Gideoni Monteiro

Gideoni  Monteiro começou no ciclismo estrada, mas viu que poderia tentar vaga  na Rio-2016 no omnium (Foto: Divulgação/COB)

Marcelo Laguna -
15/01/2016
08:00
São Paulo (SP)

Uma das modalidades mais novas do ciclismo pista poderá ajudar o Brasil a acabar com um jejum que já dura mais de duas décadas. Criada antes das Olimpíadas de Londres-2012, a omnium, um verdadeiro teste de resistência que reúne seis provas em apenas dois dias, está perto de classificar um brasileiro para a Rio-2016. O goiano Gideoni Monteiro disputará neste sábado (16) e domingo (17), em Hong Kong (CHN), a terceira e última etapa da Copa do Mundo da modalidade. Um bom resultado poderá praticamente carimbar sua vaga olímpica. A última vez que um brasileiro participou do ciclismo pista foi em Barcelona-1992, com Fernando Louro, na prova por pontos.

- Minha classificação está encaminhada, mas preciso me manter entre os 18 primeiros do ranking mundial e os seis das Américas. Por isso não posso relaxar nesta etapa - disse Gideoni nesta quinta-feira, após mais uma sessão de treinos em Hong Kong. Atualmente, o brasileiro ocupa a 15ª posição na lista da UCI (União Ciclística Internacional).

Gideoni Monteiro, que começou praticamente do zero na modalidade, após uma carreira no ciclismo estrada, obteve a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015.

Os bons resultados que ele vem obtendo nas últimas temporadas animam o treinador da seleção brasileira, Emerson Silva.

- Ele normalmente encerra bem o primeiro dia de provas, mas tem encontrado dificuldades no segundo dia. É aí que ele precisa evoluir - afirmou o treinador.

A pressão de estar próximo de assegurar uma vaga nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro não preocupa o ciclista brasileiro.

- Mesmo no Natal e Ano Novo mantive meu ritmo de treinamento. Tenho tudo para conseguir um grande resultado - afirmou Gideoni.

Conheça o Omnium

​O omnium é a mais nova das provas do ciclismo pista. Criada para os Jogos Olímpicos de Londres-2012, lembra um pouco o pentatlo moderno, por reunir diferentes provas em um curto espaço de tempo. É na prática um grande teste de resistência para os atletas, com a realização de seis provas divididas em dois dias.

No omnium, os pontos em cada uma das seis provas são concedidos de acordo com a posição (quanto melhor a posição, menor é a pontuação) e o ciclista com o menor número de pontos no final da competição ganha a medalha de ouro.

As provas do omnium são as seguintes:

- Flying lap: Cada ciclista dá uma volta de 250m sozinho. Quem fizer o melhor tempo, ganha
- Corrida de pontos: Os pontos são disputados em sprints que acontecem a cada 10 voltas e o ciclista também ganha pontos se conseguir dar a volta no pelotão. São 30km para homens e 20km para mulheres
- Eliminação: O pelotão disputa sprint eliminatórios, o último que passar pela linha de chegada a cada duas voltas é eliminado da competição. E quem ficar até o final ganha.
- Perseguição individual: Dois ciclistas largam em lados opostos do velódromo, disputando quem anda mais rápido em 16 voltas/4km no masculino e 12 voltas/3km no feminino.
- Scratch: O pelotão larga junto e quem chegar primeiro ganha. São 16km para homens e 10km para mulheres.
- Contrarrelógio: Prova de muita velocidade, o atleta que fizer o melhor tempo ganha. Apenas 1km para homens e 500m para mulheres.

Bate-Bola com Gideoni Monteiro

Aprendizado a cada prova

LANCE!: Como apareceu seu interesse em disputar o Omnium?
Gideoni Monteiro: Meu primeiro contato foi em 2013. Gostei da prova e aos poucos fui migrando. Vi que tinha uma boa chance de estar nas Olimpíadas do Rio e em 2014 decidi me especializar.

Como foi o seu trabalho de adaptação ao omnium?
Eu competia em ciclismo estrada mas já fazia algumas provas na pista e vi que muitas delas se encaixavam nas minhas características. Mas no omnium tive que aprender muita coisa nova e com isso, minha rotina de treino aumentou ainda para dois períodos por dia.

O que representou para você ter conquistado aquela medalha de bronze no Pan de Toronto?
O Pan de Toronto foi muito especial. Foi minha primeira participação nos Jogos Pan-Americanos e por isso treinei muito para essa prova. A medalha veio para mostrar que estamos no caminho certo e que com planejamento e um trabalho bem feito, podemos ir longe.

Assegurada a classificação para a Rio-2016, até onde imagina que pode chegar? Acha que tem chance de brigar por medalhas?
As Olimpíadas são um evento fora de série, quem estiver lá não estará de brincadeira. Todos tem uma história de sacrifício e dedicação e com certeza chegarão muito fortes.. Na minha opinião todos podem brigar por medalhas, inclusive eu.