Isaquias sem férias prolongadas e com muito futuro, diz o treinador
Jesus Morlán volta atrás no "acordo" de férias até janeiro para o medalhista e diz que o novo ídolo brasileiro já entrou para a história da canoagem mundial e irá muito mais longe

O treinador Jesus Morlán já avisou: embora tivesse feito acordo de boca com Isaquias Queiroz garantindo férias ao atleta até janeiro se ele ganhasse três medalhas olímpicas - o que ocorreu - isso não será cumprido caso o espanhol renove o seu contrato e permaneça no comando da canoagem brasileira.
- Quando Isaquias falou comigo sobre isso, durante os treinos puxados que estávamos fazendo, dei corda, pois senti ali que ele estava ganhando confiança e sentindo que poderia ganhar medalhas. Essa confiança era ótima. Mas férias, para ele, somente até outubro. Isaquias é um menino de 22 anos que ainda está em formação e vai ter Mundial em 2017. Se ficar muito tempo parado e treinar menos de 36 semanas até a competição eu asseguro que irá tomar "uma porrada" dos principais rivais.
Morlán tem certeza de que Isaquias, mantendo o foco e um plano de treinos e alimentação, tem tudo para tornar-se um dos maiores canoístas da história, pois já alcançou um feito inédito e, com a idade que tem, participará de pelo menos mais dois ciclos olímpicos.
- Vejo muito futuro. Treinei o espanhol David Cal, que ganhou cinco medalhas em três Jogos (2004, 2008 e 2012) e é um fenômeno, o maior medalhista olímpico espanhol. Isaquias logo na sua primeira olimpíada ganhou três medalhas sem participar da sua especialidade, os 500m, que estava fora do programa. Foi ao pódio numa prova de 200m e em outra de 1000m e nossa literatura na canoagem sempre dizia ser impossível alguém ser velocista e fundista ao mesmo tempo. Só depende dele ir longe - disse.
Morlán entra de férias e viaja para a Colômbia na próxima semana. Depois pretende sentar-se com o COB para tratar da renovação até o próximo ciclo. O espanhol disse que espera permanecer no cargo desde que a canoagem brasileira tenha um projeto de alto nível para manter-se entre os países mais representativos.
Caso não permaneça, Morlán, que é muito metódico e tem registrado todos os programas de treinamento com todos os seus atletas, já disse que o eventual sucessor terá uma vida bem mais fácil do que a dele.
- Tudo o que registrei eu já entreguei para os dirigentes esportivos. O meu legado. Lá está todo o planejamento de treinos, alimentação, o que tirar de cada atleta. Caso não permaneça, quem entrar saberá o que fazer. Bem diferente de quando cheguei, quando me deram um orçamento e mais nada, tive de partir do zero - comentou.

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