Rigoni

Elegância e um estilo único de montar: Luiz Rigoni foi o maior jóquei de todos os tempos no turfe carioca

Rafael Cavalcanti
02/08/2016
20:08

Como na regra de três, Rigoni está para o turfe assim como Pelé está para o futebol. Considerado por muitos turfistas como o maior jóquei de todos os tempos, Luiz Rigoni escreveu um dos capítulos mais especiais do turfe brasileiro, ficando como uma das únicas unanimidades no esporte dos reis. Por sua elegância ao montar e a forma curiosa de passar o chicote entre as orelhas dos cavalos que conduzia, Rigoni ganhou do pianista e compositor Luis Reis, um apaixonado por turfe, o apelido de Homem do Violino. Nesta quinta-feira, 4 de agosto, completam dez anos de sua morte.

Paranaense, o freio Rigoni começou no turfe como cavalariço, estreando como jóquei em 42, aos 15 anos, no Hipódromo do Guabirotuba, em Curitiba. Conseguiu sua primeira vitória em 16 de maio de 1943, conduzindo a égua Namorada, treinada por Júlio Cavichiolo e defendendo as cores de seu pai, Domingos Rigoni.

Em 44, sua primeira vitória no Rio
Aos 18 anos, ingressava na Gávea, em meio ao domínio dos jóqueis chilenos e argentinos, principalmente. Sua estreia foi um fracasso, a última colocação, conduzindo a égua Juraia, em 3 de junho de 44. No dia seguinte, porém, Rigoni venceria, no dorso de Que Lindo.

Ao ser contratado por José Buarque de Macedo, Rigoni começou a deslanchar. Sua consagração vinha com Garbosa Bruleur, com quem venceu oito provas seguidas, inclusive uma especial, o GP São Paulo de 48, desbancando o invicto e extraordinário Helíaco. Obteve o bicampeonato do GP São Paulo, em 49, com Saravan.

Em 1950, já famoso, Rigoni quase morreu em um acidente de automóvel, sofrendo fratura de crânio, deixando-o afastado das pistas por um longo período. Cinco anos depois, em 55, outro susto, na raia desta vez: rodou do dorso de Porfio e ficou oito meses hospitalizado.

Entre os dois episódios, conquistou seu primeiro Grande Prêmio Brasil, em 54, com El Aragonés, mesmo ano em que foi recordista de vitórias numa temporada, com 183 vitórias. Na milha internacional, foi bicampeão com o excelente Quartier Latin.

Em 54, Rigoni e o jóquei chileno Emidgio Castillo disputavam a estatística até última reunião. Faixas trazidas pelos seus admiradores eternizaram uma expressão no turfe: “Dá-lhe, Rigoni”. Na última reunião da temporada, Rigoni venceu duas carreiras e Castillo passou em branco: 183 a 181.

Rigoni venceria mais duas vezes o GP Brasil. Em 1970, com Viziane e, no ano seguinte, com Terminal. O jóquei ganhou oito estatísticas, montando no Rio e algumas temporadas em São Paulo. E foi justamente em Cidade Jardim que o Homem do Violino tocou sua ‘última nota’, em 81, ao cair da égua Esfuziada quando fazia um exercício no partidor, fraturando a clavícula. Tentou seguir no turfe como treinador, sem sucesso.

Em 2004, quando se passaram 50 anos de primeira vitória no GP Brasil, Luiz Rigoni recebeu uma homenageado pelo Jockey Club Brasileiro, ao lado de Juvenal, que completava 25 de seu primeiro êxito na nossa prova máxima, com Aporé. Foi a última aparição de Rigoni na Gávea.

A iniciativa da homenagem, vale citar, foi do saudoso jornalista Marco Aurélio Ribeiro, que teve uma passagem brilhante no turfe carioca: extraordinário ser humano, foi treinador, editor de turfe em O Globo por décadas e locutor oficial do JCB.

Diferenciado em todos os sentidos
Rigoni tinha um jeito único de montar, impossível de ser copiado. Jóquei elegante, corajoso, ousado, inteligente, frio e calculista. “Todo homem que monta um cavalo a quase 80 quilômetros por hora tem de ser respeitado. Afinal, se não houvesse perigo, os páreos não seriam acompanhados por uma ambulância”, disse à Revista Veja, em abril de 84.

O Homem do Violino venceu cerca de 1.800 provas, sendo, destas, 1.367 na Gávea, onde é reverenciado até hoje como a maior lenda de todos os tempos.

Até um tango (“Dá-lhe, Rigoni”) foi composto para ele e cantado por Nuno Roland.

Nunca se viu um jóquei como Rigoni. Parafraseando o grito que embalou por muitos anos as disputas na Gávea, saudamos o ídolo: ‘Dá-lhe Rigoni’!