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Marcio Villar quer dobrar Arrowhead 135, sua última ultramaratona

Recordista mundial, ultramaratonista pretende correr 434km na fronteira entre Estados Unidos e Canadá, com temperaturas de -40º, antes de se aposentar

PorLance!Corrida Informa
27/01/2020 07:25
O ultramaratonista Marcio Villar durante treino para a Arrowhead 135, em International Falls, entre os Estados Unidos e Canadá. (Arquivo pessoal)
O ultramaratonista Marcio Villar durante treino para a Arrowhead 135, em International Falls, entre os Estados Unidos e Canadá. (Arquivo pessoal)

O ultramaratonista Marcio Villar afirma que a Arrowhead 135 deste ano será seu último desafio. Recordista mundial de corrida na esteira e do Caminho de Santiago de Compostela. esse carioca, de 52 anos, dono de um currículo com grandes conquistas em provas de longa duração, inclusive em ambientes extremos, larga hoje (27/1), às 10h (horário de Brasília), para sua sétima participação em uma das provas mais difíceis do planeta.

Disputada em International Falls, na fronteira entre Estados Unidos e Canadá, região com uma das temperaturas mais baixas do país norte-americano, com os termômetros podendo chegar aos 40º Celsius negativos, a Arrowhead 135 (esse número significa sua distância em milhas, que representam 217km) está atravessada na garganta de Marcio Villar.

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Das seis vezes em que já correu neste ambiente inóspito, debaixo de muita neve, em duas ele completou os 217km e nas outras quatro não conseguiu dobrar. É justamente com isso que ele sonha, novamente, a partir desta segunda: correr 434km em menos de seis dias para dobrar a única ultramaratona da Copa do Mundo de Ambientes Extremos que lhe resta. A diferença para as outras tentativa é a pressão por resultados.

- O sonho é dobrar, mas desta vez não estou criando expectativa. Cada quilômetro será uma vitória e, se der, eu volto da chegada para a largada. Vou curtir cada quilómetro agradecendo a Deus por tudo que conquistei, vou despreocupado com colocação, com resultado, vou para me divertir - diz o ultramaratonista, que já fez a Brazil 135, na Serra da Mantiqueira, onde triplicou, com 651km, e a Badwater 135, no Vale da Morte, na Califórnia, nos Estados Unidos, com temperaturas acima dos 50º, onde que ele dobrou, com recorde. - A Arrowhead 135 deste ano representa o encerramento de uma carreira de 17 anos em provas oficiais.

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Engajado em causas sociais, Villar não vai deixar de correr desafios filantrópicos, como os que faz para o IncaVoluntário (do Instituto Nacional do Câncer), Lar Pedro Richard (que atende idosos, em Jacarepaguá, no Rio), o Projeto Juquinha (de crianças especiais em Paragominas, no Pará), o Pró Criança Cardíaca, em que corre o rei e Rainha do Mar e, em troca, os organizadores financiam transplantes cardíacos.

- Esses desafios eu vou continuar correndo até não poder mais, pois são essas causas sociais que me motivam - afirma o também palestrante.

P: De todos as competições que você dobrou e até triplicou, a Arrowhead 135 é a única que não conseguiu dobrar. O que você planejou dessa vez:

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Marcio Villar: Completei essa prova duas vezes quando fiz ela normalmente. Não consegui quando quis dobrar. É complicado sair de 40 graus positivos do Rio de Janeiro para correr abaixo dos 40 graus nos Estados Unidos. Agora, a diferença é que eu sei que é a hora de eu parar, acabou. Então minha mente não vai querer que eu acabe de qualquer maneira. Sem essa pressão mental, vou poder sempre seguir em frente.

P: Como será o último desafio de sua vitoriosa carreira, o que foi mais difícil trabalhar: a mente, por tudo que este momento representa, ou o corpo, que está bastante calejado por todos os desafios que já fez?

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Marcio Villar: O mais difícil é aceitar que é o último desafio. Escolhi a mais difícil de todas para encerrar a carreira. Vai ser muito bom estar sozinho nessa floresta congelada. Só eu e Deus, conversando o tempo todo e tirando forças para seguir até a linha de chegada.

P: Conte um pouco de cada tentativa sua nessa prova?

Marcio Villar: A primeira vez que disputei a Arrowhead 135 foi em 2008. Eu nunca tinha visto neve na vida. No Posto de Controle do Km 55, quando tirei a meia, a médica olhou para os meus pés e disse que se eu continuasse teria que amputar, não tive escolha, parei. Voltei em 2009 e consegui trazer o troféu. Em 2011 conquistei o troféu novamente, mas estava indo para dobrar pela primeira vez. A temperatura chegou a 50 graus negativos e a organização não deixou eu dobrar. Voltei ainda mais quatro vezes para tentar dobrar e aconteceram várias coisas. Uma vez eu rolei o morro com o trenó que puxo, perdendo todo o meu equipamento. Em outra vez tive hipotermia. Ano passado, a temperatura bateu 68º negativos e tive que abandonar para não congelar.

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P: Como será sua vida após a aposentadoria?

Marcio Villar: Vou me aposentar só das provas oficiais. Não posso parar com a parte filantrópica. Vou correr ajudando causas sociais e continuar com as palestras motivacionais pelo Brasil também.

P: Quais foram os momentos marcantes da sua vida esportiva?

Marcio Villar: São vários. Correr 509km dentro da Floresta Amazônica foi inesquecível. Ter o nome no Guinness Book por ter corrido 827,16km na esteira também marcou muito, mas o que nem eu acredito até hoje foi colocar uma prótese no quadril e 10 meses depois bater o recorde mundial do Caminho de Santiago de Compostela de 820 km.

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P: O que as frustrações te ensinaram?

Marcio Villar: Ensinaram a não desistir nunca dos meus sonhos. Em acreditar, lutar e, não importa o tempo que for, o importante é ir em frente até conseguir realizar seus sonhos.

P: Ficou faltando algo que você não conseguiu fazer em sua vida esportiva?

Marcio Villar: Fiquei devendo o desafio Rio/Salvador, que não fiz por causa da doença. Em 2015, ano que faria esse desafio, fui diagnosticado com arterite temporal juvenil. Por causa dela, que não tinha nenhuma relação com a corrida, tive que tomar corticóides em doses maciças para me curar e o efeito colateral deste medicamento afetou gravemente a cartilagem da cabeça do fêmur. Por isso tive que colocar uma prótese na cabeça do fêmur. E dobrar a Arrowhead, mas essa última ainda tenho essa chance agora.

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P: Como está sendo sua preparação para este desafio?

Marcio Villar: Está sendo muito mental. Já conheço muito a prova. Sei de todas as dificuldades, que para nós, brasileiros, é muito complicado. Os outros atletas são de lá e estão acostumados com o clima frio e eu vou para lá no nosso verão, que é muito quente. Tomar esse choque de temperatura é complicado, mas estou tranquilo. Me sinto feliz, com a certeza de dever cumprido, Queria fazer muito mais por muitos anos, mas a doença autoimune fez eu antecipar minha aposentadoria. Foram uma operação na cabeça, duas na coluna e a prótese no quadril.

Para acompanhar o desafio de Marcio Villar na Arrowhead 135, basta acessar este link a partir das 10h (horário de Brasília), quando será dada a largada.

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