Gabriela Consolmagno

Gabi com seu coach (Divulgação)

Patrícia Gonçalves
22/02/2021
17:30
Rio de Janeiro

A brasileira Gabi Consolmagno, 33 anos, começou 2021 como havia planejado: ficou em segundo lugar no Overall do Mr Olylmpia Amateur 2020 - maior competição fitness amadora dos EUA -, em Las Vegas, e conquistou o tão sonhado Pro Card, ou seja, tornou-se uma bodybuilder profissional no país e agora pode finalmente se dedicar exclusivamente ao esporte.

Natural de Piracicaba, Gabi, 1,63m, 66kg, concorreu na categoria Figure. Ela mora nos EUA desde 2016 e conquistou o Mr. Olympia Amateur após duas tentativas. E comemora não só o Pro Card, mas também a evolução pessoal dentro do esporte. Gabi destaca a importância do trabalho em equipe e do seu técnico, Emerson Secco:

- Meu coach Emerson Secco tem sido essencial em minhas vitórias nas competições. O vasto conhecimento dele é impressionante, às vezes ele faz pequenos ajustes que muda totalmente meu corpo. As técnicas utilizadas no exercícios que ele utiliza eu consigo sentir exatamente no ponto certo do músculo que estamos treinando. Desde que iniciei minhas preparações com ele todas foram totalmente diferentes. O fato dele estar a todo momento comigo faz com que ele consiga enxergar de como meu corpo vem reagindo e com isso ele vai fazendo ajustes necessários e rapidamente já vejo as diferenças. Por tudo isso consigo ver o quanto ele é excepcional no que faz. Ele tem uma visão que consegue falar exatamente o que irá acontecer e de como meu corpo irá ficar no dia da competição. Algumas preparações ele me desidrata em outras já não. Ele nunca usa o mesmo protocolo, sempre faz manobras diferenciadas - disse a brasileira.

Antes de disputar a competição de Las Vegas, Gabriela competiu em Sacramento, duas semanas antes, e tirou boas lições do primeiro desafio.

- Para esse campeonato eu estava muito segura em relação ao físico, mantendo o contato a todo tempo com o meu treinador e cumprindo o que ele estava me passando. Subi ao palco por volta das 11h, e fui campeã na minha categoria. Voltei para casa no mesmo dia. Foi engraçado. Saí do campeonato e meu voo era supostamente 16:50, mas eu consegui alterar a passagem para um voo às 13:25, enfim saí do campeonato às 2:30 e tinha 1 hora para correr pro aeroporto. O Uber demorou 20min pra chegar, depois mais 20 minutos pra chegar no aeroporto, enfim não tive nem tempo de me trocar, correndo pelo aeroporto de biquini de competição, ainda com a medalha no pescoço, fui a última a entrar no avião, literalmente - conta.

O desafio, após Sacramento, era preparar o shape para a competição mais importante da carreira, o Mr. Olympia.

- Usamos estratégias diferentes. Na primeira competição/finalização, eu fiz a desidratação como padrão, água decrescente até o dia de competir e depois zerei. Como na outra semana havíamos feito essa estratégia, meu coach mudou o esquema da finalização. Tudo novo, tudo diferente. Não desidratei, mantivemos a mesma dieta, consumindo carboidratos nos dias de treinos de superiores. No sábado viajamos para Orlando. Eu estava insegura, a pressão era grande. Se eu ganhasse me tornaria profissional - revela Gabi.

E teve emoção horas antes de subir ao palco:

- No domingo mantivemos a mesma dieta e água. Meu treinador foi junto e ele estar presente fez toda diferença. O shape foi avaliado a cada refeição. Treinamos e depois descansei. Segunda feira foi o dia de pegar a numeração, 171 meu número da sorte. Na terça, dia da competição, acordei às 3h30 da madrugada para fazer maquiagem e às 5h20 era a pintura. Eu odiei minha maquiagem, achei feia e quando voltei da pintura sentei no banheiro e caí em lágrimas. Foi horrível. Não estava me sentindo bem. Respirei, tirei a maquiagem e fiz outra por conta própria. Consegui aquecer os músculos na academia do hotel (algo que não é comum, já que os atletas se aquecem com elásticos) e acredito que isso me ajudou e fez a diferença no pump dos músculos - relembra Gabi.

Passada a tensão da maquiagem e do aquecimento, a brasileira subiu ao palco. Nessa competição, para se tornar profissional, a atleta tem de ganhar na sua classe de altura e ganhar no Overall - até o top 3 vira profissional.

- Foi tudo muito rápido. Quando eu vi, chamaram meu número no top 2 do Overall, nova atleta Figure. Foi demais! Agora, na Liga Profissional, não existe divisão de classe, figure compete com figure seja ela qual altura for. Todas juntas. Na liga profissional as meninas são mais densas, maiores. Meus planos são estrear como profissional ainda esse ano. Estamos ainda decidindo em qual campeonato. Por conta do coronavírus, as datas e os torneios ainda não estão confirmados - finaliza a fisiculturista.