icons.title signature.placeholder Walter de Mattos Junior
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02/07/2013
08:41


Política é sempre um tema sensível na entidade que comanda o futebol mundial. O cenário para a próxima eleição, em 2015, ainda está se desenhando, e as forças vão se organizar dependendo de como o atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, definirá o seu papel: se tentará mais uma reeleição ou se fará o seu sucessor.

Nesta segunda parte da entrevista exclusiva, concedida ao fundador e editor do LANCE!, Walter de Mattos Junior, em um hotel de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, Blatter não dá uma resposta direta se será candidato novamente e apenas esboça um sorriso de canto de boca quando a pergunta lhe é feita. Tampouco, o presidente da Fifa responde diretamente se apoiaria o atual secretário-geral Jérôme Valcke caso decida sair da cena política. Confira o que disse o dirigente.

Walter de Mattos Junior: O senhor não fez ainda nenhum anúncio público se vai concorrer à reeleição. O senhor vai tentar comandar por mais quatro anos a Fifa?
Joseph Blatter: Não depende só da minha vontade ou do meu desejo. Antes de tudo, quando tive algumas dificuldades, há alguns anos, disse que devia ser minha última eleição, que deveria parar. E agora vejo esta conexão especial que tivemos na Copa das Confederações e vamos para a Copa do Mundo. Antes de irmos às urnas, eu devo entregar a melhor Copa do Mundo no Brasil ano que vem. E depois nós vamos ver o que acontece. Nós nunca sabemos, na verdade, no futebol. Temos visto, nos últimos encontros do Comitê Executivo, que há um movimento na família do futebol, no futebol europeu, para dar maior importância aos clubes que às federações nacionais. E também há um movimento de que a Fifa não deveria ser uma organização em forma de pirâmide, mas horizontal, como as confederações fazem. Os membros do Comitê da Fifa não são membros das federações nacionais, e sim das confederações continentais. E isso não é bom, porque cinco das confederações não gostam disso. É um desejo somente da confederação europeia, que é a maior e na qual há os maiores clubes jogando. É importante mantermos para o futuro, para depois de 2015, a Fifa como a organização que olha com a mesma intensidade e a mesma correção para as federações nacionais. Vale para o Brasil e para esses pequenos países das ilhas caribenhas, todos são membros. A maioria deles tem um voto. Um tem um futebol melhor, e o outro gostaria de ter um futebol melhor. Temos de ter solidariedade. Solidariedade só é possível se você estiver em uma grande família. Se não, os ricos ficarão mais ricos, e os outros vão perder participação. Isso é porque atualmente há esta discussão, se a Fifa deve se manter ou não nessa estrutura de pirâmide. É por isso que devo considerar, e me pediram para considerar um outro mandato. Essa é a situação atual que temos. Por outro lado, não é uma questão de idade. Limitar por idade, acho que é uma discriminação. Limite de idade você tem apenas uma vez na vida, quando passa a ser um cidadão de um país e ganha direitos civis completos. Fora isso, não deve haver limite de idade. Ou você é bom ou não é. Não estou falando sobre a minha própria idade, que pode ser uma desvantagem se você não tem energia ou vontade para comandar. Eu tenho de pensar sobre isso, porque hoje tenho 77 anos. Também tenho de olhar para minha vida privada, que tem sido negligenciada. Ela existe, não abandonei. Tenho minha família e minhas filhas, não estou sozinho e abandonado. Mas me pergunto se não é a hora certa de começar a dar mais ênfase à minha vida particular, depois de tantos anos que eu perdi por estar no futebol. Estou hesitando um pouco.


Blatter ainda não sabe se vai tentar mais uma reeleição (Foto: Yuri Cortez/AFP)

WMJr.: Perguntei ao Valcke se, no caso de o senhor não se candidatar, ele o apoiaria. E Valcke pediu para eu fazer essa pergunta ao senhor. O senhor apoiaria essa candidatura?
JB: Se eu não concorrer na eleição, então, pelo menos, tenho de ver quem pode ser o candidato. Mas não só o candidato, mas quem pode ser o sucessor que vai manter o que construímos. Não estou falando só sobre mim mesmo, mas o que foi desenvolvido nos últimos anos, juntos, com a ajuda de outras entidades para desenvolver o futebol. Começamos com patrocinadores, que agora são parceiros nisso. Em 1975, começamos e depois tivemos essa parceria com a televisão. No fim da década de 80, início dos anos 90, essa combinação deu ao futebol a plataforma para crescer. Não só a plataforma para ser vista em todo lugar, mas também a financeira. Sei que há outros candidatos no mundo, alguém dentro da Fifa, da família do futebol, penso que não seria em detrimento (de uma pessoa de fora). Mas não vou fazer agora nenhum tipo de anúncio.

