
Rio 2016: Floresta dos Atletas tem placas apagadas em Deodoro
Legado das Olimpíadas do Rio passa por falta de manutenção no Parque Radical de Deodoro, no Rio de Janeiro
O Parque Radical de Deodoro, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, guarda uma das maiores promessas de legado dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Como a primeira Olimpíada a ter compromisso ambiental, foi feita a proposta de se criar uma "Floresta dos Atletas". Após um longo processo, as primeiras mudas foram plantadas em 2019. Mas, 10 anos depois da competição esportiva, o que se vê em Deodoro é um cenário de descaso com aquilo que foi uma ideia admirável.
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O anúncio da Floresta dos Atletas foi feito no dia 5 de agosto de 2016, em pleno Estádio do Maracanã, durante a cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio 2016. Como parte do espetáculo, atletas depositaram em pequenos tubos 207 tipos de sementes - representando o número total de países nos Jogos - de espécies da Mata Atlântica, a serem plantadas em uma área de cinco hectares do Parque Radical.

Após longo imbróglio e dificuldades na captação de recursos pela Prefeitura do Rio de Janeiro, as primeiras mudas chegaram ao solo de Deodoro apenas três anos depois, em processo iniciado em 25 de setembro de 2019. Atletas como Diego Hypólito colocaram a mão na terra e fizeram parte da materialização da promessa feita em 2016. Entre as 207 sementes, 42 estavam classificadas em algum grau de extinção e 92 são produtoras de frutos importantes para a fauna local.
No Parque Radical, as mudas plantadas foram identificadas em uma haste de concreto, com as seguintes informações: nome e bandeira do país que a semente representa, espécie da planta - nome popular e científico - e grau de extinção. Mas, por falta de manutenção, a maioria das etiquetas está apagada ou nem existe mais. Além disso, em muitos casos, nem a respectiva espécie plantada está mais ali.
A Floresta dos Atletas compõe a beira das ruas e das trilhas do Parque Radical de Deodoro. O início dela, logo após uma das entradas, é identificado por uma placa, também já em condições ruins e bastante apagada. Atrás dela, há um espaço seco de pedras e sem manutenção.
E o legado, tradicional de Jogos Olímpicos, parece não ter passado de geração em geração. Em conversa com a reportagem do Lance! no local, visitantes de variadas idades afirmaram que não sabiam que aquelas árvores eram "especiais", por terem sido plantadas por atletas olímpicos.
O processo até a plantação das mudas
Durante os Jogos Olímpicos do Rio 2016, o Parque Radical de Deodoro foi palco de 11 modalidades olímpicas, entre hipismo, ciclismo BMX e canoagem, por exemplo. A Floresta dos Atletas seria plantada logo após os Jogos, mas atrasou. As sementes permaneceram em viveiros por cerca de três anos até que o projeto pudesse sair do papel.

Isso aconteceu apenas em 25 de setembro de 2019, após a Procuradoria Geral do Município do Rio de Janeiro aceitar a solução apresentada pela Subsecretaria de Legado Olímpico e pela Secretaria do Meio-Ambiente. Naquele dia, o Parque de Deodoro começou a receber as primeiras 13725 mudas.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente utilizou cerca de R$ 3 milhões em recursos de compensação ambiental para viabilizar o plantio da Floresta dos Atletas. O mecanismo permite que empresas responsáveis por impactos ambientais financiem ações de preservação e recuperação definidas pelos órgãos públicos.
A partir de 2021, foi iniciado o processo de expansão da Floresta dos Atletas. O espaço ganhou mais 2,2 hectares (2 2000 m²). Com isso, a área verde do Parque de Deodoro totalizou oito hectares e 19225 árvores, que se encontram em processo de degradação.

Procurada pela reportagem do Lance!, a Secretaria Municipal de Esportes do Rio de Janeiro (SMEL) emitiu uma nota oficial sobre a situação atual da Floresta dos Atletas. Leia na íntegra:
"O bosque integra o Parque Radical de Deodoro, que conserva ainda outros equipamentos da Rio 2016, como a pista de Ciclismo BMX e o Estádio Olímpico de Canoagem Slalom, que recebe atividades da Vila Olímpica da Secretaria Municipal de Esportes e é aberto ao público aos fins de semana. As árvores seguem os cuidados ambientais previstos e estão sujeitas às condições climáticas, assim como as placas, que são trocadas e renovadas de tempos em tempos por causa da ação do tempo."

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