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O nadador americano Ryan Lochte durante coletiva de imprensa nos Jogos Rio 2016
CAPÍTULO 09

Rio 2016: Ryan Lochte cria 'assalto fake', mas é pego pela polícia carioca

O ex-nadador dos Estados Unidos teve a carreira marcada por polêmicas

O nadador americano Ryan Lochte durante coletiva de imprensa nos Jogos Rio 2016
PorBeatriz PinheiroSão Paulo (SP)
18/08/2026 10:00

Um dos maiores nadadores da história recente, Ryan Lochte foi um dos poucos a conseguir fazer frente a Michael Phelps. Com a aposentadoria do rei das piscinas nas Olimpíadas do Rio-2016, era esperado que Lochte tivesse o caminho mais livre para brilhar desde então. Mas uma péssima ideia, que misturou mau-caratismo com xenofobia, iniciou o efeito borboleta da queda do americano.

No dia 14 de agosto de 2016, Lochte declarou, em entrevista para a "NBC News", que havia sido assaltado ao deixar uma festa na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele estaria acompanhado dos nadadores Gunnar Bentz, Jack Conger e Jimmy Feigen, também integrantes da delegação dos Estados Unidos, quando o táxi em que estavam foi abordado por falsos policiais, que os renderam.

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Ainda segundo o relato de Lochte, um dos assaltantes teria levado sua carteira e dinheiro, mas deixado o celular e as credenciais olímpicas. Porém, conforme as investigações avançavam, foram surgindo contradições entre os relatos.

A verdade foi revelada apenas quatro dias depois, quando a polícia teve acesso a imagens de segurança de um posto de gasolina na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, que mostravam um desentendimento entre os nadadores e os funcionários do estabelecimento. Segundo os seguranças, os atletas, embriagados, vandalizaram o banheiro do local e não queriam pagar pelo prejuízo.

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A essa altura, Ryan Lochte já estava de volta aos Estados Unidos, enquanto Gunnar Bentz e Jack Conger foram tirados de dentro do avião para prestar esclarecimentos às autoridades. Assim como Lochte, Feigen foi indiciado por falsa denúncia de crime e, como ainda estava no Brasil, precisou pagar multa de R$ 35 mil para ter seu passaporte liberado.

Lochte publicou uma carta admitindo a mentira e pedindo desculpas pelo episódio. Ele foi denunciado pelo Ministério Público em 2018, mas o crime prescreveu e o caso foi arquivado em 2021.

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— Eu deveria ter sido muito mais responsável com meu comportamento e por isso eu peço desculpa para meus colegas de equipe, meus fãs, meus colegas competidores, meus patrocinadores e os anfitriões deste grande evento. Estou muito orgulhoso de representar meu país na Olimpíada e essa foi uma situação que poderia ter sido evitada. Eu assumo responsabilidade por meu papel nesse acontecimento e aprendi algumas lições valiosas — escreveu, na época.

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Medalhistas de ouro Townley Haas, Conor Dwyer, Ryan Lochte e Michael Phelps dos Estados Unidos celebram durante a apresentação medalha por 4 x 200m Freestyle final dos Jogos Olímpicos Rio 2016
Medalhistas de ouro Townley Haas, Conor Dwyer, Ryan Lochte e Michael Phelps dos Estados Unidos celebram durante a apresentação medalha por 4 x 200m nos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Aquatics Estádio Olímpico (Foto: Junior Lago /Fotoarena/Folhapress)

Carreira afundou após Rio 2016

Desde os Jogos Rio 2016, a carreira de Ryan Lochte não foi a mesma, começando pela perda de patrocinadores. Dono de 12 medalhas olímpicas, sendo seis ouros, três pratas e três bronzes, o nadador foi suspenso por 10 meses pelo Comitê Olímpico dos Estados Unidos e não competiu no Mundial de Natação do ano seguinte. Durante o período de punição, ele perdeu o acesso ao Centro de Treinamento da Seleção e ficou sem receber salário.

Menos de dois anos depois, uma nova suspensão, desta vez pelo período de 14 meses. Em 2018, Lochte foi punido pela Agência Antidoping dos Estados Unidos após publicar uma foto fazendo uma infusão intravenosa, o que é contra as regras da entidade. Sem uma sequência ao longo do ciclo olímpico, o atleta não conseguiu a vaga para os Jogos de Tóquio 2020.

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Nos anos seguintes, o ex-nadador estrelou reality shows e atravessou mais um período pessoal conturbado, incluindo problemas com o alcoolismo e um divórcio. No início de 2026, ele leiloou três de suas medalhas de ouro olímpicas, incluindo a medalha do revezamento 4x200m livre, conquistada nos Jogos Rio 2016. Atualmente, aos 41 anos, Ryan Lochte é treinador assistente de natação na Missouri State University.

Infográfico detalha momentos marcantes dos Jogos Rio 2016
Infográfico detalha momentos marcantes dos Jogos Rio 2016

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