Thiago Ferri
07/07/2016
07:40
São Paulo (SP)

Em maio, o Palmeiras chegou a um ano quitando a primeira dívida com Paulo Nobre, de R$ 103 milhões. Nos 12 meses, o clube já devolveu ao presidente R$ 20 milhões (além dos juros de até 1% ao mês) e no atual ritmo pode pagar todo o valor em quase cinco anos, bem abaixo dos 12 previstos quando o pagamento foi aprovado pelo conselho do clube, em 2014.

Neste caso, 10% de rendas brutas mensais do Verdão, já existem durante a aprovação do pagamento em 2014, vão para o Banco Votorantim, responsável por intermediar a transação entre Palmeiras e Nobre.

Ou seja, são retidos no fonte parte dos pagamentos dos direitos de transmissão da Globo e do contrato com a Federação Paulista, por exemplo. O contrato com a Crefisa, firmado em janeiro do ano passado, veio depois do acordo para o pagamento e por isso não entra no montante.

Do montante (entre R$ 2 milhões e 3 milhões mensais) são abatidos os juros (perto de R$ 1 milhão), e o restante volta para o dirigente. Este financiamento com o Votorantim foi uma forma de assegurar que Nobre continue recebendo em futuras gestões – seu segundo mandato acaba em dezembro.

O retorno tem sido acima do esperado por conta do aumento de receitas do clube, como bilheterias e o Avanti. Estes R$ 103 milhões são referentes aos empréstimos feitos por Paulo Nobre entre 2013 e 2014 em seu primeiro mandato, quando a saúde financeira do clube era delicada.

O Palmeiras paga Paulo Nobre de duas formas: 

- R$ 103 milhões, com 10% da renda bruta mensal do clube;

- R$ 40 milhões, em 85 parcelas que giram em torno de R$ 400 mil

O dirigente ainda tem os direitos de cinco atletas - Cristaldo, o sexto, já foi vendido

Ao todo, o dirigente colocou quase R$ 200 milhões no Palmeiras, mas R$ 43 milhões foram abatidos com o repasse dos direitos econômicos de seis jogadores contratados com o seu dinheiro: Mendieta, Leandro, Tobio, Mouche, Allione e Cristaldo (já vendido). Por conta da nova legislação, Róger Guedes e Mina, contratados também por ele, estão vinculados ao Palmeiras. Nobre, então, terá de fazer um acordo com o presidente que estiver no cargo na ocasião da venda dele para receber de volta o dinheiro investido. Em todos os casos, Paulo pode, no máximo, recuperar o valor que investiu - lucro fica com o clube.

Outra parte da dívida já foi paga, restando perto de R$ 40 milhões a serem devolvidos ao dirigente. Primeiro, havia sido acertado o pagamento em 40 parcelas de R$ 800 mil. Mas recentemente houve o alongamento desta dívida: agora o valor será quitado em 85 vezes, e o preço da parcela caiu para quase a metade. Esta quantia deve ser paga em seis anos.

Durante o imbróglio entre Palmeiras e Crefisa, quando a patrocinadora ficou três meses sem pagar, o mandatário fez novos empréstimos para manter o fluxo de caixa. Assim que recebeu os R$ 19,5 milhões, o clube ressarciu Nobre por isso.

Neste ano, o Palmeiras tem um superávit de R$ 24,9 milhões, de acordo com o último balancete aprovado pelo Conselho de Orientação e Fiscalização (COF). Após quatro meses no azul, o clube teve em maio prejuízo pela primeira vez, de R$ 942 mil.