icons.title signature.placeholder Rodrigo Vessoni
25/06/2014
07:56

Rússia e Coréia do SUl se enfrentaram em Cuiabá pela primeira rodada da Copa do Mundo. Em um dos parapeitos do estádio, uma bandeira quadrada e pequena, com dois nomes (Dinamo e Moscou), a imagem de uma caveira qualquer, o distintivo do clube mais popular daquele país europeu e um outro símbolo com uma bola e duas faixas.

Uma bandeira aparentemente inofensiva que, na verdade, de inofensiva não tem nada. Aquele pedaço de pano nada mais é do que uma mensagem subliminar de umas das piores passagens da história. O símbolo desconhecido é a Cruz Celta, utilizada por neonazistas europeus em referência a antepassados e suas raízes. Em outras palavras: um símbolo ultra-direita, que enaltece o nazismo e o fascismo.

O desenho da caveira na bandeira também não é nada inofensiva e traz, na verdade, uma simbologia que o povo brasileiro e nossos estádios não estão acostumados. Trata-se do símbolo da 3ª Divisão da Waffen-SS, a tropa de elite do Partido Nazista. Essa corporação, cujo seus membros eram guardas de campo de concentração, foi uma das 38 divisões militares da Waffen-SS durante a Segunda Guerra.

Essa bandeira trazida ao Brasil por um russo foi um exemplo velado desse lado escuro da Copa, assim como outros pedaços de pano que, provavelmente, estão sendo levados aos estádios sem percepção dos brasileiros. No jogo entre Alemanha e Gana. no último sábado, na Arena Castelão, um outro caso que, segundo à imprensa estrangeira, também remete ao problema.

Um homem branco, sem camisa e de barba invadiu o gramado para divulgar uma mensagem escrita à tinta em seu peito. Mensagem essa que, segundo a imprensa internacional, fazia referência à ideias nazistas. A inscrição 'HHSSCC', de acordo com algumas publicações, trazia o "HH' como referência à saudação Heil Hitler e o "SS" como referência à tropa de elite nazista. O homem é o polonês Leszek Ludomir, de 30 anos, que negou. Em seu Facebook, diz que se tratava de um telefone e um email para receber doações e conseguir comprar ingressos para outros jogos da competição. Segundo ele, parte da pintura não seria "SS", mas sim "44".

Houve ainda o caso de dois torcedores brancos, cuja nacionalidades não foram conhecidas e/ou divulgadas, que pintaram o rosto com uma tinta preta e usaram camisas brancas com o nome 'Gana' escrito em preto nas mesmas. Casos que representam esse lado obscuro da Copa do Mundo disputada no Brasil. Infelizmente.


Fifa é alertada e promete investigar os casos

As referências ao nazismo e ao racismo nos 12 estádios brasileiros utilizados na Copa do Mundo estão sendo investigadas pela Fifa, que tomou ciência dos casos por meio da rede europeia Fare (Football Against Racism in Europe), responsável pela supervisão do comportamento dos torcedores nos estádios do Velho Continente.

A entidade enviou provas à entidade máxima do futebol mundial de mensagens de mensagens de ideologia ultradireitas de torcedores croatas e russos, além de caso de racismo dos dois torcedores que pintaram o rosto de preto e escreveram a palavra 'Gana' em suas camisetas.

- Ainda não recebemos o relatório das pessoas envolvidas no jogo (do torcedor com suposta mensagem nazista). E, se for o caso, vamos abrir investigação. Temos posição forte, e o caso está sendo analisado, afirmou o responsável pela comunicação da Fifa, Delia Fischer, que ainda comentou sobre as bandeiras com símbolos ultra-direita.

- Se algo assim for visto, ele será removido (das arquibancadas). Temos claramente tolerância zero a qualquer forma de discriminação - completou Fischer.

Vale lembrar que, na Eurocopa de 2012, a seleção russa foi penalizada com seis pontos na fase de classificação para a Eurocopa de 2016 após alguns de seus torcedores empunharem cartazes ofensivos e chamarem jogadores negros de “engraçados”. A Fifa diz que pode até eliminar times e seleções de campeonato.

Em tempo: recentemente, a presidenta Dilma Rousseff convidou líderes religiosos de todo mundo a se manifestarem contra o racismo e a discriminação nos meses anteriores à Copa, depois de alguns incidentes racistas ocorreram nos campeonatos estaduais e nacionais. "O Mundial dos Mundiais será também o Mundial da Paz e o Mundial contra o Racismo", escreveu Dilma na rede social Twitter.