LEIA TAMBÉM
- Blatter dá nota 8 ao Brasil na Copa e faz cobrança por futebol feminino
- Declarações de Blatter sobre legado da Copa incomodam governo federal
- Blatter: 'Não entendo por que de 2007 até agora não foi feito mais, como estabelecido'

WMJr.: Há um movimento de elitização do futebol. O que o senhor pensa disso?
JB: Concordo com você quando diz que o futebol agora está se tornando um jogo para a elite. Mas é da elite quando está na esfera das competições dos clubes. Assim, há uma competição que domina as demais, que é a Liga dos Campeões da Europa. A liga europeia e as grandes ligas organizadas na Europa atraem todos os jogadores do mundo jogando lá. Se você põe sul-americanos, africanos e agora até asiáticos para jogar lá, não vai ter tantos jogadores europeus atuando. Então, há um internacionalismo nesses clubes. É isso que eu chamo de elitização. E há um movimento na Europa para fundar uma liga independente europeia, fora da Uefa. Começou há alguns anos com os 14 maiores. Foi um pouco abandonado, mas a ideia ainda está lá, indo para as seleções nacionais e depois para a Copa do Mundo. A vantagem dessa concentração dos melhores jogadores na Europa, de diferentes federações nacionais é que isso é muito bom para as seleções nacionais, porque algumas têm todos os seus jogadores atuando na Europa e não ali, em suas respectivas ligas nacionais, como Argentina e Brasil. Quando você tem um sistema que permite que seus jogadores atuem no país, eles são líderes, como são os casos de Espanha, Alemanha e Itália. Por quê? Porque todos jogam lá.

WMJr.: Quando seu mandato terminar, qual legado você diria que foi o do Blatter, sua contribuição para o futebol?
JB: Garantir que o futebol possa ser usado como uma ferramenta de educação na nossa sociedade. Porque o futebol é baseado na disciplina, no respeito. É um jogo combativo, mas dentro do espírito do jogo limpo. Você pode usar essas qualidades e características desse jogo para trazer isso para a sociedade. Não só para o campo, mas trazer para as famílias, para os negócios, para a população e – por que não? – para dentro da política. Aí nós teremos realizado alguma coisa. Esse é o meu objetivo. Quando estiver fora da Fifa, eu vou me converter um pouco como um missionário, para dizer que o futebol pode ajudar. O futebol é esperança, traz emoções. É um elemento da nossa sociedade que não pode passar indiferente a ela.

WMJr.: Quando o senhor se aposentar, voltaria a escrever sobre futebol?
JB: Definitivamente, quando minha carreira na Fifa terminar, eu quero escrever. Não comentar o jogo, quero escrever sobre a estrutura e o simbolismo da bola, fazer dela um símbolo da paz. O futebol tem uma força intrínseca. É por isso que eu digo que é mais do que um jogo. Quanto ao jogo, aí é entretenimento, é emoção, é paixão, tem drama. Em finais, quando o jogo vai para a disputa de pênaltis, o que é isso? São chutes para, no fim, classificar alguém. Não é só um drama, é uma tragédia.

Confira outras declarações de Joseph Blatter:
> 'Em um país que ainda é identificado como a sexta economia do mundo, eu posso entender agora toda essa reação em torno dos protestos'
> 'Futebol é uma religião aqui. Os estádios são como catedrais, e nas catedrais você põe tudo o que as cidades escolhem'
> 'Organizar uma Copa do Mundo não é só uma questão de dinheiro. É uma questão também de investimento do próprio país'
> 'O Código de Ética e Conduta na Fifa serve para todos'
> Leia isso e muito mais na primeira parte da entrevista do presidente da Fifa Joseph Blatter ao LANCE!Net

Blatter chegou a dizer que viraria comentarista

Joseph Blatter, que agora não nega a possibilidade de ficar no poder até 2019, chegou a dizer, durante a campanha da eleição mais recente na entidade, que o atual mandato, até 2015, seria o último dele.

