Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo (Foto: Igor Siqueira)

Flamengo encerrou o ano passado com uma receita total de R$ 356 milhões  (Foto: Igor Siqueira/LANCE!Press)

Amir Somoggi
31/03/2016
12:10
Rio de Janeiro (RJ)

O Flamengo acaba de publicar seu balanço financeiro referente ao exercício de 2015 e os resultados foram extremamente positivos. O clube encerrou o ano passado com uma receita total de R$ 356 milhões, um aumento de 3% na comparação com o ano anterior. Desde 2012 o aumento do faturamento foi de 68%, quando gerou R$ 212 milhões.

O que mais chamou a atenção nos dados financeiros foi o superávit altíssimo de R$ 130,4 milhões. O melhor resultado já alcançado por um clube brasileiro. Nos últimos dois anos o clube da Gávea somou ganhos de R$ 195 milhões.

Somente como exemplo em 2014 os 20 maiores clubes brasileiros encerraram o ano com perdas de -598 milhões e em dois anos acumular déficits de mais de R$ -1 bilhão.

Um dos principais motivos para esse excelente resultado foi o controle orçamentário do clube, que mesmo sendo o que mais fatura no Brasil, não está com seus custos descontrolados.

Em 2015 os custos com futebol do Flamengo foram de R$ 147 milhões, frente aos R$ 170 milhões de 2014. De forma única no Brasil um clube vem conseguindo controlar seus custos, mesmo com aumento de receitas. Nunca os custos com futebol representaram tão pouco do faturamento do clube. O equilíbrio é fundamental para os planos de redução do endividamento e saúde financeira do Flamengo.

Um ponto muito positivo foi a redução da dívida do clube, que embora seja alta, vem sendo reduzida de forma constante e austera.

Segundo o balanço do Flamengo sua dívida em 2015 foi de R$ 579 milhões, uma redução de 28% na comparação com 2012 quando em seu pior momento financeiro a dívida alcançou R$ 805 milhões.

O indicador muito útil e que analisa a relação dívida/receita total mostra essa melhora incontestável. Em 2012 o índice era de 3,79 e em 2015 atingiu o menor valor da história do clube, chegando a 1,63.

O Flamengo pode ser considerado um modelo de gestão financeira para o futebol brasileiro pois mantem firme em sua administração o tripé: Busca de novas receitas, controle efetivo dos custos e redução constante das dívidas.

E esses excelentes resultados financeiros em um ambiente de crise, com clubes grandes gastando o que tem e o que não tem para tentar ganhar algum título.

Por isso é fundamental termos uma regulação efetiva das finanças dos clubes, para que o modelo praticado pelo Flamengo seja regra e não mais exceção.