Colunistas do LANCE! opinam sobre descontrole emocional de Neymar
As atuações de Neymar pela Seleção Brasileira nesta Copa América vêm sendo marcadas por nítidos momentos de instabilidade emocional. Reclamações com arbitragem, faltas ríspidas e constantes discussões com adversários apareceram nos confrontos contra Peru e Colômbia.
Os colunistas do LANCE!Net analisam o que vem levando Neymar a seu estado de nervos atual, e em que sua expulsão deve servir como exemplo para as próximas partidas nas quais ele defender o Brasil.
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ROBERTO ASSAF
Na realidade, esta explosão recente do Neymar pareceu muito associado à recente acusação de fraude que recaiu sobre ele. Ele estava bem mais destemperado do que o comum, principalmente na partida contra a Colômbia.
Agora, para ostentar a braçadeira de capitão de um time, ele precisava mostrar muito mais equilíbrio. Nesta semana, o Brasil perdeu o Zito, que foi durante muitos anos capitão da Seleção Brasileira. Tanto ele como outros capitães, como Carlos Alberto Torres, tinham espírito de liderança, sabiam se impor, mas na hora certa.

MAURO BETING
É claro que os problemas com o Fisco podem ter afetado de alguma forma. Mas, apesar de Neymar ter nascido para jogar e para exercer uma liderança, a sensação é de que ele vem sofrendo com o excesso de pressão que cai sobre seus ombros na Seleção Brasileira.
Ele tem a responsabilidade de ser o único símbolo de qualidade no Brasil e, agora, estar diante dos holofotes da América do Sul! Além disto, Neymar tem uma índole de confronto, de pessoa mimada, que não sabe perder nem ganhar. E este vem sendo também o retrato da Seleção Brasileira.

JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO
Na verdade, este destempero de Neymar é bem anterior à acusação de fraude. O Neymar quer apitar o jogo desde a época em que foi acusado de ser "cai-cai" e, agora, que se sente o principal jogador do Brasil, isto ficou maior.
Não há dúvidas de que ele é o principal jogador da Seleção Brasileira mas, além de não ter equilíbrio, falta maturidade ao camisa 10. São muitas atitudes infantis, cartões desnecessários. A diferença é que, antes, o futebol aparecia mais, ao contrário da derrota para a Colômbia.

CARLOS ALBERTO VIEIRA
Neymar atuou muito bem contra o Peru e, contra a Colômbia, apenas não fez uma boa partida. Agora, atribuir a atuação do camisa 10 aos problemas fora de campo, envolvendo a acusação do Fisco em sua transferência do Santos para o Barcelona não é o âmago da questão. Afinal, por qual motivo isto não o afetou no jogo contra o Peru ou no seu fim de temporada no Barcelona?
O que deve ser notado é que, ao não jogar bem e ser zoado pelos rivais, algo comum para qualquer atleta, Neymar acabou se destemperando. Este tipo de situação não é raro na sua carreira. Ele melhorou um pouquinho, mas ainda entra na pilha. Contra a Colômbia, reclamou do juiz, reclamou dos marcadores e, no fim, com a derrota, perdeu a cabeça.
Infelizmente, Neymar pode ter ferido de morte o Brasil na Copa América. Mas este jogo com a Colômbia e a punição que virá pela frente farão parte do processo de maturidade dele.