Um ano depois do título: como estão os campeões mundiais sub-20 do Flamengo?
Análise mostra quem ganhou espaço no profissional, quem segue na base e quem deixou o clube
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No último dia 23 de agosto, o bicampeonato mundial sub-20 do Flamengo, em cima do Barcelona, completou um ano. Em 2025, nos pênaltis, o Rubro-Negro bateu o time espanhol no Maracanã e repetiu a conquista do ano anterior. O aniversário do título, porém, trouxe uma pergunta natural: como estão os jovens atualmente? No clube ou já foram negociados?
Passados 12 meses, os caminhos da geração campeã se dividiram. Dos 11 titulares daquela decisão, sete seguem no Flamengo, enquanto quatro já deixaram o clube. Entre os que permaneceram, as oportunidades no time principal existem, mas a consolidação ainda é distante, principalmente por conta do forte elenco do time carioca.
Os números ajudam a dimensionar esse cenário. Oito jogadores analisados que seguem no clube somam 30 jogos pelo elenco principal e 83 pelo sub-20 em 2026. A diferença mostra que, mesmo um ano após o título mundial, a maior parte ainda encontra na base seu principal espaço para jogar.
A geração campeã não foi esquecida pelo profissional. O retrato é outro: o Flamengo abriu a porta para vários desses jogadores, mas poucos conseguiram atravessá-la de forma definitiva até agora.
Onde estão os campeões?
O time titular que venceu o Barcelona era formado por Leo Nannetti; Daniel Sales, Iago, João Victor e Gusttavo; João Alves, Guilherme Gomes e Matheus Gonçalves; Joshua, Lorran e Pedro Leão.

Um ano depois, Nannetti, Daniel Sales, João Victor, Gusttavo, Guilherme Gomes, Joshua e Lorran seguem no Flamengo. Iago está no Orlando City, dos Estados Unidos, assim como Pedro Leão. João Alves defende o Al-Wasl, dos Emirados Árabes, enquanto Matheus Gonçalves foi negociado com o Al-Ahli, da Arábia Saudita.
A mudança de cenário também aparece entre os protagonistas da decisão. Lorran e Iago marcaram os gols no tempo normal. O primeiro segue no Flamengo, enquanto o segundo está no futebol norte-americano.
Nos pênaltis, bateram João Victor, Iago, Pablo Lúcio, Felipe Teresa, Lorran e Carbone. Desses seis jogadores, três continuam no clube: João Victor, Pablo Lúcio e Lorran. Iago está no Orlando City, Felipe Teresa no Palmeiras e Carbone no Lugano, da Suíça.
Veja os jogos dos campeões pelo principal e pelo sub-20 do Flamengo em 2026
A distribuição das partidas em 2026 mostra com clareza em que estágio da transição estão os jogadores que permaneceram no clube.
| Jogador | Flamengo principal | Flamengo sub-20 |
|---|---|---|
Leonardo Nannetti - goleiro | 3 | 13 |
João Victor - zagueiro | 5 | 14 |
Daniel Sales - lateral | 5 | 12 |
Gusttavo Sousa - lateral | 2 | 14 |
Pablo Lúcio - meia | 3 | 16 |
Lorran - meia | 4 | 0 |
Guilherme Gomes - meia | 3 | 12 |
Joshua - meia | 5 | 2 |
TOTAL | 30 | 83 |
O dado mais revelador está no total. Os oito jogadores somam quase três vezes mais partidas pelo sub-20 do que pelo profissional. Há, porém, situações bem diferentes dentro do grupo.
Lorran e Joshua praticamente não atuaram pela base no período, uma vez que tiveram uma aproximação maior com o futebol profissional. A diferença é que essa aproximação ainda não se transformou, necessariamente, em uma sequência consolidada, com grandes oportunidades em jogos oficiais. Na intertemporada em Portugal, os jovens tiveram mais espaço.
Já Nannetti, João Victor, Daniel Sales, Gusttavo, Pablo Lúcio e Guilherme Gomes seguem acumulando minutos nas duas equipes, em um processo de transição que ainda passa pela manutenção de espaço no sub-20.
Nannetti e João Victor são os mais próximos da consolidação
Leonardo Nannetti é um dos exemplos mais claros de avanço dentro da geração. Atual reserva do elenco principal, o goleiro disputou três jogos pelo Flamengo, todos como titular, além de 13 partidas pelo sub-20. Os números mostram que ele ainda precisa de minutagem na base, mas sua presença entre os profissionais já representa um passo importante na hierarquia do clube. No profissional, está atrás de Rossi, Andrew e Dyogo Alves.
Na base, entretanto, vem se destacando. Destaque esse, inclusive, que chamou a atenção da Seleção Brasileira. O jovem participou da preparação da Canarinho durante a Copa do Mundo.