– Estes quatro anos são os últimos para os quais pretendo me candidatar – afirmou, meses antes do pleito, em 2011.

O dirigente, inclusive, cogitou trabalhar com o jornalismo esportivo.

– Planejo viver um sonho que tinha quando era garoto: trabalhar na mídia como comentarista de rádio ou como repórter – disse, à Sky Sports, na época.

Por muitos anos Blatter foi secretário-geral da Fifa (entre 1981 e 1998). Foi depois desse período que ele sucedeu o brasileiro João Havelange no comando da entidade máxima do futebol. Diante da iniciativa anterior do suíço de deixar a Fifa, a linha de sucessão foi cogitada entre Michel Platini, presidente da Uefa, e Jérôme Valcke, que hoje desempenha a função anterior de Blatter.



Havelange presidiu a Fifa de 1974 a 1998, sendo sucedido por Blatter (Foto: Antonio Scorza/AFP)

Lista de presidentes da Fifa

João Havelange - Brasileiro (1974-1998)
Stanley Rous - Inglês (1961-1974)
Arthur Drewry - Inglês (1955-1961)
Rodolphe Seeldrayers - Belga (1954-1955)
Jules Rimet - Francês (1921-1954)
Daniel Burley Woolfall - Inglês (1906-1918)
Robert Guérin - Francês (1904-1906)

Mais elogios à Copa das Confederações

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, voltou a elogiar a organização da Copa das Confederações no Brasil e usou palavras como "extraordinária" e "fantástica" para classificar a competição.

– Chegamos à conclusão, depois dos jogos, de que houve a realização de um evento extraordinário. Eu sou um fã do futebol, como vocês. O que nós vimos no domingo, no Maracanã, nunca vi na minha vida. Os torcedores foram extraordinários, fantásticos – disse Blatter, em coletiva de imprensa, após a primeira de uma série de reuniões de avaliação da Copa das Confederações, na manhã de segunda-feira, no Rio de Janeiro.


Blatter diz que a torcida brasileira deu show na final, no Maracanã (Foto: Nelson Almeida/AFP)

O presidente da Fifa também se mostrou positivo na expectativa para a Copa-2014 e aprovou a organização da competição.

– Eu diria que, quando a gente está na universidade estudando, a gente precisa, na conclusão do curso, ter uma nota oito para poder receber a graduação. Certamente eu diria que o Brasil vai se formar na Copa do ano que vem – sentenciou Joseph Blatter.


Política é sempre um tema sensível na entidade que comanda o futebol mundial. O cenário para a próxima eleição, em 2015, ainda está se desenhando, e as forças vão se organizar dependendo de como o atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, definirá o seu papel: se tentará mais uma reeleição ou se fará o seu sucessor.

Nesta segunda parte da entrevista exclusiva, concedida ao fundador e editor do LANCE!, Walter de Mattos Junior, em um hotel de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, Blatter não dá uma resposta direta se será candidato novamente e apenas esboça um sorriso de canto de boca quando a pergunta lhe é feita. Tampouco, o presidente da Fifa responde diretamente se apoiaria o atual secretário-geral Jérôme Valcke caso decida sair da cena política. Confira o que disse o dirigente.

