Léo Saueia e Russel Dias
23/08/2016
08:30
São Paulo e Santos (SP)

Depois de diversas reuniões e negociações, o Santos dá nesta terça-feira um passo importante para a construção de um novo estádio. Na Vila Belmiro, sua quase centenária casa, conselheiros vão se reunir para conhecer o projeto da nova arena, em terreno que fica localizado a um quilômetro do atual estádio, ao lado das dependências do CT.

Até então, havia sido divulgado que a capacidade seria para 27 mil lugares, no terreno da Associação Atlética dos Portuários, com investimento de R$ 400 milhões de uma iniciativa privada, mantida em sigilo.

Ao LANCE!, o presidente do Santos, Modesto Roma Júnior, detalha algumas partes do projeto, até então sem explicação ao torcedor.

Primeiramente, o dirigente explica que, além do Alvinegro, farão parte da parceria investidores, a empresa Conexão 3, o clube Portuários e, possivelmente a Portuguesa Santista, dona de um estádio de 12 mil m².

A respeito de como o Peixe pode faturar, eis a divisão dos lucros.

- Vai se fazer uma empresa administradora da nova arena. O Santos fica com 40% dessa nova empresa. Os ganhos são da empresa. Além disso, nos primeiros anos, o Santos tem 12,5% da bilheteria e vai subindo até 40% da bilheteria até o vigésimo ano - conta Modesto Roma, ao LANCE!.

- O que a gente fala é de 30 meses para o prazo da construção após a aprovação do projeto. O que nós temos hoje é um pré-projeto - acrescenta, aguardando a opinião do Conselho Deliberativo na noite desta terça.

A princípio, o Santos não terá gastos para a construção da nova arena. A contribuição do clube para o empreendimento, que serviria como uma área comum para eventos, seria a imagem do Alvinegro para atrair torcedores e fãs do espetáculo.

Vila Belmiro
Perímetro circulado em preto corresponde à área do novo estádio (FOTO: Reprodução/Google Maps)

Na parceria, ainda está prevista uma revitalização da Vila Belmiro, além de estacionamento para mais de mil carros anexado à arena.

Se tudo ocorrer como está no papel, o mandatário estima que o Peixe pode lucrar cifras milionárias com o estádio, que não seria usado em todos os jogos do Alvinegro.

- É algo que vai alavancar R$ 70, 80 milhões no todo, bruto. Não é só jogo a jogo, são shows, sem esquecer que o Santos tem 40% do total.

Confira um bate-bola exclusivo com o presidente do Santos:

Após aprovação do Conselho, qual primeiro passo para a construção da nova arena?
Primeiro passo é criação de uma comissão para acompanhar isso, dentro do Conselho. A partir daí, negociar, confirmar os investidores, e fazer a aquisição dos imóveis. Já estão encaminhados, mas nada acontece enquanto não houver uma posição formal do Santos.

No papel, a capacidade do estádio é de 27 mil lugares. Te preocupa não poder sediar uma final de Libertadores, por exemplo?
Primeiro, essa exigência vai cair em breve, é uma exigência antiga. Os estádios precisam ter conforto e modernidade. Nos últimos 60 anos, fizemos quatro finais de Libertadores. Duas no Maracanã, uma no Morumbi e uma no Pacaembu. Se tivéssemos a arena, com certeza conseguiríamos derrubar essa exigência de 40 mil, porque é uma exigência ultrapassada. Além do que, você criar um estádio com mais de 40 mil lugares para um jogo, não tem apelo econômico.

O Santos tem, atualmente, uma média de público pouco acima de 10 mil. Por que acredita que vai elevar essa média em um estádio vizinho da Vila Belmiro?
Estudos de mercado. Com certeza um estacionamento mudaria. No momento que o estudo for mais necessário, ele vai ser mais apurado e vai dizer que sim. A ideia é essa de ter entre 23 e 24 mil pessoas de média.

O novo programa de sócios, válido a partir de 2017, vai ser feito pensando no estádio que, se sair do papel, ficará pronto em 2019?
Tem que mudar e beneficiar frequência. Outra coisa é administração das cativas. Se eu der vantagens a quem quiser disponibilizar sua cadeira, eu vou ter mais espaços para vender.