
Rio 2016: a 'última dança' do Deus olímpico Michael Phelps
Nadador deixou o Brasil com cinco medalhas de ouro e uma de prata
O público lotou o Estádio Aquático, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, para testemunhar a despedida de uma lenda. Michael Phelps, o maior medalhista olímpico da história, cairia na água pela última vez nos Jogos Rio 2016. Aos 31 anos, o deus da natação mostrava que ainda seria o maior do esporte por muito tempo.
O norte-americano estava inscrito em seis provas: 200m medley, 200m borboleta e 100m borboleta, além dos revezamentos 4x100m livre, 4x200m livre e 4x100m medley. E, em todas elas, Phelps subiu ao pódio. Ele encerrou a competição com cinco ouros e uma prata, totalizando sua coleção de 28 medalhas olímpicas.
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Mas não eram apenas os torcedores que ficavam impressionados com a presença do ídolo das piscinas. Até a campeã mundial dos 50m costas, Etiene Medeiros, queria tirar uma foto com o craque, mas acabou não conseguindo. Phelps chamava atenção nos bastidores pelo foco e concentração.
— Ele era bem blindado, muita responsabilidade no que estava fazendo. Não tinha aquela glamourização por ser atleta. Era muito blindado, estava focado em dar resultado, é um cara excepcional. A gente só observava, mas é gratificante estar na mesma geração do Michael Phelps — contou.
A disputa com Thiago Pereira e Ryan Lochte
A noite de 11 de agosto foi, sem dúvidas, uma das mais marcantes para a natação nos Jogos Rio 2016. A torcida poderia acompanhar de perto a disputa entre um trio que marcou o esporte ao longo da última década. Michael Phelps, Ryan Lochte e Thiago Pereira entregaram uma performance empolgante na final dos 200 m medley.

Quatro anos antes, em Londres, Thiago Pereira já havia conseguido superar Phelps em uma final olímpica — nos 400m medley, o brasileiro conquistou a medalha de prata, enquanto o americano levou o bronze. Ryan Lochte, atual campeão mundial nos 200m medley, também vinha forte pelo ouro.
Thiago imprimiu um ritmo intenso no nado borboleta e foi o primeiro a fazer a virada dos 50 metros, levando a torcida à loucura. Lochte, que vinha na cola, foi mais rápido no nado costas. Mas os dois não conseguiram sustentar o ritmo nos 100 metros finais, e quem levou a melhor foi mesmo Michael Phelps que, com tempo de 1m54s66, se tornava tetracampeão olímpico da prova.
— Foi a prova mais alta que nós já nadamos. Ali ficou claro que a decisão que nós tomamos não foi para segurar o segundo e terceiro lugar, foi para ganhar a prova. Essa é a graça do esporte, são decisões que eu tomaria de novo, não me arrependo — relembrou Thiago, que terminou a disputa com o sétimo lugar. Ryan Lochte foi o quinto.
Os Jogos Rio 2016 não marcaram apenas a despedida olímpica de Phelps, mas também de Thiago Pereira, que anunciou oficialmente sua aposentadoria no ano seguinte. A final daquele 11 de agosto foi o último capítulo de uma disputa que se desenhava nas piscinas desde que ele e o americano eram apenas adolescentes.
— Não tenho lembranças ruins da minha última caída na água. Tinha 15 mil pessoas gritando meu nome no Rio, uma final ali junto com o maior atleta que existiu no século. Não sei como era nadar sem ele. Desde o meu primeiro Mundial até a última Olimpíada, ele sempre estava lá. Talvez os outros atletas tenham ficado surpresos quando nadaram com ele mais pra frente, mas eu sempre soube o que ele era — completou.

Última dança
O dia 13 de agosto era dos revezamentos e ainda guardava fortes emoções para o "deus olímpico", que faria sua última dança. Mais experiente do time, Phelps fez as vezes de líder em uma prova que teve três quebras de recorde. O primeiro foi o compatriota Ryan Murphy, então com 21 anos, que abriu a disputa no nado costas com marca de 51s85.
Na sequência, foi a vez do britânico Adam Peaty, 21, completar os 100 metros de nado peito em 56s59, colocando o time na frente. Mas havia chegado a vez de Michael Phelps, que recuperou a dianteira dos Estados Unidos e entregou a prova para Nathan Adrian fechar a conta para os norte-americanos. Com 3min27s95, o time conquistou a medalha de ouro e estabeleceu o tempo mais baixo da prova na história dos Jogos Olímpicos.
Após o fim da disputa, Phelps comemorou com os companheiros, mas demorou para deixar a piscina. Olhou ao redor, emocionado, e agradeceu os aplausos no Estádio Aquático. A trajetória iniciada 16 anos antes, em Sydney, chegava ao fim no Brasil, exatamente onde Michael Phelps pertencia: no lugar mais alto do pódio.

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