CUCA - PALMEIRAS

Cuca ao lado de Alexandre Mattos e Cícero Souza, seus superiores (FOTO: Cesar Greco/Palmeiras)

Fellipe Lucena
25/04/2016
09:15
São Paulo (SP)

Faz 42 dias que Cuca assumiu um Palmeiras em queda livre. Não conseguiu evitar o tombo, mas ao menos preparou o terreno para que o impacto de ver o semestre terminar em fracasso não fosse tão destruidor. O "novo Verdão" não brigará pelos títulos que estava disputando, mas tem um técnico que em pouco tempo mostrou coragem, repertório e conhecimento para montar times ofensivos, mudar a formação tática e fazer os atletas confiarem no que ele diz.

O Palmeiras deu adeus à Copa Libertadores e ao Campeonato Paulista em meio a uma série de sete jogos sem perder. Resta saber se a queda foi amortecida com um colchonete ou com uma cama elástica capaz de impulsionar a equipe para um segundo semestre vencedor. Hoje, dia seguinte a uma eliminação, o cenário mais provável parecer ser este último. E o grande responsável por isso é Cuca.

Marcelo Oliveira estava em um beco sem saída. O máximo que o técnico campeão da Copa do Brasil vinha conseguindo fazer era encontrar alternativas que davam alguma esperança na quarta-feira e se desmanchavam no domingo. O currículo vitorioso já não era suficiente para fazer o grupo comprar suas ideias. Era preciso mudar.

Dez entre dez palmeirenses imaginam que as chances de sucesso seriam maiores se o ano já começasse com Cuca. Mas como criticar uma diretoria por não demitir o técnico que acabara de ser campeão? É fato que no Brasileirão o time já não estava jogando "p... nenhuma", como define uma importante figura do clube em conversas informais, mas a ideia de oxigenar o elenco com saídas de jogadores que não vinham bem e chegadas de reforços era absolutamente compreensível.

Talvez o pacotão trazido pela diretoria não fosse tão bom como se fez pensar, já que alguns desses reforços até agora não justificaram a confiança. Somam-se a isso os fatos de que alguns jogadores que terminaram o ano passado em alta caíram muito, de que a comissão técnica já não conseguia sequer identificar o que estava faltando, de que a preparação física era questionada até intramuros... Enfim, muita coisa deu errado e há uma série de ajustes que o clube poderá fazer agora.

Haverá mudanças pontuais no elenco, alguns jogadores voltaram a jogar bem com Cuca - e outros ainda podem ser recuperados - e o técnico goza do respeito dos jogadores e da comissão técnica. Um dos motivos é o seu apreço pelas informações que a tecnologia fornece e para as quais Marcelo Oliveira não dava muita bola, segundo dizem no clube.

Serão 19 dias até a estreia no Campeonato Brasileiro, tempo que pode ser precioso para fazer de um semestre horrível o ponto de partida para um complemento de ano de sucesso. Técnico, agora incontestavelmente, não é o problema.