Walter de Mattos Junior: O senhor não fez ainda nenhum anúncio público se vai concorrer à reeleição. O senhor vai tentar comandar por mais quatro anos a Fifa?
Joseph Blatter: Não depende só da minha vontade ou do meu desejo. Antes de tudo, quando tive algumas dificuldades, há alguns anos, disse que devia ser minha última eleição, que deveria parar. E agora vejo esta conexão especial que tivemos na Copa das Confederações e vamos para a Copa do Mundo. Antes de irmos às urnas, eu devo entregar a melhor Copa do Mundo no Brasil ano que vem. E depois nós vamos ver o que acontece. Nós nunca sabemos, na verdade, no futebol. Temos visto, nos últimos encontros do Comitê Executivo, que há um movimento na família do futebol, no futebol europeu, para dar maior importância aos clubes que às federações nacionais. E também há um movimento de que a Fifa não deveria ser uma organização em forma de pirâmide, mas horizontal, como as confederações fazem. Os membros do Comitê da Fifa não são membros das federações nacionais, e sim das confederações continentais. E isso não é bom, porque cinco das confederações não gostam disso. É um desejo somente da confederação europeia, que é a maior e na qual há os maiores clubes jogando. É importante mantermos para o futuro, para depois de 2015, a Fifa como a organização que olha com a mesma intensidade e a mesma correção para as federações nacionais. Vale para o Brasil e para esses pequenos países das ilhas caribenhas, todos são membros. A maioria deles tem um voto. Um tem um futebol melhor, e o outro gostaria de ter um futebol melhor. Temos de ter solidariedade. Solidariedade só é possível se você estiver em uma grande família. Se não, os ricos ficarão mais ricos, e os outros vão perder participação. Isso é porque atualmente há esta discussão, se a Fifa deve se manter ou não nessa estrutura de pirâmide. É por isso que devo considerar, e me pediram para considerar um outro mandato. Essa é a situação atual que temos. Por outro lado, não é uma questão de idade. Limitar por idade, acho que é uma discriminação. Limite de idade você tem apenas uma vez na vida, quando passa a ser um cidadão de um país e ganha direitos civis completos. Fora isso, não deve haver limite de idade. Ou você é bom ou não é. Não estou falando sobre a minha própria idade, que pode ser uma desvantagem se você não tem energia ou vontade para comandar. Eu tenho de pensar sobre isso, porque hoje tenho 77 anos. Também tenho de olhar para minha vida privada, que tem sido negligenciada. Ela existe, não abandonei. Tenho minha família e minhas filhas, não estou sozinho e abandonado. Mas me pergunto se não é a hora certa de começar a dar mais ênfase à minha vida particular, depois de tantos anos que eu perdi por estar no futebol. Estou hesitando um pouco.


Blatter ainda não sabe se vai tentar mais uma reeleição (Foto: Yuri Cortez/AFP)

WMJr.: Perguntei ao Valcke se, no caso de o senhor não se candidatar, ele o apoiaria. E Valcke pediu para eu fazer essa pergunta ao senhor. O senhor apoiaria essa candidatura?
JB: Se eu não concorrer na eleição, então, pelo menos, tenho de ver quem pode ser o candidato. Mas não só o candidato, mas quem pode ser o sucessor que vai manter o que construímos. Não estou falando só sobre mim mesmo, mas o que foi desenvolvido nos últimos anos, juntos, com a ajuda de outras entidades para desenvolver o futebol. Começamos com patrocinadores, que agora são parceiros nisso. Em 1975, começamos e depois tivemos essa parceria com a televisão. No fim da década de 80, início dos anos 90, essa combinação deu ao futebol a plataforma para crescer. Não só a plataforma para ser vista em todo lugar, mas também a financeira. Sei que há outros candidatos no mundo, alguém dentro da Fifa, da família do futebol, penso que não seria em detrimento (de uma pessoa de fora). Mas não vou fazer agora nenhum tipo de anúncio.

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WMJr.: Há um movimento de elitização do futebol. O que o senhor pensa disso?
JB: Concordo com você quando diz que o futebol agora está se tornando um jogo para a elite. Mas é da elite quando está na esfera das competições dos clubes. Assim, há uma competição que domina as demais, que é a Liga dos Campeões da Europa. A liga europeia e as grandes ligas organizadas na Europa atraem todos os jogadores do mundo jogando lá. Se você põe sul-americanos, africanos e agora até asiáticos para jogar lá, não vai ter tantos jogadores europeus atuando. Então, há um internacionalismo nesses clubes. É isso que eu chamo de elitização. E há um movimento na Europa para fundar uma liga independente europeia, fora da Uefa. Começou há alguns anos com os 14 maiores. Foi um pouco abandonado, mas a ideia ainda está lá, indo para as seleções nacionais e depois para a Copa do Mundo. A vantagem dessa concentração dos melhores jogadores na Europa, de diferentes federações nacionais é que isso é muito bom para as seleções nacionais, porque algumas têm todos os seus jogadores atuando na Europa e não ali, em suas respectivas ligas nacionais, como Argentina e Brasil. Quando você tem um sistema que permite que seus jogadores atuem no país, eles são líderes, como são os casos de Espanha, Alemanha e Itália. Por quê? Porque todos jogam lá.

