Logo do Lance! branca com exclamação amarela
A ginasta Rebeca Andrade durante sua apresentação de solo nos Jogos Olímpicos Rio 2016
CAPÍTULO 03

Rio 2016: o brilho de Rebeca Andrade antes do 'baile de favela'

Ginasta fez sua estreia olímpica em casa, aos 17 anos, e levantou a torcida

Rebeca Andrade salta durante a final do individual geral nos Jogos Olímpicos Rio 2016 (Foto: Rodolfo Buhrer/La Imagem/Fotoarena/Folhapress)
São Paulo (SP)
12/08/2026 10:00

Rebeca Andrade respirou fundo. Sorriu e entrou no tablado para executar sua série de solo. Ao som de um remix de Beyoncé com samba, cravou as acrobacias. Aos 17 anos, foi aplaudida de pé e ouviu seu nome ecoar nas arquibancadas. Aquela apresentação, nos Jogos Rio 2016, era apenas o cartão de visita da ginasta que, mais tarde, se tornaria a brasileira com mais medalhas olímpicas na história.

Todos os elementos da campeã já estavam ali, em uma época em que ainda era chamada de "Rebeyoncé" pelos fãs da modalidade. Hoje, dois ouros, três pratas e um bronze depois, Rebeca ainda vê como um filme o momento em que encerrou a final do individual geral em sua estreia olímpica.

continua após a publicidade

— Senti um orgulho enorme de mim e daqueles que estavam lá junto comigo. Eu tinha todas as chances de não estar nas Olimpíadas de 2016. Era o meu momento, foi muito especial. Não sei se em algum outro momento vou viver isso de novo, se vou ter algo que me faça sentir da mesma maneira. Guardo essa lembrança num espaço muito importante de mim - relembrou.

➡️ Tudo sobre os esportes Olímpicos agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Olímpico

O risco de não competir nos Jogos Olímpicos do Rio havia sido real. Em junho de 2015, ano de sua estreia na Seleção Brasileira adulta, Rebeca sofreu a primeira ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho direito. Cortada dos Jogos Pan-Americanos e do Mundial, passou por cirurgia e enfrentou meses de recuperação.

continua após a publicidade
A ginasta Rebeca Andrade se apresenta na trave nos Jogos Rio 2016
A ginasta Rebeca Andrade se apresenta na trave nos Jogos Rio 2016 (Foto: Ricardo Bufolin/ CBG)

As dores foram substituídas por êxtase no Rio de Janeiro. O fator casa diluiu boa parte da tensão típica das primeiras vezes. Rebeca aproveitava as sinalizações em português e desbravava os novos caminhos, sempre acompanhada das companheiras de equipe Daniele Hypólito, Jade Barbosa, Lorrane Oliveira e Flávia Saraiva. Juntas, conquistaram a vaga na final por equipes, onde ficaram em oitavo lugar.

No individual, Rebeca Andrade se apresentou como uma ginasta completa dentro do Parque Olímpico. Abriu sua participação na final geral com um salto que rendeu 15,566 pontos, a terceira melhor nota do aparelho. Ela ainda somou 14,033 nas barras assimétricas e 13,600 na trave. Na passagem pelo solo, acompanhada de aplausos do público, e ao som de "Single Ladies", a ginasta garantiu 13,766, o suficiente para marcar 56,965 no somatório e terminar na 11ª colocação.

continua após a publicidade
Infográfico detalha as estreias de Rebeca Andrade, Hugo Calderano e Gabi Guimarães em Jogos Olímpicos
Infográfico detalha as estreias de Rebeca Andrade, Hugo Calderano e Gabi Guimarães em Jogos Olímpicos

Rebeca e Biles: estrelas em ascensão

Além de Rebeca Andrade, outra estrela da ginástica também debutava nos Jogos Rio 2016: a norte-americana Simone Biles. Aos 19 anos, a norte-americana se consolidou como lenda do esporte ao conquistar quatro ouros (equipes, individual geral, salto e solo) e um bronze (trave). As duas se tornariam protagonistas do esporte ao longo dos ciclos olímpicos seguintes, em uma relação que mistura admiração e competitividade.

— Para ser sincera, não a via como uma rival, mas uma competidora como todas as outras. Ali, a gente tá se desafiando, todo mundo quer vencer. Na ginástica tudo pode acontecer, você pode ser a pessoa mais talentosa do mundo e não estar num dia bom, ou pode ser aquela pessoa que ninguém espera nada e brilhar. Pra mim, todo mundo é igual quando a gente está no ginásio - contou Rebeca.

continua após a publicidade

Na época, Simone já estava atenta e elogiou o salto de Rebeca, um dos aparelhos mais fortes da brasileira. Apesar da estreia simultânea em Olimpíadas, Simone e Rebeca tiveram um contato mais próximo apenas dois anos depois. Em 2018, a brasileira se recuperava de nova lesão de LCA e ouviu palavras de apoio de Biles.

— Ela parou do meu lado e conversou comigo, me falou pra não desistir, que eu era muito boa. Isso foi muito importante, porque na minha cabeça, eu pensava "nossa, é a melhor do mundo falando pra eu não parar". Depois, com os anos passando, tudo o que a gente construiu dentro do esporte foi muito bonito - relembrou.

continua após a publicidade

O capítulo que começou em 2016 chegou ao seu ápice duas Olimpíadas depois, em Paris, de onde Rebeca sairia com quatro medalhas, reverenciada pelas principais rivais e pelo mundo.

Da esquerda para a direita, Jade Barbosa, Rebeca Andrade, Lorrane Oliveira, Daniel Hypólito e Flávia Saraiva representaram a ginástica brasileira nos Jogos Rio 2016
Da esquerda para a direita, Jade Barbosa, Rebeca Andrade, Lorrane Oliveira, Daniel Hypólito e Flávia Saraiva representaram a ginástica brasileira nos Jogos Rio 2016 (Foto: Ricardo Bufolin/ CBG)

🔥 Ganhe R$100 de volta em crédito se perder - jogue R$100 e confira as regras
18+ | Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento | Conteúdo comercial | Aplicam-se termos e condições.

continua após a publicidade

Não perca essa série. Deixe seu e-mail e a gente te avisa assim que ela sair.

Capítulo novo no ar, você fica sabendo na hora. E ainda leva o melhor do dia de brinde.


Todos os capítulos