João Victor vive cenário semelhante. Foram cinco jogos pelo principal, quatro deles como titular, além de 14 partidas no sub-20. Entre os defensores analisados, ele é um dos que mais receberam oportunidades na equipe de cima, em um elenco que conta com nomes fortes, como Léo Ortiz, Léo Pereira, Danilo e Vitão.
Guilherme Gomes aproveita as chances recebidas
Guilherme Gomes é outro caso que chama atenção, principalmente pelo rendimento apresentado quando atuou no profissional. O meia disputou três jogos pelo principal, todos como titular, no Campeonato Carioca deste ano (quando o time sub-20 disputou os primeiros jogos), marcou um gol e registrou nota média de 7,10, segundo o aplicativo Sofascore. Pelo sub-20, foram 12 partidas, dois gols e duas assistências, com média de 7,03.
Joshua e Lorran vivem o desafio da falta de sequência
Dois dos nomes de maior projeção da geração vivem situações diferentes, mas compartilham o mesmo problema: a falta de continuidade.
Joshua disputou cinco jogos pelo profissional, três como titular, e apenas duas partidas pelo sub-20. Seus números mostram um jogador capaz de desequilibrar individualmente, com 1,4 drible certo por jogo e 70% de aproveitamento, além de 2,2 faltas sofridas por partida.
A baixa quantidade de jogos na base indica que seu caminho está direcionado para o profissional. O desafio é transformar essa proximidade em mais oportunidades.

Lorran representa talvez o caso mais simbólico de toda a geração. Considerado uma das grandes promessas formadas pelo Flamengo, o jogador disputou quatro partidas pelo principal no período, mas foi titular apenas uma vez. Marcou um gol e não teve jogos registrados pelo sub-20.
A situação o coloca em um espaço intermediário: já não atua na base, chegou a ser emprestado e já voltou, mas ainda não conseguiu uma sequência capaz de consolidá-lo no elenco principal. Um ano após marcar um dos gols do título mundial, a grande questão para Lorran continua sendo a mesma: transformar o talento reconhecido desde a base em continuidade no futebol profissional.

Daniel Sales e Pablo Lúcio ainda dividem o caminho
Daniel Sales soma cinco partidas pelo profissional, quatro como titular, e 12 pelo sub-20. O lateral contribuiu com uma assistência em cada equipe no período, com três passes para gol pela base. Durante o período da intertemporada, sofreu uma lesão. na coxa esquerda.
Pablo Lúcio, por sua vez, disputou três jogos pelo principal, todos como titular, e 16 pelo sub-20, onde marcou três gols.
Os dois representam bem a situação mais comum da geração campeã: oportunidades pontuais no profissional, mas uma quantidade maior de jogos e responsabilidade na base.
Nem todos os protagonistas do título permaneceram
A análise também precisa olhar para quem seguiu outro caminho. Iago foi um dos principais personagens da conquista. Titular nos títulos mundiais de 2024 e 2025 da categoria, capitão na decisão do ano passado e autor do gol de empate contra o Barcelona no tempo normal, o defensor hoje está no Orlando City.
Matheus Gonçalves, outra promessa de grande projeção, também deixou o Flamengo e foi negociado com o Al-Ahli.

João Alves seguiu para o Al-Wasl, enquanto Pedro Leão também está no Orlando City.
Felipe Teresa, autor de um dos gols da conquista do Mundial de 2024 e considerado uma promessa da base, foi negociado com o Palmeiras. Carbone, que converteu uma das cobranças na decisão contra o Barcelona, está no Lugano.

O Mundial foi uma etapa, não o ponto de chegada
A conquista sobre o Barcelona foi um retrato do potencial daquela geração. O ano seguinte, porém, mostrou a dificuldade de transformar uma trajetória de destaque no sub-20 em espaço definitivo no profissional.
Dos 11 titulares do bicampeonato, seis seguem no Flamengo. E, entre os jogadores que permaneceram e aparecem no levantamento, todos receberam oportunidades no time principal. Isso mostra que o clube não deixou a geração de lado.
Os números, no entanto, também deixam clara a diferença entre receber uma chance e se firmar.
São 30 jogos pelo profissional contra 83 pelo sub-20. O desequilíbrio evidencia que a transição ainda está em andamento para a maior parte dos campeões.
Nannetti e João Victor aparecem entre os mais próximos de uma consolidação. Guilherme Gomes aproveitou bem as oportunidades quando foi utilizado. Joshua e Lorran já não têm a base como principal espaço, mas ainda buscam uma sequência maior no profissional. Daniel Sales, Pablo Lúcio e Gusttavo seguem em diferentes estágios de uma transição que continua passando pelo sub-20.
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