalidade no top 100 ou 200 no ranking mundial. Em níveis continentais e mundial, estamos vendo mais países quebrando tabus com medalhas. Há pouco vimos a espanhola Carolina Marin vencendo o título mundial pelo segundo ano seguido no individual feminino. Outros países, como a Dinamarca - e também a Inglaterra e a Alemanha - estão dando trabalho para os asiáticos no alto nível. Estamos trabalhando continuamente com jovens jogadores em países parceiros menos desenvolvidos, e temos programas nos cinco continentes com foco neste objetivo. No nível do esporte de participação, temos um programa em escolas chamado Shuttle Time. Este programa está em 93 países, e está visivelmente aumentando a participação e conhecimento sobre nosso esporte em países não-tradicionais no badminton.
Sobre o Brasil, especificamente, estamos fazendo diversas ações com a confederação brasileira (CBBD) e o Comitê Rio-2016. Ao longo do ano passado, a BWF criou diversas oportunidades para os brasileiros aprenderem mais sobre o badminton. Nos engajamos em campanhas no Rio, envolvendo a mídia e outros stakeholders. Esperamos que na Olimpíada os brasileiros estejam mais familiares com o badminton. O Brasil está se beneficiando de várias iniciativas, que deixarão um forte legado para nosso esporte.

L!: Você foi o último atleta não-asiático a ganhar uma medalha de ouro no badminton em Olimpíadas. O que isto representa em sua carreira?
PH: É claro que eu tenho orgulho de meu sucesso olímpico, mas temos visto outros atletas de fora da Ásia com talento e mostrando que estão entre os melhores do mundo, como fizeram Mathias Boe e Carsten Mogensen na última Olimpíada. Não vai demorar muito para que outro atleta não-asiático seja campeão olímpico. Vamos ver.

L!: O badminton não é tão popular no Brasil, e muito provavelmente o país não irá ganhar uma medalha na Rio-2016. Com isso, o que você espera nos Jogos em número de torcedores e interesse do público?
PH: O Brasil é um grande país esportivo, então esperamos um alto interesse e curiosidade, já que provavelmente os brasileiros nunca viram a elite do badminton antes. A Olimpíada é a oportunidade perfeita para ter a experiência de ver um novo esporte, pois é ali que você vê o que há de melhor. Certamente as pessoas ficarão impressionadas. O badminton é uma modalidade rápida, dinâmica e cheia de ação. Estamos confiantes de que iremos atrair os fãs locais.

L!: Qual é a sua avaliação sobre o que é feito no Brasil no badminton, em termos de nível técnico, jogadores e o trabalho feito pela confederação (CBBd)?
PH: O Brasil foi muito bem nos Jogos Pan-Americanos em julho, ao ganhar medalhas de prata e bronze em várias categorias. Então podemos ver que os jogadores estão evoluindo. O nível dos atletas está crescendo significativamente desde 2009, quando o país foi escolhido para sediar a Olimpíada. O país não vai se acomodar no fato de ter as vagas de país-sede para jogar a Olimpíada. O Brasil tem jogadores capazes de conseguir vagas pelo ranking mundial. Temos certeza que a Olimpíada deixará um grande legado para o badminton no país. E acreditamos que os jogadores irão continuar crescendo para as outras Olimpíadas que estão por vir.