WMJr.: Quando seu mandato terminar, qual legado você diria que foi o do Blatter, sua contribuição para o futebol?
JB: Garantir que o futebol possa ser usado como uma ferramenta de educação na nossa sociedade. Porque o futebol é baseado na disciplina, no respeito. É um jogo combativo, mas dentro do espírito do jogo limpo. Você pode usar essas qualidades e características desse jogo para trazer isso para a sociedade. Não só para o campo, mas trazer para as famílias, para os negócios, para a população e – por que não? – para dentro da política. Aí nós teremos realizado alguma coisa. Esse é o meu objetivo. Quando estiver fora da Fifa, eu vou me converter um pouco como um missionário, para dizer que o futebol pode ajudar. O futebol é esperança, traz emoções. É um elemento da nossa sociedade que não pode passar indiferente a ela.

WMJr.: Quando o senhor se aposentar, voltaria a escrever sobre futebol?
JB: Definitivamente, quando minha carreira na Fifa terminar, eu quero escrever. Não comentar o jogo, quero escrever sobre a estrutura e o simbolismo da bola, fazer dela um símbolo da paz. O futebol tem uma força intrínseca. É por isso que eu digo que é mais do que um jogo. Quanto ao jogo, aí é entretenimento, é emoção, é paixão, tem drama. Em finais, quando o jogo vai para a disputa de pênaltis, o que é isso? São chutes para, no fim, classificar alguém. Não é só um drama, é uma tragédia.

Confira outras declarações de Joseph Blatter:
> 'Em um país que ainda é identificado como a sexta economia do mundo, eu posso entender agora toda essa reação em torno dos protestos'
> 'Futebol é uma religião aqui. Os estádios são como catedrais, e nas catedrais você põe tudo o que as cidades escolhem'
> 'Organizar uma Copa do Mundo não é só uma questão de dinheiro. É uma questão também de investimento do próprio país'
> 'O Código de Ética e Conduta na Fifa serve para todos'
> Leia isso e muito mais na primeira parte da entrevista do presidente da Fifa Joseph Blatter ao LANCE!Net

Blatter chegou a dizer que viraria comentarista

Joseph Blatter, que agora não nega a possibilidade de ficar no poder até 2019, chegou a dizer, durante a campanha da eleição mais recente na entidade, que o atual mandato, até 2015, seria o último dele.

– Estes quatro anos são os últimos para os quais pretendo me candidatar – afirmou, meses antes do pleito, em 2011.

O dirigente, inclusive, cogitou trabalhar com o jornalismo esportivo.

– Planejo viver um sonho que tinha quando era garoto: trabalhar na mídia como comentarista de rádio ou como repórter – disse, à Sky Sports, na época.

Por muitos anos Blatter foi secretário-geral da Fifa (entre 1981 e 1998). Foi depois desse período que ele sucedeu o brasileiro João Havelange no comando da entidade máxima do futebol. Diante da iniciativa anterior do suíço de deixar a Fifa, a linha de sucessão foi cogitada entre Michel Platini, presidente da Uefa, e Jérôme Valcke, que hoje desempenha a função anterior de Blatter.



Havelange presidiu a Fifa de 1974 a 1998, sendo sucedido por Blatter (Foto: Antonio Scorza/AFP)

Lista de presidentes da Fifa

João Havelange - Brasileiro (1974-1998)
Stanley Rous - Inglês (1961-1974)
Arthur Drewry - Inglês (1955-1961)
Rodolphe Seeldrayers - Belga (1954-1955)
Jules Rimet - Francês (1921-1954)
Daniel Burley Woolfall - Inglês (1906-1918)
Robert Guérin - Francês (1904-1906)

Mais elogios à Copa das Confederações

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, voltou a elogiar a organização da Copa das Confederações no Brasil e usou palavras como "extraordinária" e "fantástica" para classificar a competição.

– Chegamos à conclusão, depois dos jogos, de que houve a realização de um evento extraordinário. Eu sou um fã do futebol, como vocês. O que nós vimos no domingo, no Maracanã, nunca vi na minha vida. Os torcedores foram extraordinários, fantásticos – disse Blatter, em coletiva de imprensa, após a primeira de uma série de reuniões de avaliação da Copa das Confederações, na manhã de segunda-feira, no Rio de Janeiro.


Blatter diz que a torcida brasileira deu show na final, no Maracanã (Foto: Nelson Almeida/AFP)

O presidente da Fifa também se mostrou positivo na expectativa para a Copa-2014 e aprovou a organização da competição.

– Eu diria que, quando a gente está na universidade estudando, a gente precisa, na conclusão do curso, ter uma nota oito para poder receber a graduação. Certamente eu diria que o Brasil vai se formar na Copa do ano que vem – sentenciou Joseph Blatter.