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Dia 28/08/2025
20:20
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Que tarde-noite em Zurique! Foram mais 28 finais a desfilar diante de nossos olhos!
Vamos, então, repassar o que de mais importante aconteceu nesta grande final da Diamond League:

Destaques do dia 2 das finais da Diamond League

  1. Lançamento do disco masculino, onde a dinastia Alekna continua, com a vitória tranquila do lituano Mykolas Alekna, que, de quebra, destrói o antigo recorde (de 2000) de Virgillijus Alekna, seu pai, bicampeão olímpico e mundial, que deve dormir sorridente hoje, em Vilnius, sabendo que o recorde da Diamond League está agora em ótimas mãos! Enquanto isso, Mykolas, segue para Tóquio confiante em seu possível primeiro título mundial!
  2. Salto triplo feminino: E a a “armada” cubana desembarcou com time completo, das 6 finalistas da prova, três ( e que três, favoritas) eram cubanas. E elas, a vencedora Hernandez, a vice Povea e a 3ª Velazco, fizeram um estrago, nesta final. Só deu Cuba, pódio completo. Fazia tempo que não víamos algo assim, um domínio completo. Talvez entre 1988 e 2004, com os quenianos nos 3 mil com obstáculos, ou entre 2008 e 2016, com a trinca de peso (literalmente) dos EUA, na prova do arremesso do peso. O fato mais relevante foi o retorno de Cuba ao pódio, no salto triplo. Chegam ao Mundial credenciadas a outra “tripleta”.
  3. Na prova dos 400 metros feminino, aconteceu o esperado duelo entre Naser(BRN) e a campeã olímpica, a dominicana Paulino, que sonha com um improvável tricampeonato mundial, em Tóquio, daqui a 13 dias. Mas, Naser vence e convence, com um tempão, 48:70, quebrando o antigo (e põe antigo nisso) recorde da Diamond League, que era simplesmente Jarmila Kratochvilová, da antiga Tchecoslováquia, de 1982. Pergunta que não quer calar: você era nascido em 1982?
  4. Os 400 metros, só que agora, cheio de barreiras (apenas 10), é vencido por alguém que não vê barreiras à sua frente: Femke Bol (NED), que nunca perdeu uma prova, em alguma etapa de Diamond League, desde sua estreia, em 5 temporadas, mantém a escrita, quebra o recorde do evento, soltando na prova, e deixando suas adversárias fora da foto oficial da chegada! Um belo apronto para Tóquio. Enfim, hoje foi Bol x Bol. Deu Femke Bol!
  5. Na 4ª prova de campo do dia, o lançamento do dardo masculino, um duelo desigual: Julian Weber (GER) x Terceiro Mundo. Explico: O grande nome do dardo este ano, é Weber. Mas existe um grande grupo de atletas oriundos de países que nunca tiveram muito contato com esta prova, como Índia, Granada, Trinidad e Tobago, Quênia, Moldávia …. e Brasil (que não participou desta final, com o Luiz Maurício, que ocupa o 2º lugar do Ranking Mundial, neste momento) e estão com participações exemplares. Talvez inspirados pelo queniano Julius Yego, que participou desta final hoje, medalhista, como também o trinitino Walcott, medalhista nos jogos de Londres, em 2012, o mundo não europeu resolveu chamar o lançamento do dardo “de seu”, e começaram a dar trabalho. Mas, hoje, em Zurique, Weber não teve trabalho em por ordem na sala! Levou fácil o ouro. Todos estarão no Mundial, inclusive nosso Luiz Maurício, prometendo dar muito trabalho, sim, à Europa do leste!
  6. Voltemos rápido pra pista, afinal havia possibilidade de pódio completo para outro país, nos 1500 metros. O Quênia, vem retomando as rédeas do meio fundo mundial, e julgava ser possível uma tripleta nos 1500. Mas havia uma pedra no tartan, quie vinha da Holanda, chamado Niels Laros, um ex atleta de 400 metros, que resolveu usar esta velocidade e potencial anaeróbico, pra quebrar a banca queniana. Vence, em cima da linha de chegada, deixando pra trás uma longa fila de 3 quenianos, em 2º ,3º e 4º lugares. Será que pode se dizer que foi quase uma tripleta do Quênia? Não brinquemos com isso, eles prometem revanche em Tóquio! Eles já fizeram isso outras vezes, nos 3mil com obstáculos, em meias e maratonas inteiras e em mundiais de cross-country.
    Vamos para a velocidade. Acorda gente, vem aí a prova mais rápida do atletismo olímpico…
  7. 100 metros rasos feminino. Silêncio total no estádio lotado, Estão alinhadas na largada quase todas as mulheres mais rápitas do mundo, inclusive a Julien Alfred, favorita de hoje, campeã olímpica, nascida em Santa Lúcia, uma pequena, de muitas, ilha do Caribe. Apenas sua mais dura adversária declinou do excitante convite desta final, Melissa Jefferson (USA) preferiu descansar e focar no duelo destas que hoje são as mulheres mais rápidas do mundo. Mas Alfred não estava sozinha, tinha a incomoda companhia de mais 8 eleitas para esta final. Não deu pra ninguém, a molecote de Sta. Lucia voa, absoluta para a linha de chegada, deixando todas suas adversárias à sonhar por dias melhores! E Alfred, que tem preferência pelos 200 metros, se torna a rainha dos 100! Ah, o Caribe, esta fábrica de gente veloz!
  8. Nos 100 masculino, uma prova tensa, com pouco brilho, mostrando que boa mesmo será a de 200! Deu Christian Coleman, o veterano que quando começamos a esquecer dele, ele resolve vencer algo. Ponto. Aguardem os 200!
  9. Mas antes temos um solo de um tenor, que, mesmo sozinho, promete encantar a enorme e ansiosa plateia. Karsten Warholm promete e faz. Sozinho, ataca as barreiras ferozmente, como se não houvesse amanhã, deixando pra trás, seus súditos embasbacados. E só reduz ao passar, em total solidão pela 9ª barreira, alivia, sorri e fecha a prova na casa dos 46 segundos.
  10. E lá vem tempaço no Mundial! Com a seleta companhia dos outros 2 tenores, Alison Piu e Ray Benjamin, mais uma vez poderemos acompanhar a prova mais eletrizante que o atletismo mundial já viu, uma final de mundial com os 3 tenores presentes!

