Dunga e Eduardo Bandeira de Mello (Foto: Lucas Figueiredo/MowaPress)

Dunga e Eduardo Bandeira de Mello (Foto: Lucas Figueiredo/MowaPress)

Luiz Fernando Gomes
05/05/2016
15:29
São Paulo (SP)

Caro presidente Bandeira de Mello,

Fico aqui imaginando a surpresa e a decepção dos rubro-negros - e de todo mundo que acredita ser possível mudar o futebol brasileiro - ao vê-lo hoje sentado no centro da mesa em que Dunga e Gilmar Rinaldi anunciaram a convocação da Seleção que vai disputar a Copa América.

Confesso que, do lado de cá da telinha, eu também mal consegui crer no que meus olhos estavam vendo. Fiquei na dúvida: "Será que é ele mesmo?" "Não, não pode ser ele". "O que ele está fazendo ali?".

Mas era mesmo o senhor.

Ou melhor, que Bandeira de Mello estava ali?

Será o mesmo que, revoltado com o veto do Flamengo jogar em Brasília disse, há três meses, que "CBF e Ferj são a mesma coisa em termos de princípios e valores"? Será aquele sujeito que resistiu bravamente às manobras da turma do Rubinho na tentativa de matar ainda no nascedouro o projeto da primeira liga? E que teve atuação importante para segurar a bancada da bola no congresso, lutando por um Profut minimamente decente?

Não, certamente não era esse o Bandeira de Mello que estava ali.

Desculpe, mas dizer que sua convocação foi uma homenagem ao Flamengo, ao que o clube tem feito para modernizar o futebol brasileiro é, no mínimo, uma ingenuidade. Soou tão ridículo que era melhor ter ficado calado.

O Bandeira que estava ali era um outro personagem. É uma pena que, por vaidade ou inocência, o senhor tenha colocado a serviço do atraso da CBF, do populismo de Walter Feldman e do esforço de Del Nero para sobreviver, toda a força e o prestígio da liderança que vinha construindo no time dos que apostam em mudanças no futebol do Brasil, a partir da impecável gestão administrativa do Flamengo e ainda que os resultados em campo não sejam dos melhores.

Sua convocação, presidente, não homenageia a modernidade do Flamengo. Legitima exatamente o mandato dos que querem manter o status quo.

Ainda dá tempo de saltar desse avião.