Caso Maidana - Julgamento

Sessão sobre o Caso Maidana durou quase três horas no STJD (Foto: Igor Siqueira)

Igor Siqueira e Matheus Dantas
27/10/2015
14:31
Rio de Janeiro (RJ)

São Paulo, Iago Maidana, Criciúma e Monte Cristo (GO) escaparam, a princípio, de pesadas punições devido às polêmicas transações que levaram o zagueiro ao Morumbi em setembro. Em julgamento de quase três horas no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), foi decidido que o órgão não tem competência de julgar o artigo 13 do Regulamento Nacional de Transferências. Assim, o processo será encaminhado à Comitê deResolução de Litígios da CBF.

A expectativa do Tricolor Paulista era que já ocorresse uma pena mais pesada nesta segunda, mas que fosse um cenário com reviravoltas acessíveis. Já as infrações ao artigo 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) acarretaram nas seguintes punições: advertência e multa de R$ 100 mil ao Criciúma, multas de R$ 100 mil para São Paulo e Criciúma e de R$ 10 mil para Maidana. O clube já informou que irá recorrer dessa punição.

A sessão foi a terceira do dia na 1ª Comissão Disciplinar, presidida por Paulo Valed Perry. Luiz Felipe Bulus Alves Ferreira, do Distrito Federal, foi o responsável por ser o auditor relator do caso e teve os votos acompanhados pelos demais auditores - Felipe Bevilacqua de Souza, Washington Rodrigues de Oliveira, Vinícius de Sá e o próprio Perry.

No dia 4 de setembro de 2015, Iago Maidana teve seu contrato com o Criciúma rescindido. O vínculo ia até 30 de junho de 2016 e tinha multa de R$ 1,6 milhão. Em 9 de setembro, Maidana foi registrado como atleta do Monte Cristo após a Itaquerão Soccer pagar R$ 400 mil. No dia 12 de setembro, nova transferência foi concretizada: o São Paulo adquiriu 60% dos direitos econômicos do jogador por R$ 2 milhões e firmou um contrato até 11 de setembro de 2018.

- Seria absolutamente inusitado que o Monte Cristo conseguisse contratar um atleta desse porte. E mais, dois dias depois revendê-lo para o São Paulo, conhecido por fazer ótimos negócios. O que me parece é que o Itaquerão Soccer está presente em tudo isso. O Itaquerão Soccer auxiliou nas duas transferências que interessam. O próprio jogador confessou isso, apesar de não ter um contrato assinado - ponderou Luiz Felipe Bulus.

'Não tínhamos ciência da multa e sabíamos que tinha concorrência. Não há prova de contrato com intermediário'

SÃO PAULO
O advogado Roberto Armelin esteve à frente da defesa são-paulina no tribunal. As primeiras indagações foram sobre a postura da CBF no caso, que só se manifestou sobre as negociações após denúncias. Para Armelin, a entidade poderia ter agido durante o processo caso encontrasse irregularidades. Os valores investidos pelo Tricolor também foram explicados.

- O São Paulo pagou R$2 milhões porque supostamente outros clubes estavam interessados no atleta. Fomos rápidos por conta do prazo de inscrição para atletas na Série A do Campeonato Brasileiro. Não tínhamos ciência da multa e sabíamos que tinha concorrência. Não há prova de contrato com intermediário. O São Paulo fez apenas um contrato, com o Monte Cristo - alegou Armelin.

CRICIÚMA
Mariana Bittencourt, gerente de contratos do Criciúma, explica que os direitos econômicos de Maidana pertenciam à GA Gestão de Patrimônio e que foram cedidos à Itaquerão Soccer com anuência dos catarinenses após a relutância dos empresários e do zagueiro em renovar. O advogado Osvaldo Sestário, que defendeu o Tigre no caso, alegou que o assunto deveria ser julgado pela Comissão de Litígio da CBF, e não pelo STJD.

- O Criciúma recebeu a vantagem econômica e repassou para a GA logo após. O clube não sabia para onde o jogador iria depois. Foi passado só que ele não tinha interesse em continuar conosco. Na época, pode ter sido um erro de interpretação. Entendi que a cessão da GA para o Itaquerão não infringia nenhuma regra desportiva, por entender que eram duas pessoas jurídicas que não estavam sujeitas a essas regras - afirmou Mariana.

Iago Maidana é zagueiro do São Paulo
Iago Maidana reforçaria o sub-20, mas treina entre os profissionais (Foto: Maurício Rummens/Fotoarena)

MONTE CRISTO
A equipe da Terceira Divisão goiana foi defendida pelo advogado André Ribeiro, que entre 2009 e 2010 trabalhou para o meia Oscar na birga judicial que o tirou do Morumbi. Assim como Osvaldo Sestário, houve reclamação de Ribeiro sobre a competência do STJD em julgar o caso.

- O Monte Cristo não pode ser condenado por fazer um grande negócio. O Monte Cristo não foi ferramenta do São Paulo, do Criciúma e nem de grupo de investidores - disse Ribeiro.

IAGO MAIDANA
Roberto Armelin também comandou a defesa de Iago Maidana, que poderia ser até impedido de jogar futebol nas infrações cometidas na negociação.

- O Iago tinha o contrato por acabar com o Criciúma, mas não quis esperar. E o Criciúma recebeu por isso. Se houve algum tipo de auxílio foi informal. Nada foi oficializado. Portanto, não existe nada a se esconder, pois nada há aqui. Precisávamos de um zagueiro. É nítido. Apostamos no talento desse jovem. Foi um negócio e a conduta não se encaixa nos termos descritos - reforçou Armelin