icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso
10/07/2014
05:01

O Mister Pan-Americano. Tal alcunha pode muito bem ser usada para falar do nadador Thiago Pereira. Afinal, com 12 medalhas de ouro, ele é o maior medalhista de ouro do Brasil na competição. Mas então o que falta para ele? Ser o maior medalhista do país, já que falta apenas mais uma láurea para igualar o ex-nadador Gustavo Borges: são 19 contra 18.

Thiago conquistou suas primeiras medalhas em Santo Domingo, em 2003. Na ocasião, não subiu ao degrau mais alto do pódio e levou uma prata e um bronze. Mas desde então, se acostumou a vencer. No Rio de Janeiro, em 2007, foram seis ouros, uma prata e um bronze. Já na última edição, em Guadalajara, em 2011, levou mais seis ouros, com outra prata e outro bronze.

Aos 28 anos, o nadador vê o Pan de Toronto, em 2015, como uma boa oportunidade de alcançar novos recordes e até se tornar o maior medalhista da história da competição. Se não bastasse, os Jogos ainda vão servir de preparação para a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.

Confira uma entrevista com o brasileiro:

LANCE!Net: O que representa os Jogos Pan-Americanos para sua carreira?
Thiago Pereira: Representa superação e dedicação. Foi no Pan de 2007 que vi que era possível nadar mais provas e conseguir resultados expressivos. É uma competição da qual tenho apenas boas lembranças, entre elas uma das melhores sensações que já vivi: a torcida e o carinho do povo brasileiro no Pan de 2007, que foi no Rio de Janeiro. No Pan de Guadalajara consegui a mesma quantidade de medalhas e passei a ser o recordista de medalhas de ouro na competição. Em 2015, vejo o Pan como um desafio pessoal, já que tenho a chance de me tornar o maior medalhista da história da competição. Espero poder escrever mais um capítulo feliz nesta história e representar nosso país da melhor forma possível.

L!Net: Você já participou de três edições da competição. Qual a mais marcante?
TP: Todas foram marcantes por diferente motivos e me trouxeram diferentes sensações. Em 2003, eu estava entrando na Seleção, disputei pela primeira vez o evento e tinha apenas 17 anos. O de 2007 é, sem dúvida, o mais especial. Primeiro por ter sido no Brasil, em casa, onde pude contar com todo o apoio da nossa maravilhosa torcida, que por experiência posso dizer, não tem igual. Além disso, foi o ano que ganhei o prêmio de melhor atleta do país, que teve uma grande relação com a repercussão dos meus resultados nesta competição. Já em 2011, tive a oportunidade de mostrar mais maturidade e o quão pronto eu estava para brigar pela medalha olímpica em 2012.

L!Net: O que representa ser o maior medalhista de ouro do Brasil na competição?
TP: Foi um orgulho superar Hugo Hoyama em números de ouro. Hoje, sou recordista de medalhas de ouro (recordista por edição e no total) e tenho 18 medalhas em Pan-Americanos, faltando apenas uma para alcançar nosso maior medalhista brasileiro, meu grande amigo Gustavo Borges. Fora isso, faltam quatro medalhas para me igualar ao maior medalhista de todos os tempos, que é Eric López, um ginasta cubano que conquistou 22. Ano que vem, temos mais uma edição dos Jogos em Toronto e estou bem motivado a bater esses recordes. Essa marca representa a concretização de uma longa jornada de trabalho. Hoje, olho para trás e só tenho boas lembranças desta competição e um orgulho imenso de ter levado nossa bandeira ao lugar mais alto do pódio por 12 vezes.

L!Net: Falta um ano para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015. O que já dá para programar para a competição? Você tem alguma meta de conquistas?
TP: O próximo ano será marcado por muitas competições. Não vai ser nada fácil. Para se ter uma ideia, temos os Jogos Pan-Americanos em Toronto e menos de duas semanas depois temos o Mundial na Rússia. Ainda estou desenvolvendo com a minha equipe o melhor programa de treinamento para encarar essas duas grandes competições em um curto espaço de tempo, mas a minha meta é quebrar o recorde de medalhas. Ainda não sabemos quais serão as provas que eu vou nadar e essa escolha vai depender muito dos resultados deste ano.

L!Net: O Pan-Americano é a principal competição em que é formada uma delegação brasileira antes da Olimpíada. O que o resultado nos Jogos pode influenciar na Rio-2016?
TP: Não só o Pan Americano, mas o também o Mundial. O Pan se destaca por ser uma espécie de "mini Olimpíada", seguindo muito do modelo olímpico, como por exemplo a hospedagem dos atletas em Vilas Olímpicas, onde a delegação do país fica toda reunida, e também pelo fato de competirem diversas modalidades. Já o Mundial de Kazan, na Rússia, é apenas para esportes aquáticos e tem um nível de competidores mais elevados, até por não se restringir a determinados países a participação. Resultados positivos nas duas competições com certeza é uma motivação a mais para competir a Olimpíada, é uma demonstração de que o que foi feito até então surtiu efeito. Porém, ao mesmo tempo, não garante lugar no pódio, nem quer dizer que suas marcas e dos seus adversários vão se repetir.

L!Net: A Copa do Mundo está perto de acabar. Você acredita que, após o Mundial de futebol, as pessoas vão começar a olhar mais para o esporte olímpico?
TP: Com certeza! O próprio mercado vem nos mostrando isso. O ideal seria que os dois eventos fossem trabalhados paralelamente, afinal em dois anos não temos como fazer um trabalho bom para conseguir novos atletas, ou até mesmo incentivarmos atletas que já estão em atividade. Os grandes atletas costumam ser criados em grandes estruturas e dois anos é um tempo muito curto para desenvolver esses dois trabalhos. Espero que muita gente se motive com os Jogos que estão por vir e que o Brasil consiga correr atrás do "prejuízo" e formar um grande legado de estrutura, de atletas e de mentalidade esportiva. Digo isso porque entendo que o Brasil seja o país do futebol e que esse esporte seja um ponto fora da curva, seja pela visibilidade que dá ou pelos talentos natos que temos, mas não acho que precisamos nos contentar em ser o país de um esporte quando podemos ser também de tantos outros. Quantos atletas e grandes talentos já não foram perdidos e quantos mais terão que ser? Nosso país precisa de novos ídolos, não só no futebol, nem na natação, mas em todas as modalidades. Os Jogos Olímpicos no Brasil ainda podem servir como um primeiro passo para essa evolução.

L!Net: Nos Jogos Sul-Americanos, você se mostrou um líder dentro do grupo atual da natação brasileira e até comentou algumas ações que você e outros atletas estavam tomando para unir mais os nadadores. Isso continua?
TP: Eu procuro essa responsabilidade de liderar a equipe, porque ainda que tenha apenas 28 anos sou um dos mais experientes, já que estou na seleção há 12 anos. Quando entrei, por exemplo, tinha o Gustavo Borges e o Fernando Scherer como exemplos. Foram eles que me ajudaram a superar essa fase inicial e me adaptar a essa nova realidade, então tento fazer o mesmo com os atletas que estão começando.