Ônibus - Violência - Goiás x Aparecidense (Foto: Edilson Pelikano/DM)

Os ônibus são apenas um dos alvos dos vândalos em todo o país  (Foto: Edilson Pelikano/DM)

Rodrigo Vessoni
05/04/2016
07:45
São Paulo (SP)

Um homem, ainda não identificado, perdeu a vida durante confusão entre integrantes das facções Mancha Alviverde, do Palmeiras, e Gaviões da Fiel, do Corinthians, em São Miguel Paulista, Zona Leste de São Paulo. O pedestre, alvejado por um tiro de autor desconhecido, é a 296ª vítima ligada ao futebol desde outubro de 1988, quando se noticiou um caso desse tipo (Cleo, ex-presidente da mesma Mancha, em frente à sede).

Esse número faz parte de um levantamento exclusivo do LANCE!, feito por meio de um acompanhamento de jornais de várias partes do país durante anos. A guerra entre facções organizadas é a principal culpada por esse número alarmante, já que 265 dessas mortes tiveram a participação de seus integrantes. O homem de São Miguel foi o 39º no estado de São Paulo.

Mas se engana quem pensa que isso seja um problema do estado mais rico do país. Sergipe, Minas Gerais, Ceará, Paraíba, Fortaleza... não importa. A violência está espalhada pelo Brasil, não escolhe as cores dos clubes, sotaque das pessoas, costumes de cada local nem tamanho da rivalidade. Quase três centenas de famílias já choraram a perda de seus filhos, irmãos, pais, sobrinhos, netos ou parentes. Um número que parece exagerado para quem é exposto apenas ao noticiário de Rio e São Paulo, mas compatível à selvageria que ocorre em todas as regiões do país. Acobertados pela impunidade, que faz com que poucos sejam presos.


CINCO MORTES EM 2016
O quarto mês deste ano mal começou e já são cinco mortes ligadas ao futebol, todas com participações de facções organizadas. Foram duas mortes em Fortaleza, no Ceará, uma em Campo dos Goytacazes (RJ), uma no Rio Grande do Norte e uma em São Paulo, no último domingo.

COM A PALAVRA
"Reunidos para o mal"
Paulo Castilho, Promotor do MP de São Paulo

"São jovens que se reúnem não pelo futebol, mas para praticar atos criminosos, para fazer o mal, levar o terror à sociedade. As organizadas precisam de um basta. No molde atual, essas organizações estão se associando para crimes. O Estado não pode ser tão leniente, tão conivente, tranquilo com isso. Se você fizer um plebiscito verá que a maioria esmagadora vai ser a favor do fim das organizadas."