Russel Dias
12/11/2017
06:00
Santos (SP)

Desde o dia 26 de outubro a vida de Zeca não é mais a mesma. A partir do momento em que o Santos foi notificado judicialmente de que o lateral-esquerdo buscava rescindir seu contrato por meio de uma liminar alegando falta de pagamento de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e falta de segurança perante à torcida, o campeão olímpico de 23 anos mudou de vida.

17 dias depois de tentar se desvincular do clube que o revelou, sem sucesso, o jovem de Paranavaí, sul do Paraná, se encontra em seu estado natal, mas sem revelar cidade, por questões de segurança, e treinando por conta própria. Se decidisse retornar ao CT Rei Pelé, seria submetido a horários alternativos em relação aos do elenco principal e não participaria de atividades com bola.

Como não obteve êxito ao entrar na Justiça, Zeca permanece vinculado ao Santos. O clube, por outro lado, não tem interesse em quebrar o contrato, já que pode usar o lateral-esquerdo como moeda de troca ou até mesmo lucrar com uma eventual venda futura, mesmo que o ala esteja atuando em outra equipe se emprestá-lo.

Recentemente, o técnico e dirigentes do Corinthians elogiaram publicamente o futebol de Zeca, mas negam uma investida de forma oficial. Os empresários do atleta receberam consultar de dirigentes do Palmeiras, mas não viram a negociação avançar, já que o Verdão prioriza a contratação do cruzeirense Diogo Barbosa para o setor crítico do elenco. A multa de Zeca para clubes do Brasil é de R$ 50 milhões e nenhum contato de outra equipe interessada foi feito diretamente com o Santos.

A diretoria do Peixe não prioriza a resolução do caso já que o clube terá eleições presidenciais no dia 9 de dezembro. Porém, o presidente Modesto Roma Júnior já anunciou que fez um pré-contrato com o lateral-esquerdo Romário, do Ceará, que se apresenta em janeiro na Vila Belmiro. Caju, que quase foi vendido para o Lille, da França, tem sido titular com Elano e não tem compromisso de retornar ao time de Marcelo Bielsa, já que não assinou contrato.


Um eventual retorno de Zeca ao Santos é remoto, já que a relação com a torcida é a pior possível, mesmo se houver uma mudança na diretoria após a eleição. Em recente entrevista ao canal Fox Sports, o volante Renato disse que Zeca sequer responde mensagens dos companheiros por celular.

O contrato de Zeca com o Alvinegro é válido até o fim de 2020. Promovido em 2014, após ser campeão da Copinha, ele quase deixou o clube em 2015 para jogar nos Estados Unidos, mas foi titular no primeiro treino comandado por Dorival Júnior e não deixou o time desde então.

Os desentendimentos com a torcida começaram nesta temporada. Primeiro, o nome do lateral foi um dos pichados no muro da Vila Belmiro em um dos protestos da torcida. Após o empate com o Vitória no Pacaembu, Zeca fez uma postagem nas redes sociais com simbolismos de gestos ofensivos, o que foi considerado uma afronta à torcida pela diretoria santista.

Depois, na volta do time que empatou com o Sport em Recife, o camisa 37 foi ameaçado por torcedores no aeroporto de Congonhas. Depois disso, fez seu último jogo na Vila Belmiro na vitória sobre o Atlético-GO, quando disse que defenderia o Santos até o fim. Dias depois, entrou na Justiça e praticamente findou sua passagem pelo Santos.