Morreu na madrugada deste sábado (30), o escritor Luis Fernando Verissimo. Torcedor do Internacional, o autor de 88 anos estava internado na UTI do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, há quase três semanas, quando foi diagnosticado com um princípio de pneumonia.
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"O Hospital Moinhos de Vento comunica o falecimento do escritor e cronista Luis Fernando Verissimo, às 00h40 deste sábado (30), devido a complicações decorrentes de uma pneumonia. Aos 88 anos, ele estava internado desde o dia 11 de agosto", informou a instituição, em nota.
Em 2020, o cronista publicado nos principais jornais do Brasil operou um câncer ósseo na mandíbula. Os bons resultados da cirurgia, porém, foram atropelados por um AVC, sofrido em 2021, e pelo mal de Parkinson, além de problemas cardíacos.
Filho de peixe
Nascido em 26 de setembro de 1936, o porto-alegrense Luis Fernando Verissimo é filho de outro grande escritor gaúcho, o cruz-maltense Erico Verissimo, autor da saga O Tempo e O Vento e falecido há 50 anos, em 1975. Ainda criança, Luis Fernando viveu parte da infância e da juventude nos EUA, devido a compromissos profissionais do seu pai, já afamado romancista.
De volta a Porto Alegre na segunda metade dos anos 1950 encontrou uma de suas grandes paixões. Contrariando seu pai, gremista, passou a torcer pelo Sport Club Internacional. Costumava dizer que era "fanático, mas não muito" pelo Colorado. Tanto que, em 2004, lançou o livro Internacional: autobiografia de uma paixão, no qual conta sua relação com o clube.
Após se mudar para o Rio de Janeiro no começo dos anos 1960, trabalhou como tradutor e redator publicitário. Foi no Rio que conheceu e casou-se com Lúcia Helena Massa, mãe de seus três filhos (Fernanda, Mariana e Pedro). De volta à capital gaúcha, se encontrou como cronista ao substituir o colunista Sérgio Jockymann.
Nas publicações por onde passou – Zero Hora, Folha da Manhã, O Estado de S. Paulo, O Globo, entre outros – escreveu sobre tudo – futebol (principalmente sobre seu Inter e a Seleção Brasileira), cinema, música, literatura, política, economia...
Sucesso nos livros
Seu primeiro livro, O Popular, foi publicado em 1973, pela Editora José Olympio. Com subtítulo “crônicas, ou coisa parecida", reunia textos já veiculados na imprensa, o que seria o formato da grande maioria de suas publicações até hoje. Em 1975, veio o segundo, A Grande Mulher Nua. ano em que voltou a trabalhar em Zero Hora. Seu primeiro grande sucesso nacional veio em 1979, com Ed Mort e Outras Histórias.
Dois anos depois veio outro grande êxito, O Analista de Bagé, que teve sua primeira edição esgotada em dois dias. O personagem havia sido criado, mas não aproveitado, para o humorista Jô Soares. Em 1994, a antologia de contos de humor Comédias da Vida Privada virou best seller, tornando-se em seguida um especial da TV Globo (1994) e depois uma série de 21 programas, com roteiros de Jorge Furtado e direção de Guel Arraes.
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AVC parou o escritor
Cronista publicado diariamente ao longo de décadas por jornais como O Estado de S. Paulo, O Globo e Zero Hora, Verissimo parou de escrever devido às sequelas do AVC sofrido em janeiro de 2021. Ele também teve a fala afetada. As poucas palavras que proferidas saem em inglês.
– São coisas soltas, yeah, thank you, stop. Não chega a fazer uma frase, mas é em inglês. De vez em quando, os rapazes que ficam com ele [fisioterapeutas e enfermeiros] dizem também ‘Stop’, ‘No’, ‘Thank you, my friend'" – contou Lúcia, 81 anos recém-completos, casada há 61 com o escritor, à Folha de S. Paulo.
Bem-humorado como era, logo que os problemas com a fala surgiram, ironizou sua notória introversão-quase-mudez.
– Um dia ele chegou a dizer: "Eu não falava porque não queria, agora não falo porque não posso" – lembrou Lucia.
Ele vivia com a esposa, Lúcia, e com o filho caçula do casal, Pedro, na histórica casa da família no bairro Petrópolis. A residência é a mesma onde viveram o pai, Erico, e a mãe dele, dona Mafalda.