Cobresal

Jorge Acuña, aos 37 anos, foi contratado para disputar a Copa Libertadores de 2016 (Foto: Divulgação)

Gabriel Carneiro
17/02/2016
08:15
São Paulo (SP)

O Corinthians já teve em seu elenco, ao longo da história, jogadores com comportamentos polêmicos. Nenhum deles, entretanto, chega aos pés de um que estará frente a frente nesta quarta-feira, às 22h, pela primeira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores. Aos 37 anos, um dos possíveis titulares do Cobresal comandado pelo técnico Dalcio Giovagnoli é o meio-campista Jorge Acuña, conhecido como Kike. O camisa 6 do time chileno é revelação das categorias de base do Unión Española e soma passagens por clubes como Universidad Católica, Universidad do Chile e Feyenoord (Holanda), além de diversas convocações para a seleção de seu país. Mas é fora de campo que o veterano ganhou as manchetes.

Jovem revelação do futebol do Chile no início dos anos 2000, Kike não emplacou em sua passagem pelo futebol europeu, e retornou ao país em 2007, mas sem desenvolver o mesmo nível de atuação que o levou à seleção. Foi mais ou menos nesse período que sua vida ganhou atenção da imprensa especializada em celebridades, e não mais da esportiva. Em 2009, o primeiro escândalo de proporções nacionais chamou atenção para a vida pessoal de Jorge Acuña.

Jorge era casado com uma atriz do país chamada Carla Jara. Durante uma crise no relacionamento, ela decidiu entrar em um reality show chamado Pelotón, que propõe treinamento militar a seus participantes, geralmente subcelebridades e personalidades da mídia. Nesse período, Jorge entrou no programa para pedir a separação, e o caso gerou tumulto nos programas de televisão vespertinos do país. Solteiro, e já sem contrato com o modesto Unión San Felipe, Jorge Acuña decidiu que ele mesmo entraria na quinta temporada do Pelotón, e partiu para a aventura no meio de sua carreira profissional, sendo eliminado precocemente da disputa.

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Kike divulgou sua participação no Pelotón (Foto: Divulgação)

Além do reality show, Jorge Acuña ficou conhecido pelos diversos escândalos com mulheres e até foi preso duas vezes, a primeira por dirigir embriagado e a segunda por conta de uma confusão em sua casa denunciada por vizinhos. As festas eram constantes, e foi assim que ele ganhou o apelido de "El Señor de la Noche". Ano passado, em entrevista ao diário chileno "La Cuarta", o Kike explicou as razões de ser chamado deste modo pela mídia local:

- Ia sempre a muitas festas, me davam tudo de graça e sempre que eu chegava colocavam para tocar a canção 'El señor de la noche', aí todo mundo sabia que eu estava lá e me ovacionava. Eu adorava. Mas agora não faria mais isso - explicou Jorge Acuña, em referência à música cantada por Don Omar, intérprete de outros sucessos latinos, como Bandolero e Danza Kuduro.

Apesar das constantes polêmicas, Kike foi jogador do San Felipe por quatro temporadas, mas sempre na Segunda Divisão. Neste período, fez curso para ser treinador e "ajeitou a vida", como disse na entrevista reveladora. Após certo período parado, sem atividade profissional, ele foi convidado para voltar a jogar pelo Cobresal, que tentava se remontar e buscava experiência para a disputa da segunda Libertadores de sua história. Jorge Acunã agradeceu e topou o desafio. Já são seis jogos pelo clube, sendo dois como titular. E a expectativa de deixar o título de "senhor da noite" no passado.

- O Cobresal me viu como jogador de futebol, não como personalidade da mídia - diz.