Nesta prova tivemos a presença de Matheus Lima, tentando melhorar seu tempo, para encarar com mais firmeza o Mundial que se aproxima. Nada! Uma prova a ser esquecida. Foi lento e com erro de passagem em duas barreiras. Agora é descansar, polir e sair do mundial como um atleta de 47 segundos! Tem potencial.

Matheus Lima após prova das Olimpíadas de Paris 2024 (Foto: Wander Roberto/COB)

E a prova mais curta do meio fundo? O nosso queridinho 800 metros, que todos aguardavam. Frustrantes, com ausências importantes, acaba mostrando que teremos muita gente boa brigando pelo pódio nos 800, principalmente, no feminino as britânicas, e no masculino os quenianos. Olha eles aí de novo, com atletas velozes e muito jovens. Uma geração entre 18 e 20 anos que promete fazer estrago, adivinha onde?

➡️ Atletismo: brasileiro é quinto em final da Diamond League

Chegamos, enfim, a prova mais esperada da, já, noite, em Zurique, o duelo de gigantes da meia volta: O americano Noah Lyles versus Letisle Tebogo, de Botswana, multi-medalhistas olímpicos e mundiais. Hoje, são o que há de melhor nesta prova, distantes de seus adversários. O adolescente Tebogo sabe que tem que sair da curva (os primeiros 100 metros são em curva, lembram?) com uma certa folga sobre Lyles, que tem uma transição, entre curva e reta, absurdamente veloz.

Dada a tensa largada, Tebogo capricha na curva, sem erros e sem medo de ser veloz ali. Mas, Lyles, numa noite iluminada, tira a diferença nos primeiros 50 metros de reta, e os dois iniciam um duelo, passo a passo até a chegada. Lyles vence, com 19:72, 2 míseros centésimos à frente de Tebogo. Proximo encontro dessa gente veloz, ora, é claro que é lá, em Tóquio, no Campeonato Mundial de Atletismo. Imperdível!

Noah Lyles nos 200m da Diamond League (Foto: Fabrice COFFRINI / AFP)

Agora, vão se apagando as luzes do belo estádio de Zurique. Atletas cansados, uns felizes ao carregarem seus enormes diamantes para o hotel. Outros, sem tempo para se frustrarem, já iniciam a contagem regressiva para Tóquio, que é logo ali.

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Até lá!
Lauter

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