icons.title signature.placeholder Felipe Mendes
16/04/2014
08:03

Em preparação para o início do Circuito Mundial de Vôlei de Praia 2014, na próxima semana, na China, a Seleção Brasileira masculina está vivenciando uma novidade. Desde o dia 24 de março, quando o grupo de oito jogadores se apresentou no centro de treinamento de Saquarema, no Rio de Janeiro, o treinamento físico e técnico tem sido dividido com a ioga.

A ideia de se inserir a prática meditativa originária da Índia partiu da técnica Letícia Pessoa. A treinadora da equipe masculina notou que seus atletas têm apresentado dificuldade para respirar nos jogos.

– Cada vez mais o vôlei de praia tem apresentado um aumento na força dos atletas, que também têm ficado mais altos. E ainda tem a questão do calor. Com isso, tenho percebido não só a dificuldade na respiração como também uma maior ansiedade. E isso atrapalha, por exemplo, durante um rali – explicou Letícia.

De acordo com a treinadora, o controle da respiração fará com que os jogadores mantenham a calma numa partida, tenham mais lucidez e diminuam a ansiedade. Assim, terão melhores condições de avaliar o jogo e controlar o cansaço.

O responsável por ministrar as aulas é o professor Nilo Pedro da Cunha Gonçalves. Formado em Educação Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele dá aulas há cinco anos na própria UFRJ. Também dá palestras sobre a importância da respiração e os benefícios da ioga.

– A recepção dos jogadores foi muito boa. Inicialmente, fui chamado apenas para dar uma palestra, mas eles ficaram interessados e a Letícia convidou para esse curso. O Emanuel já praticou e foi um grande incentivador. Ele compartilhou com os atletas mais jovens o conhecimento – disse o professor

Os atletas da Seleção têm feito uma aula por semana. Na primeira, que durou cerca de uma hora, eles conheceram as questões básicas da ioga e a parte de respiração inicial. Nas subsequentes, de 30 a 40 minutos de duração, o trabalho passou a ser individualizado.

- Sempre fui muito curioso, então lia sobre o assunto. Eu já fazia ioga, ela me traz muita tranquilidade e paz da mente. Quanto mais a mente for preparada, maior a chance de se obter bons resultados. Acalmar a mente ajuda o desempenho - afirmou Emanuel.

Seleção feminina descarta a ioga

Se a Seleção Brasileira masculina já começa a colher os frutos da ioga, segundo a técnica Letícia Pessoa, a equipe feminina não entrará em contato com a prática de meditação. De acordo com o técnico Marcos Miranda, o grupo tem outras prioridades no momento.

– Os times masculino e feminino têm necessidades em comum, mas com suas respectivas peculiaridades. Em determinado momento, o que um precisa não quer dizer que o outro também necessita. De repente, a Letícia detectou alguma coisa que um trabalho de ioga irá favorecer o treino agora – disse o treinador.

Mas o fato de não incluir a ioga na rotina da Seleção feminina atualmente não quer dizer que Miranda tenha descartado a prática para trabalhos futuros da equipe.

– Tenho tantas coisas importantes na frente para acertar que, neste momento, não tenho tempo adequado para perder tempo com ioga. O tempo é curto até o início do Circuito Mundial – afirmou.

A primeira etapa será entre 22 e 27 de abril, em Fuzhou, na China.

Com a palavra

Nilo Gonçalves
Professor de ioga na Universidade Federal do Rio de Janeiro

Acho que o primeiro ponto é a tomada de consciência da respiração. Os atletas estão aprendendo a atingir o alinhamento da mente com o ato de respirar.

A ioga atua no controle da ansiedade, dá mais clareza no momento da competição. Regulando a respiração é possível fazer com que a boa preparação física apareça.

Comecei a dar aula quando participava de um projeto social no Complexo da Maré, no Rio. Estava sendo afetado pela rotina da violência e a ioga ajudou a dar o equilíbrio que precisava no dia a dia.