Balbuena, sua mulher Adriana e o filho Lucas, com camisas de bandas de rock (Foto: Reprodução)

Balbuena, sua mulher Adriana e o filho Lucas, com camisas de bandas de rock (Foto: Reprodução)

Bruno Cassucci
19/03/2016
06:30
São Paulo (SP)

Nada de samba, sertanejo ou funk. Os ritmos musicais que costumam fazer a cabeça dos boleiros não passam pelos fones de ouvido do zagueiro corintiano Balbuena antes dos jogos ou mesmo nas horas de lazer. O reggaeton e a cúmbia, populares no Paraguai, país do defensor, também não o agradam. O camisa 4 do Timão prefere um estilo que tem mais a ver até com o seu modo de jogar. Intenso, marcante e enérgico: o rock!

Balbuena diz que o gênero faz parte de sua vida desde a adolescência e que ajudou a formar seu caráter. Dentre seus artistas favoritos estão não apenas bandas norte-americanas famosas, como Red Hot Chili Peppers, Blink 182 e System of a Down, mas também grupos brasileiros, como CPM 22, Charlie Brown Jr, Paralamas do Sucesso, entre outros que ele pretende acompanhar de perto assim que a maratona de jogos permitir.

Antes de ir aos shows, porém, o zagueiro tem uma meta mais importante em solo brasileiro. Quer firmar-se como titular da equipe de Tite. Neste sábado, às 16h, na Arena, ele terá nova chance de mostrar serviço, diante do Linense, em duelo que o Corinthians deve ter time misto.

Em sua estreia em Itaquera, o paraguaio terá pela primeira vez um contato mais próximo com a Fiel torcida, que já o espantava desde a infância no Paraguai...

– Lá, a gente assiste aos jogos do futebol brasileiro. Lembro do Corinthians com Vampeta, Marcelinho, Luizão... E me recordo que a torcida era tão grande que parecia até formiguinhas nas arquibancadas, de tanta gente se movimentando – contou o beque, ao LANCE!.

Em entrevista no CT Joaquim Grava, além de falar de seu gosto musical e das referências que tinha do Corinthians, Balbuena contou um pouco da sua trajetória na vida e no futebol e deixou claro que foge do padrão da maioria dos jogadores também em outros assuntos.

Antes de ingressar de vez no futebol, cursou por dois anos a faculdade de Contabilidade. Com misto de orgulho e vergonha, ressalta ter sido em faculdade pública.

– No Paraguai também não é fácil passar no vestibular! (risos). Não me considerava muito bom na escola, mas era dedicado – disse.

Ele chegou a trabalhar em um escritório de contabilidade antes de virar atleta, mas antes disso já dava duro para ajudar os pais e os três irmãos vendendo frutas e pastéis feitos pela avó. Mesmo assim, sempre dava seus jeitos para jogar futebol e ouvir suas bandas de rock preferidas. Eram tempos em que ele nem imaginava em chegar perto do “formigueiro” corintiano...

Confira a entrevista com Balbuena:

Quais são as suas primeiras impressões do Corinthians?
Estou achando tudo bom, é tudo surpreendente. Sair do Paraguai e vir para um dos maiores times da América do Sul é muito impactante. Já tinha uma noção, mas me surpreendi. No Paraguai é muito diferente, a infraestrutura principalmente. Aqui é muito grande. Talvez no Paraguai nem se imagina que um time possa ter isso tudo. Estádio, aparelhos modernos, torcida, que é muito apaixonada, faz uma loucura nas arquibancadas...

Por que optou por estudar contabilidade antes de ser atleta?
No colégio, fiz os últimos três anos do nível médio com ênfase em contabilidade. Não gostava, é muita dor de cabeça. Mas, como já tinha uma base em contabilidade, decidi seguir a faculdade da área.

Você não se formou, não é?
Isso. O time que eu jogava era da segunda divisão e conseguimos subir. Em 2011 não dava para chegar na faculdade a tempo, pois era longe. Só ia de transporte público, não tinha carro. O ônibus passava meia hora antes do término do treino.

Como roqueiro, você fica um pouco deslocado no vestiário?
(Risos) Não sou fã, mas eu respeito, cada um tem seu gosto. Lá no Paraguai era cúmbia, reggaeton... Aqui tem samba e sertanejo. Tenho que ouvir, né? Fazer o que? (risos).

Balbuena, do Corinthians
Balbuena em treino do Timão (Foto: Agência Corinthians)


À boca pequena:

Idioma: Balbuena nasceu e foi criado em Ciudad del Este, cidade que faz fronteira com o Brasil. Por isso, fala português fluentemente, o que tem ajudado em sua adaptação. Contudo, em sua apresentação como jogador do Corinthians, ele decidiu falar espanhol e praticamente não foi compreendido pelos jornalistas.

Saudades: o zagueiro recordou com alegria a época em que acompanhava jogos do futebol brasileiro pela TV. Ele se recordou dos narradores Silvio Luiz, Luciano do Valle e Galvão Bueno. Outra lembrança foi o épico gol de Marcelinho Carioca, sobre o Santos, em 1996, que rendeu placa na Vila Belmiro ao camisa 7.

Quase em casa: antes de se transferir ao Corinthians, Balbuena já conhecia o Brasil. E não apenas a fronteira com a sua terra-natal. Há alguns anos, o zagueiro e a esposa curtiram férias nas praias de Alagoas. O defensor conta que conhece bastante da cultura brasileira, já que assistia muitos programas de TV daqui.